Empate em dois nas opções de manchete dos principais jornais hoje. Folha ("Câmara aprova limite a imunidade") e "Globo" ("Câmara acaba com a imunidade parlamentar") dão primazia à histórica, embora não definitiva, decisão dos parlamentares. "JB" ("Juro de 2% nos EUA é o mais baixo em 40 anos") e "Estado" ("EUA cortam juro para 2%, o mais baixo em 40 anos") saem com a decisão, também histórica, do Federal Reserve. Só o "Globo" deixa de trazer na capa foto da seleção brasileira, que tem hoje jogo decisivo.
Suposto, não É elogiável qualquer tentativa do jornal de não sentenciar pessoas nem dar como certas acusações feitas por terceiros. Mas há casos em que isso, curiosamente, pode e deve ser dispensado. A retranca "Oposição precisa de um nome para CPI" (Brasil, pág. A4), dentro do material sobre o caixa dois do PFL no PR, fala do caso com expressões como "suposta existência de um caixa dois...", "suposto caixa dois", "gastos supostamente irregulares...". Ora, a reportagem publicada ontem na Folha foi inapelável e clara. O jornal afirma que houve caixa dois e o demonstra com documentos. Nesse sentido, o uso dessas expressões cautelosas, nesse caso, sem intenção, paradoxalmente, acaba por criar dúvida sobre o material bancado pela própria Folha.
Sísifo 1) A reportagem "Emenda tenta reabilitar verba do TJ" (Brasil, pág. A6) menciona "precatórios alimentares", sem explicar do que se trata; 2) Faltaram as idades da filha e do pai no side "Sou do partido de Roseana, diz Sarney" (Brasil, pág. A11).
Nova guerra 1) Corretamente, o jornal havia abandonado como principal a qualificação de "milionário saudita" para se referir a Osama bin Laden. Nos últimos dias ela voltou a aparecer com destaque, como hoje em "Para Londres, Al Qaeda agirá sem Bin Laden" (Mundo, pág. A12). Seja ele milionário ou não, não é essa a forma mais apropriada para definir o terrorista saudita; 2) Registro para o fim de caderno especial à parte para Mundo/Guerra sem limites, um mês após o início dos bombardeios no Afeganistão, quase dois meses após os atentados.
Pataxós A cobertura da Folha hoje no julgamento dos réus do caso do índio Galdino, ao contrário da de ontem (conforme apontei na crítica interna) e da de outros veículos hoje, está equilibrada. Peca, no entanto, por outro erro: burocratismo. Nada traz sobre o "clima" do evento (a juíza, por exemplo, é mesmo, ao que tudo indica, personagem no mínimo curiosa e controvertida). Em acontecimentos como esse, os detalhes de comportamento e dos entornos da ação principal ganham importância e, ao lado da busca do equilíbrio, fazem a diferença.
Glória Trevi A Folha tem subestimado o curioso caso da cantora mexicana que engravidou "misteriosamente" no presídio da Papuda. Ela prestou depoimento ontem à PF, mas o jornal não trouxe nenhum registro.
Números A retranca "Imposto de Renda da Pessoa Física responde por 12,5% da arrecadação" (capa de Dinheiro) registra que a arrecadação de IR deverá chegar a R$ 25 bi neste ano. Já "Tributo pode subir para apenas 820 mil" (mesma página) afirma que anualmente se obtêm R$ 16,6 bilhões com esse tributo. Mesmo que este último texto não se refira explicitamente a este ano, a diferença é muito grande. A verificar.
Edição 1) Um detalhe de acabamento: informações sobre a Transbrasil colocadas ao pé de retranca sobre a Varig (Dinheiro, pág. B5) deveriam estar no abre da página, que trata justamente da Transbrasil; 2) Em texto-legenda na mesma página, traduz-se a palavra "état" (francês), de um cartaz de protesto, por "governo". Fica distorcida, assim, a idéia do protesto de funcionários da Sabena, de que o Estado (e não o governo) deveria retomar o controle da companhia aérea belga em crise; 3) Na página B7, a primeira linha do lide de "Venda de suínos a vizinho será investigada" registra "importação" quando deveria escrever "exportação".
Casa dos Artistas Não vi na Folha a notícia de que a prefeitura paulistana deu ordens formais ontem para a desativação do "estúdio" de gravação do programa do SBT, que ocuparia local em área residencial.
Aviso Por motivos de procedimento médico, não haverá crítica interna amanhã e sexta-feira.
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