O cenário internacional esteve agitado no fim de semana, tanto com a "nova guerra" quanto com a reunião da OMC e a assembléia da ONU. Hoje, porém, nenhum desses temas predominou nos jornais. Cada um dos principais diários "abriu" com um tema diferente. Folha: "Brasil tem apoio na OMC contra patentes"; "Estado": "País busca maior influência no FMI e Banco Mundial"; "JB": "Aparelhos vão gastar menos energia"; "Globo": "Rebeldes desafiam os EUA e ameaçam invadir Cabul". Atenção: o "New York Times" traz com destaque em sua capa hoje reportagem mostrando que, ao contrário do que se noticiou antes (há poucas semanas), inclusive na Folha, o trabalho encomendado de recontagem de votos nas eleições presidenciais dos EUA confirmou a vitória de Bush na Flórida contra Al Gore. O jornal (Folha) precisa apurar o que aconteceu (veja nota).
Edição de domingo, 11 de novembro
Sensação de engodo A presença de anúncios/publicidade no jornal é sempre uma "boa notícia". Quanto mais, melhor. Mas é preciso assegurar uma proporção mínima entre espaço editorial e espaço publicitário. Visivelmente, essa proporção foi rompida nesse domingo, produzindo no leitor a dúvida se o jornal que ele assina ou compra em banca foi feito para ter mais publicidade ou mais notícia. Faltaram páginas editoriais.
Diz que é... A Folha obteve com exclusividade relatório da Polícia Federal sobre produção de cocaína na fronteira com a Colômbia. O texto da reportagem, "Polícia Federal descobre fábricas de cocaína das Farc" (Brasil, pág. A4), deveria, porém, munir-se de muito mais cautela do que se muniu, atribuindo à PF a afirmação de que a guerrilha colombiana é dona das "fábricas". Em especial, o título é muito afirmativo e compra a versão oficial. Mais adequado teria sido atribuir a informação, claramente, já no título, à PF.
Prévias no PT Chama atenção reportagem do "Estado" segundo a qual Lula não aceitará disputar as prévias internas no PT com Suplicy para a candidatura presidencial. É uma pequena bomba.
Caso pataxó Não constatei haver na Folha desequilíbrio na cobertura do dia final do julgamento em Brasília (Brasil, pág. A15). Creio que faltou, apenas, um elemento informativo/didático. Afirma-se que os advogados dos réus vão recorrer ao Tribunal de Justiça. Qual é a relação "hierárquica" entre o tribunal do júri e o TJ? O que acontecerá se o TJ decidir não acatar a decisão dos jurados e a sentença da juíza para os que mataram o índio Galdino? Isso fica no ar.
Por que o "outro lado"? A reportagem "Serra é quem mais usa rede nacional" (Brasil, pág. A16) informa objetivamente quanto algumas figuras de proa do governo usaram de tempo na TV. Não há, porém, corretamente, nenhuma acusação ou insinuação. Nesse sentido, parece-me excessivo, "realismo maior do que o rei", colocar uma retranca de "outro lado" para o ministro da Saúde se explicar. O "outro lado" não deve ser banalizado nem tampouco virar pretexto para dar a palavra a alguém quando não é preciso.
Perfis ausentes Faltaram as fichas técnicas e estatísticas (idade, número de jogos, gols, anos de carreira etc) nos textos sobre as partidas de despedida de Maradona e de Raí, à pág. D2, Esporte.
Técnico trocado O técnico da ponte Preta é Vadão (Osvaldo Alvarez) e não Marco Aurélio, como está na nota "Goiás pega rival completo", à pág. D7.
Edição de segunda-feira, 12 de novembro
Mau exemplo A reportagem "BOL recorre de decisão sobre publicidade" (Brasil, pág. A7) é um exemplo de como interesses econômicos de grupos ligados à comunicação podem influir no seu próprio noticiário. No caso, a própria Folha. Essa reportagem não tem equilíbrio. Ouve o "outro lado" de modo burocrático, mas, claramente, em especial ao seu final, trata de "demonizar" a AOL, rival do BOL, altamente elogiada pelo texto, nesse episódio. O texto, aliás, nem sequer menciona que o BOL tem ligação com o Grupo Folha.
Nova guerra 1) O lide da reportagem "Britânicos atuam em solo afegão" (capa de mundo) está, a meu ver, a partir do oitavo parágrafo, quando se mostra que a Aliança do Norte ameaça invadir e tomar Cabul apesar da hesitação atual dos EUA e das dificuldades políticas de composição de um governo pós-Taleban. Acho que o "Globo" acertou aqui, destacando, inclusive em manchete, essa questão crucial, ainda mais com os avanços militares e o aparente enfraquecimento do Taleban nos últimos dias; 2) Faltou hoje mapa para que o leitor pudesse entender as movimentações militares do fim de semana; 3) Insisto naquilo que mencionei na abertura desta crítica, a partir do que traz o "NYT" (e não só ele) hoje. Ao que tudo indica, houve erro feio do jornal (Folha) em reportagem anterior sobre o fato de que a imprensa americana estaria escondendo dados que mostrariam que Bush, na verdade, perdera a eleição.
Poder na CVM Afirma-se em "Na teoria, CVM já é mais independente" (Folhainvest, pág. B8) que a nova Lei das SA prevê que o colegiado da Comissão não mudará mais conforme a dança de ministros da Fazenda. Haverá mandato com período determinado. OK. Mas não dá para entender como, então, será feita a escolha do colegiado. Quem definirá o presidente da Comissão? Não será o ministro da Fazenda? Não há explicação.
Sísifo (fim de semana) 1) Faltaram as idades dos especialistas Patrick Moulette e Barry Rider, entrevistados em "Países terão de combater dinheiro do terrorismo" e "Iniciativas são politicamente ingênuas, diz inglês", em Mundo, pág. A29 (domingo); 2) Faltou a idade do DJ Marky em entrevista na Ilustrada (segunda, pág. E6).
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