Impõe-se aos poucos, com os impasses do conflito, a "secundarização" jornalística da "nova guerra". Hoje, nenhum dos principais jornais do país traz o assunto em manchete. A Folha ("PIB dos EUA cai pela 1a vez desde 93") prioriza a situação norte-americana, mas sob outro ponto de vista. O "Globo" ("Conselho anula vestibular da UFRJ e deixa reitor isolado") mantém ênfase num tema mais regional do que nacional. No "Estado" ("IR pode aumentar para os salários a partir de R$ 7,5 mil"), um alerta. O "JB" opta por uma manchete levemente irônica: "FH leva a Bush recado de Paris".
APS e o outro lado - 2 No material sobre o caso Saúde/Novartis (Brasil, pág. A4), faltou hoje a informação de que o lobista APS alega que sua agenda, apreendida pela PF, sofreu adulteração. É um dos elementos de seu outro lado. Na retranca "Em telefonema, APS faz menção a duas fitas", registra-se uma frase de efeito do ministro Serra ("Não tenho problema com o Novartis suíço. Tenho com o brasileiro porque ele é pouco suíço") que, a meu ver, implicava ouvir a subsidiária brasileira do laboratório, a qual, misteriosamente, mantém-se "calada" no noticiário do caso.
Falando de si... Dois assuntos em que o jornal, pela força da notícia, é obrigado a falar de si próprio (como empresa) apresentam sutis distorções na edição de hoje: 1) O lide de "Deputados retomam projeto sobre estrangeiros na mídia" (Brasil, pág. A5) informa que o tal projeto se refere ao capital das empresas de rádio e TV. Só ao final do texto o leitor fica sabendo que ele diz respeito a todas as empresas jornalísticas. Intencionalmente ou não, a impressão é de que o jornal quis esconder o quanto ele próprio pode estar envolvido nessa discussão; 2) O mesmo ocorre com relação à questão da obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Na reportagem de hoje ("AGU recorre da suspensão do diploma", Brasil, pág. A9), o jornal não traz nada sobre a posição da ANJ (li no "Globo") nem informa que a Fenaj entrou com agravo de instrumento para tentar derrubar a decisão (li no "Estado"); 3) Tudo bem que só a Folha tenha trazido a notícia da iniciativa da Advocacia Geral da União. Cumpriu com sua obrigação. Mas isso não justifica as ausências acima mencionadas, em material evidentemente polêmico e delicado. Didatismo A arte "Entenda o caso" dentro da retranca "Juíza exclui Maluf de precatórios" informa que a Constituição de 88 determinou que Estados e municípios só poderiam emitir títulos públicos para pagar precatórios pendentes até 5 de outubro daquele ano. Isso quer dizer que a partir dali esse tipo de dívida só poderia ser pago em dinheiro? É isso? Não deu para entender, até porque o problema apontado contra o ex-prefeito não é a emissão em si mas sim sua quantia e os prejuízos que causou ao erário.
Nova guerra 1) O texto "Parlamento francês aprova lei antiterror" (pág. A15) me faz voltar ao noticiário de anteontem (dia 30) sobre a decisão do presidente Bush de apertar o cerco na concessão de vistos para estudantes estrangeiros entrarem nos EUA. Relendo a reportagem do "New York Times" daquele dia, sob o título "Bush announces a crackdown on visa violators", fica claro que, não só a Folha, mas o restante da imprensa, trouxe apenas uma parte da informação. Todo o lide do diário norte-americano é claro ao afirmar que a determinação de Bush é bem mais ampla do que parece. Não diz respeito apenas a vistos para estudantes. O que ele afirma, ali, é que o governo irá fechar o cerco contra todos os imigrantes ilegais, que já tiverem seus vistos vencidos. Se o texto do "NYT" está correto, isso envolve mais de meio milhão de brasileiros que ali vivem. Sugiro retomar o assunto, no mínimo para esclarecimento; 2) A reportagem "Extremistas paquistaneses pedem revolta militar" (pág. A16) fala de um tradutor de 7 anos de idade de nome Rashid. É isso mesmo? Tradutor profissional com essa idade? Ou terá havido algum "pastel"? 3) Registro para a interessante notícia trazida pelo "Figaro" de que um representante da CIA teria visitado Bin Laden num hospital de Dubai (Emirados Árabes Unidos) em julho deste ano. Está no "Estado".
PIB dos EUA Além de visualmente confuso, o gráfico da capa de Dinheiro "Queda do PIB dos EUA é a maior desde 91" parece conter um erro. Não há, nele, nenhum dado de 91. Começa em 90 e salta para 92.
E a Fiesp? Faltou informar qual é a posição, sobre o caso, da mais importante federação de industriais do país, na reportagem "Racha na CNI fazer surgir nova entidade no país" (Dinheiro, pág. B5).
Constrangimento A retranca "Acordo de acionistas provoca controvérsias", dentro do material sobre a nova lei das SA (Dinheiro, pág. B6), relata três opiniões sobre o assunto. Duas delas são retiradas (com a devida citação de fonte) de artigos publicados no concorrente local. Será que a Folha não conseguiu ouvir as pessoas? Recorrer aos textos publicados no "Estado" era mesmo a única saída? Pega mal.
Brasil fora A reportagem "Crise global vai golpear os emergentes, diz Bird" (Dinheiro, pág. B10), com base em relatório do Banco Mundial, traz apenas números globais. O mesmo documento, analisado no "Globo" e no "Estado", contém, no entanto, informações e números sobre o Brasil, inclusive com alerta do Bird sobre dificuldades que podem surgir para o país arcar com suas dívidas. Ponto para a concorrência.
Greve no INSS Não dá para entender por que a Folha nada noticia sobre a greve no INSS, que daqui a pouco completa três meses. Ontem o comando de greve teria aceito proposta do Ministério, e o movimento pode estar perto do fim. Será que o jornal irá noticiar apenas o seu encerramento? Não é a melhor política.
Caso pataxó A reportagem "Promotora abandona caso de pataxó uma semana antes do julgamento" (Cotidiano, pág. C6), sobre aquele índio queimado por jovens em Brasília em 97, não deixa claro o motivo da decisão, mas traz indicações. OK. Uma das possibilidades, porém, está ausente: a pressão que estaria sendo feita contra a promotora por familiares dos jovens acusados. Li sobre isso na concorrência. A Folha informa qwue um dos acusados é filho de um juiz do DF, mas vale a pena o jornal aprofundar essa vertente de pressão.
Sísifo 1) Mais uma vez está ausente a idade do juiz aposentado, em "Advogado entra com habeas corpus para que Nicolau volte para casa" (Brasil, pág. A5). Menciona-se entre aspas, na boca de seu advogado, que Lalau é "septuagenário". Isso não exime o jornal de dar a informação precisa, relevante num caso em que a saúde do réu é argumento principal para que lhe seja outorgada prisão domiciliar; 2) Por motivo semelhante (saúde), falha o jornal ao não informar a idade do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em "Comissão é criticada por senador" (Esporte, pág. D1).
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