O noticiário mostra que o fim de semana foi "quente" no Afeganistão e no Paquistão, mais do que nos dias anteriores. A "nova guerra", porém, só é manchete hoje no "JB" ("Cristãos chacinados no Paquistão") e no "Globo" ("FBI e CIA investigam QG de Bin Laden na fronteira do Brasil"). Os principais jornais paulistas optaram pela crise Brasil-Argentina, em linhas até certo ponto opostas (ver nota). Folha: "Brasil não negocia mais com Cavallo"; "Estado": "País vai retomar as negociações com a Argentina".
Edição de sábado, 27 de outubro
Agora sim Vale registrar o pingue-pongue com Paulo Maluf à pág. A10 (Brasil). É a entrevista de "outro lado" que o jornal devia e que havia sido, a meu ver, indevidamente efetuada dois meses atrás em acordo por meio do qual o ex-prefeito apenas usou o jornal para fazer discurso.
Nova guerra (1) A edição subestima a importância histórica da lei antiterror aprovada pelos parlamentares e sancionada pelo presidente Bush ("Bush sanciona nova lei antiterror", Mundo, pág. A16). Parece claro que se trata de um daqueles textos que se candidatam a ficar para a história, não só pelo presente mas pelas consequências eventuais futuras. Nesse sentido, caberia não só resumir os itens principais, como o jornal fez em quadro, mas trazer íntegras de alguns trechos, comparar com a situação anterior etc.
Números 1) O texto "Província dá calote em amortização da dívida e aumenta tensão no país" (Dinheiro, pág. B4) afirma que o risco-país da Argentina na sexta fechou em 1.822. Já a arte, acima, registra 1.820; 2) A reportagem "Concorrência atrai 'órfão' da Soletur" (Dinheiro, pág. B5) noticia que a operadora previa uma receita de cerca de US$ 50 bilhões no início do ano. Certamente são milhões ( com "m"). 3) O texto "Justiça manda Bradesco cortar taxa de cartão" (pág. B5) é confuso. Afirma que o limite deverá ser 12% ao ano, mas que só pode ultrapassar 6% se houver previsão no contrato. Ao mesmo tempo, diz que hoje o índice é de 10%. Então, para que a decisão judicial? Talvez não haja erro, mas falta clareza; 4) Aqui há ERRO. Segundo o texto "Arrecadação sobre o comércio crescerá 69%" (Cotidiano, pág. C4), há em São Paulo 1,641 bilhão de isentos (do IPTU). É milhão, certo?
Beijos A legenda da foto da pág. D1 (Esporte) afirma que Gil de Ferran beija a Miss Indy. A moça, porém, traz outra faixa, e há ao lado uma outra moça, essa sim com a faixa Miss Indy. Ficou estranho.
Edição de domingo, 28 de outubro
Ansiedade na sucessão 1) Não há nenhum sentido jornalístico que possa motivar um abre de página para o texto "Tasso afirma que 'desafio está lançado'" (Brasil, pág. A8). Valeia, no máximo, uma Panorâmica; 2) Parece-me escandalosa, jornalisticamente, a "reportagem" da pág. A15, "Empresariado espera candidato governista para declarar apoio". Fala-se em "grandes empresários", "empresários em geral", sem base em nenhuma pesquisa científica ou, ao menos, em declarações assumidas. É mau jornalismo. A Folha, se quer pressionar para que FHC e PSDB, Serra etc se definam logo, deveria usar seu espaço editorial e não reportagens como essa; 3) O jornal deste domingo é um prêmio aos "desenvolvimentistas", em especial aos irmãos Mendonça de Barros. Luiz Carlos ganhou pingue-pongue de página inteira (A17), além da difusão de seu "programa" (por que não se menciona que ele é colunista da Folha?); José Roberto ganhou pingue-pongue de meia página (B9). Isoladamente, as iniciativas até podem se justificar em termos jornalísticos. Mas vistas de conjunto, numa única edição, são bastante reveladoras de uma tendência que o jornal deveria cuidar para não assumir nas páginas de reportagem. A mesma tendência cujo título está na pág. A16: "Debate eleitoral antecipa fim da era Malan"; 4) A coluna "Lições contemporâneas", de Aloizio Mercadante, à pág. B2, tem muito pouco de artigo. Claramente, o espaço é utilizado para a propaganda das posições do PT, como um espaço de pessoa jurídica.
Se a coisa vai nesse andor um ano antes das eleições, imagine o que acontecerá com a Folha durante a campanha eleitoral...
APS Não vi na Folha a notícia da demissão de um assessor de Malan que usufruía de relação com o lobista APS, do caso Saúde/Novartis. O caso estaria ligado a reportagem da "Época" sobre a atuação do lobista.
Agenda versus notícia Dar o abre de página para "Argentina deve anunciar novo pacote hoje" (Dinheiro) é privilegiar agenda em detrimento de notícia. O pacote foi adiado mais uma vez... A reportagem da pág. B3 "Encomendas de Natal indicam recuperação econômica", essa sim merecia ser abre do caderno, até por surpreender.
E a inflação? 1) Afirma a retranca "Em 5 anos, folha de pagamento cresce 22%" (Cotidiano, pág. C1) tem erro. O que cresceu nesse percentual foi o gasto conjunto com as universidades federais. Segundo o próprio texto, o crescimento da folha entre 95 e 2000 foi de R$ 4,6 bi para R$ 5,8 bi, ou seja, 26%. Certo?; 2) Além disso, o texto ignora a inflação do período (de 95 a 2000). Se ela for considerada, pode-se dizer que houve mesmo crescimento (real)?
Correr atrás do prejuízo... A expressão, bem pouco recomendável, está no terceiro parágrafo do texto "Castração de garotos assombra o Maranhão" (pág. C4). Outra expressão (erro, na verdade) estranha está na primeira linha de "Mercado podre afasta multinacionais do refino" (Dinheiro, pág. B8): "A falta de desinteresse...". É falta de interesse, certo?
Ingressos à venda Segundo um leitor, diferentemente do que afirma a retranca "Torcida corintiana será 'escudo'" (Esporte, pág. D3), foram disponibilizados 23 mil ingressos (20 mil em Santos e 3 mil em São Paulo), não 26 mil, como indicam as contas no texto. A verificar.
Edição de segunda-feira, 29 de outubro
Manchete controversa É no mínimo controversa (e ambígua) e manchete da Folha ("Brasil não negocia mais com Cavallo") Pode significar que o país só negociará com a Argentina se o interlocutor for outro que não o ministro daquele país, ou que não negociará mais com Buenos Aires enquanto Cavallo estiver no cargo. Comparando com o noticiário dos concorrentes, que afirmam com ênfase que Celo Lafer disse que as negociações serão retomadas hoje, a Folha parece estar um passo atrás. Na chamada e no texto interno (pág. A9), nada indica essa retomada em termos imediatos. Aguardemos os fatos.
Foto impublicável O texto-legenda "Marcha" (Brasil, pág. A1) traz foto de qualidade e informação visual impublicáveis num jornal como a Folha.
Defensoria homossexual A reportagem "Defensoria para gays começa a funcionar" (pág. C5) afirma que, segundo Fernando Quaresma, "muitos homossexuais sentem vergonha de levar seu problema a um advogado heterossexual...", sendo este um dos motivos da criação dessa defensoria. O texto deixa em aberto, mas dá a entender, portanto, que só advogados gays poderão ali trabalhar. É isso mesmo? E isso não seria discriminação? Faltou explicitação.
Nova guerra (2) Sim, pega mal a Folha publicar só hoje (segunda-feira) texto do "NYT" reproduzido na sexta-feira pelo "Globo", para o qual, aliás, chamei a atenção na crítica interna daquele dia.
Sísifo (fim de semana) 1) Faltou a idade da viúva de Jorge Amado em "Códigos de Zélia e Jorge" (Ilustrada, E5, sábado); 2) Faltou o outro lado dos industriais nordestinos em "Gerdau e Odebrecht querem unidade na CNI" (Dinheiro, pág. B5, domingo); 3) Faltaram as idades de Marcelinho e de Luxemburgo nas respectiva entrevistas, em Esporte (D2 e D3, domingo); 4) Faltou a idade de Edward Bond, autor britânico, em entrevista à pág. E4, Ilustrada, segunda-feira.
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