Nenhum tema em comum nas manchetes dos principais jornais hoje. A Folha ("Impasse faz risco argentino disparar") mantém no topo a situação crítica do país vizinho. A "nova guerra" é o tema do "Estado" ("EUA já planejam instalar base em território afegão"). O "Globo" sai com manchete reduzida ("Vestibular da UFRJ pode ser totalmente anulado") e de caráter mais regional. O orçamento federal para 2002 é o assunto no "JB" ("Congresso cava buraco de R$ 68 bi").
Balança viciada Faz sentido que o jornal priorize a questão da definição do candidato do PSDB à Presidência da República. Mas isso não deveria ser feito de modo tão desequilibrado como tem ocorrido. Qualquer espirro de Tasso Jereissati, agora, é abre de página. Ao mesmo tempo, hoje, reservam-se apenas algumas linhas e um intertítulo em pé de texto para evento que lançou a pré-candidatura do ministro Pratini de Moraes (PPB).
Glivec O texto "Dirigente de laboratório depõe na Polícia Federal" (Brasil, pág. A4) informa que o ministro José Serra conduziu negociação que resultou em redução de 37,5% no valor desse medicamento. Já na reportagem "PSDB teme que processo sobre lobista afete partido" (pág. A5), a vitória sobe para 40%. Um dos dois números está errado.
Que prédio? A arte "para entender o caso" (pág. A7), na reportagem "Clube de Seguros recolhia doações à campanha do PT", menciona, no dia 19 de maio, a existência de um prédio comprado... Não se diz quem comprou nem que prédio é esse. Não dá para entender.
Nova guerra
1) O abre do caderno (pág. A11) menciona os "efeitos colaterais" do conflito. A expressão que o jornal vem utilizando até o momento, salvo engano, é "danos colaterais". Parece-me mais precisa e de acordo com seu significado; 2) O ombudsman do "Washington Post" é Michael Getler, não Howard Kurtz, conforme está escrito em "Imprensa americana adota tom mais negativo" (pág. A11); 3) O sexto parágrafo de "EUA bombardeiam túneis de Bin Laden" (pág. A12) afirma que há relatos de ataques a Cabul ontem. Todo o sentido do texto, no entanto, vai na direção contrária. Ontem teria sido um dia de "ralativa tranquilidade" na capital afegã. Pode ser um "pastel"; 4) O título mencionado no último item, aliás, não é verdadeiro. Nenhuma certeza existe de que esses túneis abriguem hoje o terrorista saudita ou seguidores; 5) O texto "Brasil esconde dos EUA indícios de terrorismo" (pág. A14) merecia ser abre de página e receber chamada na Primeira Página; 6) Está subestimada, também, a notícia "Tropas russas matam 92 na Tchetchênia; Moscou admite situação 'complexa'" (Panorâmica, pág. A15). Na atual situação geopolítica, em que EUA e Rússia se deram as mãos, tal conflito tem amplo significado; 7) Chamo a atenção para texto de Bob Herbert, do "New York Times", reproduzido na "Estado". Traz uma visão ácida do pacote de US$ 100 bi aprovado pelos parlamentares para a economia americana. Reforça o "clima" de mudança nos ânimos da imprensa.
Brasil versus Argentina Sem qualquer explicação, sumiu do noticiário hoje o assunto que foi manchete (controversa) ontem: a retomada ou não de negociações entre Brasil e Argentina depois do bate-boca diplomático com Cavallo. Não só a Folha, mas também os outros jornais "esqueceram" o caso, como num passe de mágica. Trazem-se, apenas, algumas declarações genéricas de FHC. Afinal, o Brasil retomou ou não as negociações?
Cabra racional? Legenda em foto de uma cabra em close na pág. F4 (Agrofolha) afirma: "Cabra participa de julgamento durante a Expomilk em SP". O verbo participar, aqui, induz a uma formulação infeliz. Certamente o animal estava sendo julgado. Não podia, por razões óbvias, ser partícipe de um julgamento.
Piada O título "No fundo do poço, Guga joga para brecar Hewit" (Esporte, pág. D2) é inadequado. Como pode estar no fundo do poço um jogador de tênis que encabeça os dois rankings mundiais? Claro que Guga vive uma fase ruim, mas daí a considerá-lo "no fundo do poço" é realmente um exagero.
Quem é? O corte da foto da cantora Macy Gray (pág. E3, Ilustrada), em que só se vê a sua boca e um camisolão azul, está bem esquisito. Se a intenção foi "artística", o resultado é esteticamente pífio.
Clonagem Um leitor chama a atenção para repetição da mesma reportagem (foto, títulos e retrancas), "Feng shui ganha espaço na decoração", nas edições da Folha Vale de 6 de outubro e de 20 de outubro, em Imóveis. É preciso verificar o que houve e dar alguma explicação aos leitores.
Esclarecimento Recebo da editoria de Esporte, via SR, o seguinte esclarecimento sobre a nota "Beijos" da crítica de ontem: "A legenda está correta. Como é possível ver na foto, a faixa da moça 'ao lado' traz, abaixo da inscrição 'Miss Indy', a expressão 'runner up'. A mulher beijada por Gil de Ferran é sim a Miss Indy. Para consulta, remeto também o texto original da Associated Press." Texto: 'Brazilian Indy CART driver Gil de Ferran, left, kisses the newly crowned 'Miss Indy 2002' Sara Chrismas, 21, from Toowoomba in Queensland as runner up Bronte Kok of Australia, right, looks on in pit lane on the Gold Coast Friday, Oct. 26, 2001. De Ferran is one of the favorites to win the Australian CART race to be held Sunday, Oct. 28. (AP Photo/Richard Campion)'.
Observo o seguinte: só quem domina o inglês poderia entender que não havia erro na legenda. Faltou pensar no leitor comum.
Errei Por erro de montagem, a crítica interna de ontem, 29 de outubro, saiu com a data de sexta-feira (26 de outubro).
Sísifo Faltou a idade do assessor do Ministério da Fazenda, demitida sexta-feira, Hugo Braga, em "Amigo de lobista, assessor de Malan pede demissão" (Brasil, pág. A4).
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.