Só a Folha não dá manchete na edição de hoje para a "nova guerra", optando por um anúncio até agora apenas retórico ("FMI pressionará por avanço da Alca"). "Jornal do Brasil" ("Aliados encurralam Bin Laden") e "Globo" ("Aliança diz ter localizado Bin Laden perto de Kandahar") destacam o cerco ao terrorista saudita. O "Estado" ("Aliança do Norte aceita negociar governo provisório") sai com o processo político em curso no Afeganistão. Destaque, no fim de semana, para reportagem da "Isto É" sobre a cantora mexicana Glória Trevi e sua gravidez _um caso curioso que a Folha, equivocadamente, tem desprezado.
Edição de sábado, 17 de novembro
Soares quem? Brasil publica à pág. A6 entrevista com Gláucio Soares, professor na Flórida que relança um livro de 1973. Não há informação sobre o perfil de formação do intelectual, idade etc. A quem esse material se dirige? Da forma como foi trabalhado, certamente não é ao público amplo e multifacetado da Folha.
Nova guerra 1) Há um "pastel", aparentemente, no oitavo parágrafo do texto de abre do caderno ("Taleban decide abandonar seu QG"), segundo o qual "...tropas de Agha e Karzai estão concentradas no sul do Afeganistão para lutar contra o Afeganistão (sic) e podem ter sido..."; 2) Faltou a idade do embaixador afegão na ONU, Kandar, em entrevista publicada na pág. A16; 3) Era obrigatória a reprodução de imagem no texto "Foto de Iguaçu aparece em sede da Al Qaeda" (pág. A21). Vi apenas nos concorrentes.
Bravata ou manipulação? O Painel SA traz duas notas sobre a campanha eleitoral interna à Confederação Nacional da Indústria (CNI). Cerca de duas semanas atrás, o jornal publicou reportagem mostrando que a entidade estava à beira de um racha, levado adiante principalmente por industriais paulistas. Estaria pronto até o nome da nova entidade. Onde essa iniciativa foi parar? Terá sido uma espécie de plantação para pressionar adversários? Acho que a Folha deveria explicar aos leitores em que pé ficou, sob pena de deixar no ar a idéia de que poderia ter sido instrumentalizada num jogo político.
Em 19... O segundo parágrafo da Panorâmica "Cochrane e acionistas do Noroeste terão de pagar R$ 1,3 mi para manter ação" (Dinheiro, pág. B4) começa assim: "Em 19, eles acusaram a firma...". O que vem a ser esse "19"?
Contas federais O quadro "Raio-x das federais" (Cotidiano, pág. C1) afirma que, em 2000, 18,6% do total de matrículas em faculdades do país eram nas federais. Os números do quadro mostram, porém, que esse percentual corresponde a dados de 1999.
Edição de domingo, 18 de novembro
Nova guerra 1) O texto "Taleban nega retirada de Candahar" (capa de Mundo) aponta no 11o parágrafo Osama bin Laden como responsável pelos atentados terroristas em solo norte-americano. Como se sabe, ele é acusado de ser o mentor; 2) O texto "Estilo Taleban resiste em cidade liberada" (pág. A16) afirma que "... em três horas de caminhada a Folha viu apenas quatro mulheres, todas devidamente empacotadas". O que é isso? Não me parece o modo mais "jornalístico" de se referir ao uso da burka. Tripudia, a meu ver, com uma tradição que é seguida por muita gente, independentemente do Taleban; 3) Em "Aliança do Norte mantém tradição" (pág. A17), afirma-se que "...isso confirma a suspeita de que as imagens de homens dançando com música alta pode ter sido induzida pelos jornalistas de TVs ocidentais presentes à libertação (de Cabul)". Ora, não é um caso a ser apurado com mais cuidado? Deixar essa suspeita no ar não terá sido um trabalho bem acabado. Acho que o jornal deveria ir atrás, até porque ele próprio informou a seus leitores que houve, sim, cenas festivas como essas na queda de Cabul; 4) A reportagem "Brasileiros ajudam a financiar terrorismo" (pág. A22) traz parágrafo (mal redigido) que faz perigosa e preconceituosa generalização: "A população árabe local (de Foz do Iguaçu) buscou mecanismos desburocratizados para o envio de recursos ao Oriente Médio pela população local"; 5) Faltou a idade do procurador Celso Três em entrevista à pág. A22.
Acabamento 1) A certa altura, o texto "Síndrome do lazer" (capa de Cotidiano) remete para outro texto "nesta página", o qual inexiste (na edição SP), ou melhor, está em outra página (a C3); 2) A ilustração da coluna de Danuza Leão (pág. C2) é um breu só, e ainda sem crédito! É isso mesmo? 3) Faltou a idade do médico francês Cristophe Tzourio em entrevista à pág. C10; 4) Faltou mapa mais amplo mostrando a localização a Ceagesp na cidade de São Paulo no material sobre a central (Dinheiro); 5) Faltou ficha técnica/escalação na apresentação do jogo São Caetano x Grêmio (Esporte, pág. D3).
Excesso Correta, a meu ver, a reportagem sobre a empresa de Pelé e suas falcatruas. Questiono apenas o título interno ("O amigo das criancinhas"). Pareceu-me ironia excessiva, que tripudia em cima da figura do ex-jogador.
Mau sinal É desagradável ler na revista reportagem/serviço sobre como comprar colchões e, em seguida, deparar com vários anúncios de lojas/fábricas de venda do mesmo produto. Seria legítimo o leitor perguntar: quem surgiu primeiro, o anúncio ou a matéria?
Edição de segunda-feira, 19 de novembro
Einstein vivo? Pelo texto "FHC volta a pedir 'globalização solidária'" (Brasil, pág. A5), Albert Einstein vive. O cientista está relacionado (sem referência a seus anos de nascimento e de morte) ao lado de Clinton e de Thatcher como um dos que já receberam título de honoris causa da Universidade Hebraica de Jerusalém.
Nova guerra Faltou foto na retranca "Manifestação contra guerra reune 15 mil" (Mundo, pág. A11), sobre protesto pela paz em Londres, do qual, segundo os organizadores, participaram mais de 100 mil pessoas.
Fiori quem? Novamente o jornal publica (interessante) entrevista com uma pessoa que é conhecida de um público restrito sem apresentá-la devidamente. É o caso da entrevista com o cientista político José Luís Fiori (Brasil, pág. A6). Onde se formou? Que idade tem?
Visão paradisíaca Folhainvest traz como reportagem de capa uma pauta criativa, sobre a exploração de fiéis evangélicos pelo mercado financeiro. A execução, porém, está acrítica. Não há informação, por exemplo, sobre como as igrejas pressionam (ou não) seus integrantes a adquirirem esse ou aquele plano ou cartão de crédito com o qual mantêm parceria. Há estímulo, direto ou indireto? Nenhum fiel reclamou?
Pobre São Caetano Como na edição anterior, também na de hoje Esporte não traz ficha do jogo São Caetano x Grêmio. Um é simplesmente o líder absoluto do torneio. O outro está em 5o lugar. Não mereciam? Qual é o critério?
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