Sai o antraz; volta a guerra. Dos principais jornais, apenas o "Estado" ("Dólar cai 2% com expectativa sobre pacote argentino") deixa de dar manchete para a "nova guerra". Folha ("Ofensiva entra em nova fase com forças especiais") e o "Globo" ("Superavião abre caminho para o ataque terrestre") optam por privilegiar a situação das ações militares, enquanto o "JB" ("Powell admite talibãs em novo governo") enfatiza o esforço diplomático para se formar um eventual governo no Afeganistão pós-Taleban.
Nova guerra
1) O texto da boa reportagem "Talebans presos viram propaganda" (Mundo, pág. A12) não autoriza ir tão longe quanto vão o título e a linha-fina, assim como a chamada da Primeira Página. Ele afirma ser "o mais provável" que a entrevista com o militante taleban mantido em cadeia pela Aliança do Norte seja uma armação. Mas, cautelosa e corretamente, não é categórico; 2) Um dos diálogos captados do avião que atingiu a torre sul do WTC (Mundo, pág. A15) afirma: "Ouvimos uma transmissão estranha quando partíamos de Boston. Como se alguém tivesse ajustado o microfone e mandado todo mundo ficar em seus lugares". A tradução de "key" (original em inglês) por "ajustado" não me parece a mais adequada. Os concorrentes utilizaram o verbo ligar (o microfone), que soa mais compatível. Pode ainda ser "tomado o microfone". A verificar; 3) Boa a foto da "AP" com o arco-íris sobre os escombros do WTC reproduzida no "Estado". A Folha, ao que parece, "esqueceu" os mortos de Nova York e os trabalhos de resgate; 4) O jornal também tem subestimado o noticiário sobre o conflito israelo-palestino nesses últimos dias. Ontem já havia dado pouca ênfase à declaração de Blair favorável a um Estado palestino. Hoje, merecia destaque a declaração do premiê israelense, Ariel Sharon, de que admite também algum tipo de Estado palestino. Não importa se é ou não apenas retórica. Toda retórica, nesse caso, tem um significado político. Ao contrário do que possa parecer, os choques, ali, não cessaram. E nesse conflito reside justamente um dos pontos mais delicados da própria "nova guerra"; 5) O "Globo" traz interessante reportagem de correspondente informando que o governo dos EUA adquiriu direitos sobre as imagens da zona de combates geradas por satélites comerciais. Informação importante para a "guerra de propaganda".
Papel de Jarbas O jornal tenta mas não consegue explicar o que Jarbas Vasconcelos estava fazendo no encontro que reuniu Roseana Sarney, ele e Tasso Jereissati em Brasília ontem (Brasil, pág. A4). Sua posição pró-Serra já era mais do que conhecida. Um sentido para isso seria que, indo ao evento, o governador pernambucano estava mais abertamente assumindo, perante seu próprio partido (PMDB), posição contrária a um candidato peemedebista. Mas não tenho elementos para afirmá-lo categoricamente. Não houve explicação convincente.
Outro lado 1) Faltou o "outro lado" do governador Geraldo Alckmin na reportagem "Justiça pára Orçamento 2002 de SP" (Brasil, pág. A6), na qual a proposta de orçamento do executivo estadual para o Judiciário é duramente atacada; 2) O mesmo vale para a reportagem "Denunciados policiais acusados de tortura" (Cotidiano, pág. C8), na qual ao menos um advogado da defesa deveria ter sido ouvido.
Maluf O "Estado" tem-se mostrado disposto a disputar a dianteira na cobertura do caso Jersey, nascido na Folha. O concorrente traz hoje informação de que o governo brasileiro solicitou ontem formalmente que a Suíça abra investigações sobre as transações financeiras do ex-prefeito. A Folha publica reportagem ligada ao caso ("Sócio da Lavicen é réu em ação de estelionato", pág. A9, Brasil), mas nada deu de atualizado, hoje, a respeito do andamento do processo contra Maluf em terra estrangeira.
Medeiros Pode parecer fantasioso, mas merece registro material publicado pelo "JB" segundo o qual a Força Sindical teria documentos que provariam estar o governo federal por trás das acusações contra o deputado Luiz Antônio de Medeiros. A verificar.
O nível do risco A reportagem de capa de Dinheiro informa no terceiro parágrafo que retrocedeu ontem o risco-país da Argentina. Não traz, porém, números nem noticia de quanto para quanto foi a queda. O dado tampouco está no texto "Agência ameaça classificar Argentina como 'caloteira'" (pág. B3).
A saída do ex-genro Reportagem no "Valor" mostra que a troca de comando da Agência Nacional de Petróleo está mais complicada do que parecia inicialmente. Não há consenso em torno dos nomes que David Zylbersztajn indicou para sucessor. Não seria bom a Folha retomar o caso?
Erros médicos No extenso material encabeçado pela reportagem "Plástica lidera ranking de queixas médicas" (capa de Cotidiano), faltou uma informação: qual é a proporção entre o número de queixas e o total de médicos de cada especialidade? Além dos números absolutos interessantes que a tabela na pág. C1 traz, esse cruzamento percentual ajudaria a explicar, de forma relativa, em termos comparativos, qual é de fato a "categoria" de médicos mais visada pelas queixas.
Menor quase identificado A Panorâmica "Identificado menor que matou crianças" (pág. C8) menciona os apelidos de dois menores acusados de terem atropelado 11 crianças. Poucos dias atrás, houve reportagem sobre assassinato em Campinas que também mencionava um apelido de menor. Comentei aqui. Acho que o jornal deveria rever esse procedimento. É evidente que, ao mencionar o apelido, está-se identificando a pessoa, nem que seja para um número restrito de leitores. Como se trata de menor de idade, creio que isso deveria ser evitado, ainda que tenha, eventualmente, algum amparo legal.
O brasileiro Guga Não é a primeira vez que uma reportagem de Esporte começa com "O brasileiro Gustavo Kuerten...", como acontece duas vezes hoje na pág. D4. Não faz sentido, a não ser no meio do texto, como recurso para evitar repetições.
Sísifo 1) Faltou a idade do senador Ney Suassuna no perfil dele traçado em "FHC adia de novo escolha de ministro peemedebista" (Brasil, pág. A5); 2) Faltou a idade de Cláudia Koskinas na retranca "Mãe conseguiu condenação por morte de filho" (capa de Cotidiano); 3) Faltou a idade do professor Leonardo Teodoro de Castro na Panorâmica "Acusado de colocar bomba vai a júri" (Cotidiano, pág. C4).
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