Par a par, os jornais paulistas saem hoje com a "nova guerra" (Folha: "Taleban diz que perdeu contato com Bin Laden"; "Estado": "Taleban se rende no norte e pressão aumenta no sul") enquanto os do Rio privilegiam um mesmo acontecimento regional (embora de assunto nacional): "Globo": "UFRJ aprova o fim da greve e comando vê sinal de fraqueza", "JB": "Greve divide professores da UFRJ". O garotinho afegão da foto na capa da Folha é realmente digno de destaque.
Greve nas federais A Folha destaca corretamente o embate entre Executivo e Judiciário no caso da greve nas federais (material de hoje na pág. A4, Brasil), mas não tem conseguido mostrar o que ocorre dentro do Executivo no tratamento dado ao impasse da mobilização. O "Estado" traz hoje informação de que o ministro Paulo Renato teria solicitado a FHC que libere a verba para pagamento dos grevistas. Há, com certeza, um imbroglio e um mal-estar dentro do próprio Executivo com a situação a partir do decreto presidencial que transfere ao Planejamento e ao Planalto a responsabilidade por essa liberação. Por que, afinal, o governo, que conseguiu pôr fim ao movimento no INSS, não consegue desfazer o nó? É para desgastar Paulo Renato?
Olívio em SP Detalhe: há, aparentemente, um pastel no último parágrafo do texto "Governo gaúcho muda comando da polícia" (Brasil, pág. A5). Diz ele; "Olívio estará hoje em São Paulo. Dará uma entrevista e pelo menos outras três, para programas de TV com repercussão nacional". São quatro entrevistas, ou o quê? Não dá para entender.
Mito Está sendo criado um mito duvidoso em torno da greve e das negociações entre metalúrgicos e direção da Volks segundo o qual os metalúrgicos, capitaneados pelo presidente de seu sindicato, impuseram uma derrota à empresa. Ora, a proposta inicial da Volks, antes de fazer as 3 mil demissões e, portanto, da greve, era de redução de salários e de jornadas de trabalho. Como o sindicato não aceitou, houve as demissões. Com a greve, a empresa recuou em relação às demissões (parcialmente), mas o acordo enfim aprovado mantém a redução de salário e de jornada ("Trabalhador aprova cortar salário e jornada", Dinheiro, pág. B4). Afora sofrer um desgaste político (este sim, real), o que a empresa perdeu em relação a seu plano inicial? Aparentemente nada. Uma declaração de um professor de direito do trabalho em outra retranca, sobre CLT, na pág. B5 de Dinheiro, deixa claro: "Se nem um sindicato poderoso como o dos metalúrgicos do ABC conseguiu reverter uma situação desfavorável aos trabalhadores, imagine o que vai acontecer com os [sindicatos] mais fracos". Creio que a Folha deveria reconstituir o histórico desse caso, para mostrar o que, afinal, aconteceu, e não entrar na onda de que o sindicalismo do ABC impôs uma derrota histórica à montadora.
Números O texto "CEF volta a financiar casa para classe média" (Dinheiro, pág. B6) afirma que "o valor do financiamento não poderá ultrapassar 60% do valor total do imóvel". Já a arte "Novos financiamentos..." traz que o limite é de R$ 180 mil. Ora, o limite só será esse para imóveis de R$ 300 mil (teto do valor do imóvel). Mas para um imóvel de R$ 200 mil, por exemplo, o limite é R$120 mil (60%), certo? Está mal redigido (induzindo a erro) o texto na arte, que dá a entender que os R$ 180 mil são o limite para todos os imóveis, independentemente de seu valor total.
Caso Soninha 1) O jornal deve a seus leitores explicação do motivo pelo qual decidiu manter a colunista em seus quadros --como fez, formalmente, a ESPN. É uma satisfação que a Folha deve e que o editorial de hoje, genérico, não dá. O jornal (que destaca texto de Soninha na capa de hoje, em sinal ostensivo de sua manutenção) não deveria se fingir de morto ou achar que o leitor entenderá sempre as suas indiretas; 2) Em relação direta com esse caso, leio no "Globo" de hoje que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem projeto que prevê penas mais brandas para viciados; 3) O texto de hoje ("'Caso Soninha' vira debate político", Cotidiano, pág. C4) omite que ela é colunista da Folha e não traz a idade da jornalista.
Ranking da Fifa Pela primeira vez a Argentina ultrapassa o Brasil no ranking oficial da Fifa, conforme registra reportagem na pág. D3 (Esporte). Estava aí uma oportunidade para o jornal mostrar como é composto esse ranking misterioso, polêmico, tão criticado. Quais são os critérios? Ainda há tempo...
Gerações? O texto "Gerações diversificadas agitam circuito das artes" (Ilustrada, pág. Especial 4) apresenta exposições que envolvem 12 artistas, mas não traz as suas idades nem mostra a quais gerações cada um (ou grupo) pertence. O título, assim, fica sem sentido, a não ser, mais uma vez, para os iniciados. De que gerações se está falando?
Sísifo 1) Faltou a idade do consultor José Augusto Torres em "Consultor que apura caso APS foi sócio do lobista", Brasil, pág. A6); 2) Faltou a idade do professor Michal Gartenkraut em "Roseana tem aulas particulares para aprender economia" (Brasil, pág. A11); 3) No mesmo texto, aliás, não se informa a que partido pertence o senador José Sarney (PMDB, certo?); 4) Não se explica o que vem a ser a "guerra fiscal", em "'Interior' rouba investimento do Sudeste" (capa de Dinheiro). Neste caso, acrescento, o verbo roubar também deveria estar entre aspas; 5) Faltou didatismo também na retranca "Copom mantém juros em 19% ao ano" (Dinheiro, pág. B2), que não explica qual é a relação de causa e efeito entre a administração dos juros e a taxa de inflação, cuja alta foi decisiva para a manutenção dos 19%; 6) Faltou o "outro lado" na Panorâmica "Justiça multa Johnson & Johnson por maquiagem em embalagens de fraldas" (Dinheiro, pág. B6); 7) Inexiste contextualização na reportagem "Promotoria pede reinício de investigação" (Cotidiano, pág. C5), sobre o caso do assassinato do prefeito de Campinas. Nem mesmo consta a data do crime; 8) Faltou a idade do escritor Edmund White em "A alma das ruas parisienses" (Ilustrada, pág. E7).
Esclarecimento Recebo de Regionais, via SR, o seguinte esclarecimento sobre a nota "Emergência", da crítica interna de ontem: "Em relação a dúvida sobre os termos pouso forçado e pouso de emergência, o DAC (Departamento de Aviação Civil) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não existe diferença entre pouso de emergência e pouso forçado. Segundo o DAC, o termo técnico usado é pouso de emergência, mas pouso forçado é forma usual".
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