Ombudsman Folha   Folha Online
 
27/11/2001

BERNARDO AJZENBERG

O "Estado" ("Fuzileiros dos EUA atacam Taleban em seu último reduto") e "o JB" ("Começa a queda de Kandahar") adotam a mesma linha em suas manchetes, a "nova guerra" como tema. A Folha opta pela confirmação formal da crise da economia norte-americana ("EUA vivem 1a recessão em dez anos") enquanto o "Globo" destaca a polêmica dos clones humanos ("Países se mobilizam para impedir clonagem de bebês"). A Folha edita no alto da Primeira Página bela foto de crianças jogando bola em Cabul, mas, sem dúvida, a imagem "quente" do dia é a que o "JB" utiliza em sua capa (e a Folha na pág. A11), de um miliciano do Taleban encurralado por seus adversários em Cunduz.

Como ficou?
A nota "Palanque pesado", do Painel (pág. A4), menciona o deputado Luis Antonio Medeiros (PL) relacionando-o à questão da moralidade. Faz lembrar o caso que semanas atrás criou barulho sobre desvio de verbas, conta do deputado no exterior etc. O noticiário a esse respeito sumiu tão rapidamente como surgiu. Não seria o caso de retomá-lo? O que aconteceu?

Estevão
Não vi na Folha notícia, dada no "Estado", de que a Procuradoria da República requereu nova prisão preventiva de Luiz Estevão por supostas falcatruas na empresa OK e ameaças de morte a uma ex-contadora.

Professores e servidores
Não sei se foi um "pastel" ou alguma confusão, mas o último parágrafo da reportagem "Acordo do INSS chega a impasse" (Brasil, pág. A8) fala da questão dos professores, dentro de um texto que só vinha falando dos servidores do INSS. Não deu para entender.

Nova guerra
Já faz algum tempo, os jornais deixaram de falar sobre a aliança/coalizão internacional antiterror. No momento em que se discute um governo pós-Taleban, em que tropas terrestres dos EUA começam a atuar diretamente, em grande número, na caça a Bin Laden, em que Bush faz ameaças ao Iraque, cabe perguntar: em que pé estão os apoios aos EUA no atual momento, em especial por parte de países árabes? Por que Blair se retraiu? Creio que o jornal precisa voltar à questão da geopolítica, atualizá-la.

Didatismo e precisão
1) A retranca "Companhias aéreas se livram de pagar ICMS" (Dinheiro, pág. B2) não consegue explicar o motivo pelo qual o STF tomou essa decisão. O que quer dizer que "a lei complementar (no 87) dispôs de forma 'insuficiente' sobre a tributação de transporte aéreo e que, por isso, era inconstitucional"?
2) Em seu sexto parágrafo, a reportagem "Três gigantes vivem freada sincronizada" (Dinheiro, pág. B4), sobre a recessão no Japão, EUA e na Europa, não fica claro, dada a sequência do texto, qual país cresceu em média 4,4% ao ano entre 1980 e 1982. Se é Japão ou os EUA.

Racionamento no Rio
O lide de "Rio terá que poupar mais, diz UFRJ" (Dinheiro, pág. B7) afirma que "não houve, no Estado do Rio, um abrandamento da meta de racionamento de energia com as mudanças anunciadas na semana passada...". Parece-me uma formulação equivocada. As metas foram, sim, abrandadas. Os fatos de que no verão se gasta mais e de que a poupança terá de ser maior valiam já para a meta anterior (20%), e obviamente muito mais. Ou seja, se tivesse sido mantida a meta anterior, a situação seria ainda pior do que com a nova meta (7%). Nesse sentido, houve abrandamento, embora o problema do verão (aumento de consumo) seja real.

Prisões
1) Merecia mais do que uma Panorâmica (Cotidiano, pág. C3) a notícia da nova tentativa de fuga de Hosmany Ramos. Além disso, o texto não informa há quanto tempo o ex-cirurgião plástico está preso, em diferentes xadrezes (creio que faz mais de vinte anos). É caso folclórico;
2) O texto "Dividido, STF julga caso Gloria Trevi amanhã" (Cotidiano, pág. C4) não informa onde a cantora está presa, de que ela é acusada, por que e desde quando está detida, qual a sua idade. Parece desleixo.

Sísifo
Faltou a idade do regente John Neschling na contracapa da Ilustrada (pág. E6), "Osesp se lança em turnê pelos EUA com 25 concertos".

Esclarecimento
Recebo do editor de Esportes, Melchiades Filho, via SR, o seguinte esclarecimento sobre a nota "Vice não é só tabela", da crítica interna de
ontem:
"A partida entre Brasil e Japão podia, sim, servir apenas para cumprir tabela _como indicou sobretítulo da reportagem de domingo sobre a Copa dos Campeões de vôlei. Aliás, foi exatamente isso o que ocorreu. Devido aos resultados de outras partidas, a seleção brasileira entrou em quadra, no domingo, com o vice-campeonato assegurado e sem chances de ser campeã. Portanto, ela só cumpriu tabela".

     
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