Após os primeiros bombardeios, tudo indica uma radicalização entre EUA/aliados e o Taleban, dada a possibilidade de início de enfrentamentos terrestres. Nesse sentido, creio que, em termos de manchetes, os dois jornais do Rio dão conta mais claramente desse que deve ser um novo momento na "nova guerra". "Globo": "Bin Laden ameaça EUA com 'tempestade de atentados'" (a rigor, de aviões); o "JB" cita frase ameaçadora do porta-voz da Al Qaeda. A Folha, registre-se, acerta ao destacar a morte de civis da ONU ("EUA controlam espaço aéreo; erro mata quatro civis da ONU"). O "Estado" adota linha mais "objetiva" em termos militares: "EUA já podem atacar 24 horas por dia".
Primeira Página 1) Nada justifica, jornalisticamente, o destaque dado hoje, no alto da capa, para a morte de Roberto Campos, em detrimento de uma manchete sobre a guerra. O economista, em que pese sua inegável importância, não possuía, a meu ver, densidade jornalística, neste momento, para tanto. Mais apropriada me pareceu a solução dada na edição Nacional (dois módulos sob a dobra), semelhante, aliás, à dos outros jornais importantes do país; 2) Faltou uma chamada para o material do correspondente da Folha no Afeganistão. É um investimento que o jornal, a meu ver, deveria valorizar bem mais; 3) Também faltou chamada para o importante material "Mesmo sem provas, Brasil se convence da culpa de Bin Laden" (pág. A22), um dos diferenciais da edição de hoje.
Nova guerra 1) O noticiário parece indicar crescimento nas manifestações, em diversos países, contra os ataques anglo-americanos. O caderno especial, hoje, deixa o material sobre isso disperso. Ele aparece numa pequena retranca ("Bush pede fim dos protestos contra a guerra") à pág. A17 e sem qualquer destaque em outra ("Blair e Powell partem para a região"), à pág. 21. A única ênfase (que é correta) dada pelo jornal está no protesto ocorrido no Paquistão (pág. A21); 2) A retranca "Bush restringe acesso do Congresso a informações" (pág. A17) afirma que o presidente se irritou com vazamento à imprensa de informações estratégicas, dando como exemplo a de que o Pentágono iria promover três ataques noturnos. Fica uma dúvida: qual veículo de comunicação deu essa informação? Ou, se não deu, por quê? As respostas podem ter alguma indicação em reportagem do "Post" reproduzida no "Estado", segundo a qual jornalistas selecionados, de diversos veículos, já sabiam na sexta que a ação militar ocorreria no domingo; ou em outra reportagem, trazida pelo "Globo", segundo a qual o "Post" noticiou na sexta que havia 100% de possibilidade de ocorrerem novos atentados nos EUA. A Folha não traz nada disso; 3) Há polêmica quanto ao uso do termo "ajuda humanitária" para definir o lançamento de comida que tem sido feito, aleatoriamente, pelos EUA, junto com as bombas. O jornal informa sobre isso, mas continua a dar um tratamento indiferenciado em seus textos. Na arte de hoje da pág. A18, por exemplo, o jornal assume o termo, que é, no entanto, criticado por organizações humanitárias, para as quais há que se diferenciar claramente propaganda e verdadeira ajuda humanitária. Creio que a Folha precisaria se definir quanto a isso; 4) Apesar de ter destacado o fato em sua manchete, a Folha foi, dos grandes jornais, o que menos detalhes trouxe sobre o bombardeio sofrido pela entidade ligada à ONU; 5) Dois aspectos geopolíticos/diplomáticos não estão devidamente destacados pelo jornal. O primeiro diz respeito à atitude de Arafat de reprimir manifestações pró-Bin Laden. A importância política disso é enorme, considerando-se que o conflito israelo-palestino está no centro da situação internacional. O segundo diz respeito ao novo périplo de Blair, que, provavelmente, está tentando costurar algum apoio entre países islâmicos para ações militares em outros países que não apenas no Afeganistão; 6) O material "Páginas transmitem mensagem antiguerra" (pág. F8), de Informática, merecia remissão no caderno especial de Mundo.
Outro lado 1) Faltou o outro lado do deputado federal em "PT isola 'caso Medeiros' para salvar aliança com PL" e na sub-retranca (pág. A4, Brasil); 2) Faltou a reação das entidades de sociólogos e filósofos professores em "Presidente veta projeto que impõe aulas de filosofia e de sociologia" (Cotidiano, pág. C4).
Didatismo Entendo que há inúmeros termos a explicar no caso da crise econômica argentina, Mercosul etc. Há, na edição de hoje (Dinheiro), um esforço para fazê-lo. Faltou, no entanto, uma explicação para algo que pode até parecer simples para especialistas mas que não o é para leigos: por que, afinal de contas, a desvalorização do real significou um golpe tão grande para os argentinos?
A crise argentina sugere indiretamente uma pauta, a meu ver interessante: o que faz da Nigéria o país imbatível em termos de risco-país? Por que ele é tão grande ali?
Atualização O quadro "reajustes de aluguel e outros contratos" (em "Indicadores Econômicos", pág. B9) traz ainda índices de agosto. Os de setembro, salvo engano, já foram divulgados. Não seria o caso de atualizar a tabela?
Não acontece Tive de me informar em outros jornais paulistas a respeito de shows musicais hoje na cidade. A Ilustrada só traz informações sobre exposições de Artes e cinema.
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