Um dos poucos dias em que não há muita dúvida quanto à manchete: a chegada do bioterrorismo ao Capitólio, em Washington. Folha: "Antraz chega ao Senado dos EUA" (exatamente a mesma, diga-se, do "Zero Hora"); "Globo": "Senado dos EUA recebe de terroristas carta com antraz"; "Estado": "Terror com antraz chega ao Congresso dos Estados Unidos"; "JB": "Antraz alveja Senado dos EUA". Só a Folha, equivocadamente, não deu na Primeira Página o encontro Blair-Arafat, no qual o primeiro-ministro britânico manifestou apoio a um Estado palestino.
Nova guerra
1) Se a decisão era colocar duas fotos na Primeira Página para o conflito, o equilíbrio editorial recomendaria que não fossem, ambas, expressão da desolação que toma conta do Afeganistão, como está; 2) Merecia bem mais destaque do que um módulo abaixo da dobra a retranca "Arábia Saudita afirma estar 'descontente'" (pág. A13). O noticiário indica que Bush começa a enfrentar mais dificuldades na medida em que se acentuam os ataques ao Afeganistão, e justamente no momento em que o governo dos EUA precisa de apoio para iniciar as incursões terrestres na caça a Bin Laden; 3) No mesmo sentido, faltou no texto do abre da mesma página ("Índia e Paquistão entram em choque") informação sobre os protestos/greves no Paquistão contra a presença, ali, de Colin Powell; 4) Detalhe: a reportagem "Nos EUA, gaúcho teme preconceito" (pág. A12) trata o seu protagonista de 31 anos de idade como "rapaz". Não está literalmente errado ( o "Aurélio" admite "homem jovem" como sinônimo de rapaz), mas convenhamos que esse não é o qualificativo mais adequado para quem já passou dos 30; 5) Por falar em idade, faltou a do ex-rei do Afeganistão em "Bin Laden ameaça retaliar, diz Al Qaeda à CNN" (pág. A13). Nesse caso, por ser avançada (86 anos), a informação da idade é fundamental, inclusive em termos políticos, já que o ex-rei é hoje peça fundamental na costura de um eventual governo pós-Taleban; 6) A imprensa não tem dado acompanhamento sistemático ao trabalho realizado para retirada de destroços e captura de corpos em Nova York e no Pentágono. Qual é a situação? Quantos mortos já foram reconhecidos oficialmente?; 7) Em termos geopolíticos e diplomáticos, não é de menor importância a declaração do chanceler belga (trazida pelo "Daily Telegraph" e reproduzida no "Globo") de que Tony Blair está querendo "aparecer demais" e de que seu discurso pode ser nocivo para a manutenção da coalizão. Mais uma dificuldade para Bush e aliados. Não vi a informação na Folha; 8) O "Estado" publica interessante reportagem de seu correspondente em Washington sobre os cortes de verba que a propaganda oficial dos EUA vem sofrendo nos últimos anos e que, agora, aparecem como uma das dificuldades na "guerra da informação".
E a pena? Quais seriam as punições cabíveis, por lei, ao personagem central da reportagem "Fazendeiro é preso por manter 'escravos'" (Brasil, pág. A6)? O jornal fica devendo ao leitor essa informação.
Didatismo Faltou um mapa do RS na retranca "MST invade quatro fazendas no RS" (Brasil, pág. A6).
Conceitos O quadro "Dólar alto e temor levam consumidor ao shopping" (capa de Dinheiro) informa que 70% dos frequentadores do shopping Iguatemi têm renda acima de R$ 5 mil e que 77% dos do Morumbi são das classes A e B. Assim posto, a impressão é de que o segundo shopping é mais frequentado na média por pessoas mais endinheiradas do que o primeiro. Intuitivamente, creio que isso não seja verdadeiro. A confusão, na minha leitura, provém da falta de explicação daquilo que se considera classes A e B. São também pessoas que ganham acima de R$ 5 mil? Essa explicação, esteja minha intuição correta ou não, dirimiria qualquer dúvida.
E o Copom? Nos últimos meses, cada reunião do Copom (BC) vinha merecendo inúmeras retrancas prévias, com análises ou especulações quanto ao aumento ou não dos juros. Desta vez, a Folha parece que esqueceu o assunto. Há apenas uma nota no Painel SA trazendo a expectativa do JP Morgan, lembrando que a reunião ocorre hoje e amanhã.
www o quê? Ao pé da reportagem "Governo diz que não cede a 'pressão política'" (Dinheiro, pág. B3), há um endereço de internet (www. energiabrasil. gov. br) sem qualquer explicação a respeito.
Números Há diferenças entre os índices de risco-país da Argentina (1.824 ante 1.825) e da Nigéria (1.774 ante 1.770) na comparação entre o que está na arte e o que está no texto, à pág. B10 (Dinheiro). As diferenças são pequenas, mas para quem segue o assunto e "coleciona" os dados, é importante haver precisão.
Total de rebeliões Quadro à pág. C3 mostra a evolução do número de rebeliões no Estado de SP. Em 2001, teriam sido, até agora, 19 em delegacias e 9 em penitenciárias. Minha dúvida: não houve, no começo do ano, rebeliões simultâneas em 29 unidades prisionais do Estado? Elas não deveriam estar nessa estatística? Se elas não contam aqui por terem acontecido em outros tipos de estabelecimentos que não delegacias ou penitenciárias -é apenas uma hipótese que formulo--, então essa estatística não reflete totalmente a realidade da situação carcerária no SP.
Sísifo 1) Apesar de comunicado recente do Programa de Qualidade sobre o assunto, o penúltimo parágrafo da retranca "Ato foi 'lamentável', diz Paulo Renato" (Cotidiano, pág. C4) usa o verbo garantir de modo inadequado para a Folha; 2) Na mesma página, o abre "Ministro volta a ser insultado por estudantes" não informa onde, em Brasília, se realizou o ato público durante o qual ocorreu essa manifestação. Foi no Congresso? No Ministério? 3) A foto da retranca "Saem dez primeiros empréstimos" (Cotidiano, pág. C7) mostra um participante do programa de crédito popular da prefeitura cujo nome não aparece no texto ou na própria legenda. Outros aparecem no texto, com seus projetos. Faltou sintonia editorial; 4) Faltou o "outro lado" da Rede Globo na reportagem "Globo enfim compra a Copa" (Esporte, pág. D1). Executivos da emissora são acusados no texto, pelo jornal, de terem errado ao enviar de uma forma e não de outra dinheiro para a ISL; 5) Faltaram as idades de Edmundo ("Fora da elite, Edmundo irá disputar a 'segundona'", pág. D3) e de Martina Hingis (texto-legenda "Hingis ficará afastada por seis semanas", pág. D4). Nos dois casos, a informação é relevante, por tratarem de carreira ou de problemas de saúde.
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