04/10/2001
BERNARDO AJZENBERG
A "nova guerra" continua como manchete. Folha ("Bush pede US$ 75 bi para a economia") e "Estado" ("Bush quer mais US$ 75 bi para ativar economia") optam pelo esforço de recuperação econômica interna dos EUA após o 11 de setembro. Os dois principais jornais do Rio privilegiam a ação nos campos diplomático e militar ("JB": "Europa abre espaço para ataque"; "Globo": "EUA e Blair fazem ofensiva diplomática antes do ataque"). A crise econômica da Argentina volta a aparecer com destaque nas capas dos jornais, e tudo indica que veio para ficar pelo menos alguns dias.
11 de setembro 1) Estão hoje equilibradas, entre si, as edições dos diferentes jornais. Poucas diferenças significativas. Não é um bom sinal; 2) O texto "No Oriente Médio, EUA costuram ação militar" (capa de Mundo/Guerra na América) afirma que os EUA liberaram US$ 100 milhões para a ajuda humanitária ao Afeganistão. Já a reportagem do "New York Times" reproduzida na pág. A15 ("EUA tinham pistas dos atentados") afirma que esse total é de US$ 170 milhões. É preciso verificar o valor correto; 3) No caso da Folha, senti falta, hoje, de reportagens com "cor local", seja de Nova York, seja de Islamabad; 4) A Rússia continua ausente nos mapas usados no caderno. O noticiário, no entanto, aponta para um envolvimento cada vez maior desse país no teatro de operações.
Manual e Malan Faltou a idade do deputado João Caldas (AL) no perfil da pág. A4 que o mostra como recordista de transferência entre partidos. Por falar nisso, nenhum jornal consegue "cravar" qual será o movimento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, em termos de filiação partidária? É um dos desafios da semana...
Ética na Câmara Pela importância histórica, em que pesem as suas limitações, a aprovação final do Código de Ética da Câmara merecia mais do que os dois módulos que recebeu na pág. A5, além de material de apoio (no mínimo uma arte que resumisse os seus itens principais).
Índios e jornalistas Não vi na Folha a notícia de que um grupo de índios terenas sequestrou equipes de emissoras de TV em Rondonópolis (Mato Grosso) durante protestos por reivindicação de área para reserva.
Petrobrás e a P-36 1) Na retranca "Petrobrás produz abaixo da meta" (Dinheiro, pág. B3), a direção da empresa atribui o fato à não entrada em operação, por conta do Ibama, de duas plataformas. Nada se fala sobre aquela que explodiu e afundou meses atrás. O jornal deveria, ao menos, explicar ao leitor se o acidente com a P-36 (um dos grandes eventos jornalísticos do ano) acabou pesando ou não para o resultado abaixo do previsto na produção de barris deste ano; 2) O anúncio de página inteira (Dinheiro, pág. B11) publicado hoje pela Petrobrás sob o título "Pirataria tributária" me parece digno de uma reportagem. Não é assunto novo, mas as informações ali contidas sugerem apuração jornalística.
Números O texto "Compra leva Itaú para o 2o lugar em administração de recursos" (Dinheiro, pág. B16) diz no segundo parágrafo que com a aquisição das áreas de asset management e de private banking da Lloyds TSB o Itaú passa a administrar R$ 51 bilhões em recursos. O último parágrafo, porém, dá a entender que esse montante se refere apenas ao asset management. Faltou clareza.
Outros lados 1) A reportagem "Ato contra o MEC tem 7 presos e 6 feridos" (capa de Cotidiano) atribui a membros da UNE a iniciativa (ao atirarem cocos, latas e pedras nos policiais) nos choques entre manifestantes e policiais ontem na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Foi isso mesmo? Não teria sido o caso de ouvir a UNE/estudantes sobre isso especificamente (o presidente da entidade está ouvido no texto, mas não sobre esse importante aspecto)? 2) Na subretranca "Negociação teve momento de tensão" (Cotidiano, pág. C6), sobre o sequestro de ônibus por dois assaltantes na região de Ribeirão Preto, um capitão da Polícia Militar acusa policiais civis de terem atirado indevidamente no veículo durante a perseguição. Faltou ouvir a Polícia Civil.
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