O esperado abrandamento das medidas de racionamento é manchete dos principais jornais, que ficaram no factual. Folha: "Racionamento cai para 7% em SP" na edição SP e "Governo abranda o racionamento" na edição nacional; "Globo": "Meta de racionamento é reduzida para 7% no Rio"; "JB": "Racionamento cai para 7% no Rio"; "Estado": "Corte no consumo de luz cai para 12% no Sudeste" (edição SP). Só o "Globo" deixou de dar na capa foto da curiosa concentração de moças aspirantes a modelo em São Paulo (ver nota).
Primeira Página Caberia uma chamada para a morte de cinco crianças palestinas em explosão mal explicada em campo de refugiados na faixa de Gaza (Mundo, pág. A18).
Placar duvidoso A reportagem "Aécio é fiel da balança entre Tasso e Serra" (Brasil, pág. A6) se baseia em "placar apurado pela Folha" segundo o qual o governador cearense teria maioria (apertada) dos votos dos convencionais do PSDB. Mostram-se números de vários Estados, mas não há nenhuma explicação de como esse levantamento foi feito. Qual é o seu grau de confiabilidade? A fonte é Datafolha? A Folha ouviu um por um dos convencionais? Quem fez esse "mapa de votos"? Não há qualquer sustentação aparente.
Maluf O quadro "Entenda as investigações" (Brasil, pág. A9) afirma que o ex-prefeito "beneficiou-se de lei que determina a redução pela metade de crimes atribuídos a septuagenários". A redação está errada. Não dá para entender. É impossível reduzir um crime pela metade. É redução do quê? Da pena? Do período para prescrição?
Nova guerra O "Globo", que tem, de costume, dado mais importância para questões relativas à mídia no conflito, traz hoje interessante reportagem sobre relatório da organização Repórteres sem Fronteira, cujo texto aponta prejuízos causados pelo governo dos EUA à imprensa.
Racionamento 1) A arte da capa de Dinheiro ("Veja as novas regras...") não informa que as capitais estão entre os chamados municípios turísticos; 2) A nota "Para a platéia", no Painel SA, traz afirmação de um economista de que "a tendência.. é o consumo, agora, cair ainda mais, para algo como 7%". Como assim? Com o verão, a tendência não é justamente o inverso, como mostra a reportagem na pág. B4 no caso do Rio? A verificar; 3) Há formulação indesejável no texto "Governo estuda reajuste entre 3% e 4%" (pág. B4) quando ele afirma que a meta de inflação deste ano "está entre 2% e 6%". Na verdade, a meta fixada foi de 4%, com margem de dois pontos para cima ou para baixo. Não se trata de um erro, mas de uma imprecisão que pode e deve ser evitada.
Incúria? Mais uma vez a Folha publica reportagem sobre o UOL sem informar ao leitor que essa empresa tem a participação do grupo Folha ("Internet: Prejuízo do UOL é de R$ 22,5 mi no 3o trimestre", pág. B4). É por que a notícia pode dar ensejo a interpretações negativas para a imagem do grupo? Tudo bem. Pode ser que o jornal considere que deve omitir essa informação (o que seria um equívoco), que não quer ser transparente, a seu critério. Mas, então, por que não se padroniza alguma fórmula? Por que num dia há a informação e no outro ela desaparece?
Acabamento 1) A reportagem de abre da capa de Cotidiano traz um intertítulo ("Desconto no IPTU") que não encontra eco no texto. Este menciona IPTU, mas não fala em nenhum desconto; 2) O título "CPI revela sociedade de empresários" (Cotidiano, pág. C4) é anódino e não reflete a força da notícia de possível aprofundamento de escândalos na área do lixo em São Paulo. Faltou capricho.
Burocrático Não poderia ter sido mais burocrática a cobertura dada pela Folha à tumultuada reunião de milhares de moças candidatas a modelo ontem em São Paulo (pág. C3). Foi um caso extraordinário, que deveria ter sido explorado, no mínimo, com mais fotos. Caso típico em que uma reportagem poderia "fazer a festa". A Folha perdeu ótima oportunidade de produzir algo diferenciado, saboroso. Ficou no registro seco e frio.
Pena... Pena que o jornal não consiga trazer com mais regularidade reportagens como a do caso Pelé-Unicef, que prossegue hoje (Esporte, pág. D4). Creio que se trata de um material "redondo", exemplar. Registre-se que tal elogio cabe também à reportagem sobre o caso Taniguchi-PFL, de dias atrás. Será que o jornal tem fôlego para manter o nível?
Sísifo 1) Faltou o outro lado do Planalto em "Em ato na Bovespa, Paulinho critica FHC" (Dinheiro, pág. B9); 2) Faltou o perfil (idade, cidade de origem etc) do artista plástico em "Ausência de cor simplifica obras de Carioba" (Ilustrada, pág. E11). Trata-se da primeira mostra individual. Isso quer dizer, obrigatoriamente, que se trata de um jovem? Não sei.
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