Sem dúvida as manchetes apontam para a principal notícia do dia: Folha: "Avião cai com 260 a bordo e NY revive clima de pânico"; "Estado": "Airbus com 260 pessoas cai em Nova York"; "Globo": "Tragédia aérea em Nova York traz pesadelo de volta"; "JB": "O medo que vem do céu". Tudo indica, porém, que a informação mais importante, em termos históricos, a médio e longo prazos, foi introduzida na capa da Folha, embaixo da dobra, na edição da 1h30: "Tropas da Aliança do Norte entram em Cabul".
Por dentro do PMDB A nota "Briga no tapetão" (Painel, pág. A4) afirma que a cúpula do PMDB decidiu enxugar a prévia interna para escolha de seu presidenciável para um colégio de cerca de 3.000 votantes. Já a reportagem "FHC convoca Serra e Tasso para conter crise" (Brasil, pág. A6) afirma que, pela mudança, votariam entre 5.000 e 6.000 pessoas. É uma diferença razoável. Qual das duas é a informação correta a respeito das pretensões dos governistas contra Itamar no PMDB?
Só amizade? Segundo reportagem publicada no "Correio Braziliense" hoje, as relações entre a jornalista da "Veja" e o lobista APS seriam mais abrangentes, envolvendo inclusive dinheiro, do que afirma o texto "Veja demite jornalista que é citada em agenda" (Brasil, pág. A5). Até para não dar ao leitor a impressão de corporativismo, o jornal deveria apurar o fato e noticiar tudo aquilo que de fato souber.
EJ O "Estado" traz novo lance no caso Eduardo Jorge. Segundo o jornal, em artimanha semelhante a outra revelada semanas atrás pela Folha, um procurador procurou incluir o nome do ex-assessor palaciano em pedido de quebra de sigilo no caso Marka, com o qual ele, em tese, nada teria a ver.
Nova York/Cabul A cobertura da queda do Airbus em Nova York dá conta do básico, em dia de nova perplexidade. Algumas observações: a) O texto "Autoridades fecham prédio da ONU" (Pág. A10) afirma que foi feito "minuto de silêncio" na ONU em homenagem às vítimas do 11 de setembro, antes da queda do avião de ontem. Já "Casa Branca tenta tranquilizar americanos" (pág. A11) informa que o "minuto de silêncio" foi feito depois do acidente, em função deste. São informações contraditórias; b) Faltaram na cobertura da Folha dados e números a respeito do engajamento de bombeiros e equipes em geral no resgate de corpos. Segundo o "Globo", por exemplo, foram deslocados 44 caminhões de bombeiros, com 200 homens. Haveria 32 crianças entre as vítimas. Coisas desse tipo, que, obviamente, exigem confirmação; c) A repercussão do caso na República Dominicana parece ter sido bem mais dramática e relevante do que a pequena Panorâmica "Queda gera comoção entre dominicanos" (pág. A12) dá a entender; d) A Folha conseguiu na edição SP atualizar o noticiário a ponto de dar a informação da tomada de Cabul pela Aliança do Norte, inclusive na Primeira Página. Positivo. Não atualizou, porém, o chamado entorno, como o texto "Rápido avanço da Aliança já preocupa EUA", no qual a tomada da capital figura ainda como possibilidade. Da mesma forma, permanece no texto principal a informação, polêmica, de que a Aliança do Norte havia atendido pedido dos EUA de não tomar Cabul enquanto não se resolvesse a questão da composição do governo pós-Taleban.
Sem memória O texto "Estudo sobre recontagem de votos confirma vitória de Bush na Flórida" (Mundo, pág. A17) falha em termos deontológicos ao não registrar, para o leitor, que estava equivocada a tendência apontada em reportagem da própria Folha do dia 3 de novembro segundo a qual a imprensa norte-americana estaria escondendo esse estudo porque, em síntese, ele não confirmava a vitória de Bush. A Folha cometeu, assim, um duplo equívoco.
Milosevic Permanece a confusão na caracterização política do ex-governante iugoslavo Slobodan Milosevic. No texto "Tribunal da ONU amplia acusação contra Milosevic" (pág. A17), ele é citado ora como ex-ditador ora como ex-presidente. Se existem, as definições devem ser respeitadas.
Cuidado O título "Médico é acusado de pedofilia na rede" (Cotidiano, pág. C3) parece enganoso. A acusação ao personagem em questão é de usar o computador para transmitir fotos de pedofilia na internet. Não são coisas distintas, embora graves? Se o texto explicasse o que diz o artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (usado como base para a acusação), a questão ficaria mais clara para o leitor.
À beira da irresponsabilidade Afirma a reportagem "Mais votado, Melfi é escolhido novo reitor" (Cotidiano, pág. C4) que ele "...não teve sua nomeação bem recebida pelos funcionários, professores e estudantes da USP". Como o jornal sabe disso? Foi feita alguma pesquisa? Não dá para a Folha se basear em algumas opiniões ou posicionamentos políticos prévios para fazer afirmações tão genéricas e categóricas como essa. A meu ver, beira a irresponsabilidade.
Sísifo 1) O texto "Oposição diz ter nomes para criar CPI contra Taniguchi" (Brasil, pág. A4) usa cinco vezes a palavra "denúncia" para se referir à informação dada pela Folha de caixa dois na campanha do PFL no PR. Não há denúncia nenhuma (conforme definições às págs. 61 e 157 do "Manual"); 2) Faltou o outro lado do governador Mão Santa na arte "Entenda o caso", Brasil, pág. A4; 3) O texto "Juíza ouviu falar em 'venda de decisões'" (Brasil, pág. A7) não informa onde se deu o depoimento da desembargadora Suzana Camargo; 4) Faltou o outro lado do ex-editor Francisco Alberto de Moura Duarte em "Revista parada já tem novo editor" (Ciência, pág. A8), novela que parece bastante complicada; 5) Faltou o outro lado da Caixa Econômica Federal em "OAB ameaça ir à Justiça contra a CEF para contestar acordo do FGTS" (Dinheiro, pág. B3); 6) Faltou o outro lado do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, em "Empresa silencia; Marinho vai à Alemanha" (Dinheiro, pág. B3). O deputado petista Jair Meneguelli afirma que ele deveria "tirar a bundinha da cadeira e vir fazer seu papel de ministro". É pouco? 7) Faltou o outro lado das empresas aéreas na retranca "Empresário usa crise e demite, diz sindicato" (Dinheiro, pág. B8); 8) Faltou a idade do promotor Roberto Porto em "Baleado promotor que investiga PCC e máfia chinesa" (Cotidiano, pág. C3).
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