Embora com amplo destaque visual para a "nova guerra", a Folha dá como manchete a crise entre poderes no Brasil: "Greve cria tensão entre governo e Judiciário". De forma menos explícita, o "Globo" realça o mesmo assunto: "Governo desafia STJ e não paga a grevistas". Já o "Estado" ("EUA deslocam mais soldados na caça a Bin Laden") e o "JB" ("Talibã agora teme massacre") mantêm o conflito na Ásia Central como tema prioritário. Jornalisticamente saudável foi a decisão da Folha de publicar na capa, em cinco módulos, bela foto de partículas de um cometa.
Básico O jornal deveria trazer o perfil (formação, carreira política, idade etc) do governador agora diplomado do Piauí, Hugo Napoleão ("Napoleão é o novo governador do Piauí", Brasil, pág. A10). Prestaria também mais serviço ao leitor se expusesse as inclinações políticas do agora ex-senador, em especial no quadro sucessório.
Erro, acaso ou mesquinharia? Na reportagem "Entidades apóiam capital externo na mídia" (Brasil, pág. A11), reportando documento comum das principais entidades associativas da área de comunicação, o jornal só traz declarações do presidente da Aner (associação das revistas). Por que não há declarações do presidente da ANJ (associação dos jornais), entidade diretamente ligada à Folha? Ainda mais pelo fato de ele ser do concorrente local, o correto seria lhe dar voz.
Nova guerra
1) Diferentemente do que afirma o texto "Brasileiro preso não é suspeito, diz advogado" (Mundo, pág. A16), o egípcio El Sayyd Nosair é ex-padastro da mulher do paulistano Khaled Darwich e não ex-genro dele. 2) A Folha perdeu a oportunidade de dar um "plus" no material sobre a morte dos jornalistas, já que seu enviado especial fez praticamente o mesmo trajeto que os atingidos estavam fazendo, entre Jalalabad e Cabul. Teria valido um texto do tipo depoimento pessoal; 3) O "Estado" soube trazer esse diferencial ao reproduzir o último texto enviado do Afeganistão pela jornalista do "Corriere della Sera".
Coordenação e acabamento Faltaram remissões recíprocas entre as reportagens sobre racionamento de energia elétrica em Dinheiro e em Esporte.
Dúvida O quadro "O Brasil no Mundo" (Dinheiro, pág. B2) vem trazendo que a taxa de juros básica anual dos EUA é 2,22%. Todo o noticiário, porém, fala em 2%. Por que a diferença? Ou se trata de erro? Não dá para entender.
Vitória e derrota Parece-me pouco clara a conclusão, até agora, a respeito da negociação entre metalúrgicos e a Volks na Alemanha. Será que houve mesmo vitória do presidente do sindicato? Não houve, na verdade, recuo das duas partes? Valeria a pena o jornal mostrar quais foram os recuos e avanços em relação à situação inicial, anterior à greve e às propostas da empresa de redução de salário e jornada. Tudo isso para não ajudar a formar um mito referente ao que ocorreu na mesa de negociações.
Desperdício O quadro "O mapa da doença em São Paulo" (Agrofolha, pág. B11) poderia ser menor. Há muito espaço em branco, e ele deixa a desejar esteticamente.
Didatismo A Panorâmica "Governo de MS lança programa de R$ 1,7 milhão que envolve ação para negro" (Cotidiano, pág. C5) fala em "populações quilombolas" na atualidade. O que vem a ser isso? Há quilombos de verdade hoje? Faltou esclarecer. (Faltaram também, aliás, remissões recíprocas entre esse texto e o de Dinheiro "Desemprego diminui mais para os negros", na pág. B4.)
Folha e matemática Não fica claro no texto "Matemática trai Nacional" (Esporte, D1) se a Folha também vem errando em relação ao mínimo de pontos necessário para garantir a classificação no campeonato brasileiro. Se vem acertando ou errando, nos dois casos isso deveria ser dito.
Esclarecimento Recebo da diretora de Revistas, Suzana Singer, o seguinte esclarecimento relativo à nota "Mau sinal" da crítica interna de ontem: "Gostaria de esclarecer que esses anúncios [de colchões] saem toda semana na Revista. A matéria alerta inclusive para as dificuldades de decorar um quarto com colchões daquele tamanho. Não houve, portanto, nenhuma venda "casada" com editorial".
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