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26/11/2001

BERNARDO AJZENBERG

Rescaldos do caso Soninha, conflitos no Afeganistão e sucessão presidencial foram assuntos que monopolizaram o fim de semana nos jornais e nas revistas. Hoje, porém, só o "Estado", dentre os principais diários nacionais, deixou dar dar manchete para o "clone humano", optando, ainda, pela "nova guerra" ("Aliança já tem o domínio total de Kunduz"). Os demais: Folha: "Empresa clona o 1o embrião humano"; "Globo": "Empresa americana cria o primeiro clone humano"; "JB": "EUA clonam embrião humano". Para registrar: enquanto o "Washington Post" destacou o feito em chamada no alto de sua capa, o "New York Times" parece ter avaliado a notícia de forma reticente, dando o assunto sem destaque na capa.

Edição de sábado, 24 de novembro

Anúncio versus editorial
Tanto sobre a edição de sábado quanto sobre a de domingo -em especial para a primeira--, é alto o número de leitores que reclamam da excessiva quantidade de anúncios em relação às páginas editoriais. Houve, de fato, uma mudança visível nas últimas semanas. O caderno Mundo, por exemplo, sábado, estava grotesco nesse aspecto. É óbvio que a publicidade é necessária, mas a paginação, em vez de somar, está claramente prejudicando o produto editorial (ver carta de hoje, segunda, no Painel do Leitor).

Tendência sem debate
Era quente a pergunta para a página A3 de sábado: a favor ou contra a descriminalização do uso da maconha? O primeiro texto, de Fernando Gabeira, trazia argumentos a favor. Já o segundo, do professor Arthur Guerra de Andrade, não abordou a questão principal, ficando na questão médica e nos entornos do caso Soninha. Faltou, portanto, um artigo de fato contrário à descriminalização. Prato cheio para aqueles que consideram a Folha engajada na mesma linha de Gabeira _e eles não são poucos.

Manual, ora o Manual...
1) O texto de "outro lado" à página A4, no caso Taniguchi, usa a expressão "retornar a ligação", claramente rejeitada pelo "Manual";
2) Na página A14, mais uma vez um texto ("Roseana admite disputar a Presidência") deixa de informar o partido do senador José Sarney. O dado é tão mais importante quando se sabe que ele é do PMDB e que a filha dele é do PFL;
3) Faltou a idade do ex-ditador iugoslavo Slobodan Milosevic em "Tribunal indicia Milosevic por genocídio" (Mundo, pág. A27).

Racionamento
1) No abre de Dinheiro ("Embratur prepara nova lista de turísticas"), o presidente do instituto afirma que a lista atual tem 604 municípios. Já a retranca "Cidade turística excluída de lista não terá meta reduzida" (pág. B3) fala em 581, citando a mesma fonte (Embratur). Qual é número certo?
2) No texto "Grande consumidor diz que é visto como 'vilão'" (pág. B3) aparece um velho problema na adaptação de texto da Folha Online no jornal impresso. Afirma-se que "foi anunciada ontem uma redução na meta...". No impresso o correto seria "anteontem";
3) FHC afirma ("FHC apóia meta de 7% para cidades turísticas", pág. B3) que os críticos da medida desconhecem suas motivações técnicas. Creio que ele tem certa razão. Convincentes ou não, até agora foi pouca a exposição, pela imprensa, dos motivos técnicos que levaram o governo a adotar o relativo abrandamento. Vale recuperar, para esclarecimento do leitor.

Ranking da Fifa
Se até mesmo o colunista José Geraldo Couto afirma ("O mundo de ponta-cabeça", Esporte, pág. D4) que não consegue "entender os critérios de classificação", não seria o caso de o jornal desvendar os cálculos que a Fifa usa para definir o ranking das seleções nacionais, no qual o Brasil pela primeira vez aparece atrás da Argentina?

Edição de domingo, 25 de novembro

Sísifo
Faltou a idade de Luciana Gimenez na Panorâmica "Apresentadora tem meningite, mas evolui bem", na pág. A5.

Sucessão presidencial
1) Duas questões que o jornal deveria responder ou explicar no material sobre a pesquisa Datafolha e em geral sobre a sucessão: por que Eduardo Suplicy não aparece em nenhum levantamento, já que é pré-candidato declarado há meses no PT? Por que o ministro Paulo Renato, outro pré-candidato, sumiu das análises?
2) A reportagem "Candidatura é 'inevitável', admite Serra" (Brasil, pág. A17) relativiza indiretamente texto da própria Folha de sexta-feira sobre a tendência dos convencionais do PSDB na definição entre Tasso e Serra. Deveria, no mínimo, fazer menção a ela. Insisto nisso porque, a meu ver, aquela (de sexta) não trazia, como escrevi em crítica interna, sustentação suficiente para as afirmações nela própria contidas. A falta de menção, a meu ver, fragiliza ainda mais, aos olhos do leitor, aquele primeiro texto.

Nova guerra
O texto "Futebol volta a estádio usado em execuções" (Mundo, pág. A23) afirma que na era do Taleban os ladrões tinham a mão direita cortada, enquanto a punição para os furtos eram de até 50 chibatadas. Quem furta não é ladrão? Ficou, creio, uma redação infeliz.

Sísifo
Faltaram as idades das contadoras Ironete Ribeiro e Nize André em "Esquema desenterra dinheiro em bancos" (Dinheiro, pág. B5), sobre operações irregulares que elas realizam.

Pela "nova CLT"
Está sutilmente tendenciosa a reportagem " 'Nova CLT' já existe e vira prática comum" (capa de Dinheiro 2). Dá exemplos (poucos) de "flexibilização", como a mostrar que a vida real já preparou o tapete para a aprovação das mudanças na CLT propostas pelo governo. A retranca "Para economista, 'nova CLT' muda pouco" (pág. B4), a meu ver, inverte prioridades. O título deveria ser para o que está no pé do texto, em que o economista Helio Zylberstajn alerta para o fato de que o sindicalismo no Brasil não está preparado para essas mudanças.

Vice não é só tabela
Afirma o sobretítulo da pág. D6 (Esporte) que "Seleção enfrenta os japoneses hoje, pela Copa dos Campeões, em partida que pode servir apenas para cumprir tabela" (sobre vôlei). Por que "cumprir tabela"? Tratou-se de partida para a conquista do vice-campeonato. O que não é pouca coisa, a não ser na mentalidade televisiva de que só medalha de ouro vale a pena.

Edição de segunda-feira, 26 de novembro

Clone humano
OK para a opção de manchete, mas faltou no texto da chamada de capa o conteúdo de duas retrancas internas que relativizam o feito, não só no seu alcance mas também em termos científicos.

Sucessão
O jornal e suas análises têm dado pouco importância para um fato evidente lembrado hoje em afirmação de Arthur Virgílio (secretário-geral da Presidência) ao pé da reportagem "Pefelistas querem atrair PPB para aliança governista", pág. A5: somando-se os governistas Serra e Roseana, chega-se a um percentual próximo do de Lula nas pesquisas. Embora óbvio, não é um dado irrelevante. Trata-se de percentual semelhante ao daqueles que acham o governo FHC ótimo /bom. Mostra claramente o potencial dos aliados do governo.

Nova guerra
1) Não há informação na reportagem "Paraguai mostra ligação Foz-Hizbollah" (Mundo, pág. A12) sobre o que deve acontecer agora, processualmente, com o comerciante libanês Barakat, que vive no Brasil. Será pedida sua extradição? Vai ser processado por alguém?
2) O "Estado" avança bem mais do que a Folha ao dizer que Cunduz já caiu nas mãos da Aliança do Norte. Difícil dizer qual a informação correta. Vamos aguardar hoje para ter quadro mais preciso.

Acabamento
1) Descoordenação: faltaram remissões recíprocas para os materiais de serviço para consumo no Natal publicados hoje em Cotidiano e na Folhainvest;
2) Pastel: o texto "Sindicalista é morto a tiros em semáforo" (Cotidiano, pág. C8) traz duas vezes a mesma afirmação (4o e 5o parágrafos).

     
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