Só o "Jornal do Brasil" ("Brasileiro viverá 2,6 anos a mais") deixa de trazer hoje em manchete o acirramento do conflito no Oriente Médio. Tendo como segundo destaque a crise econômica argentina, Folha ("Israel se diz em guerra e ataca Arafat"), "Globo" ("Israel usa mísseis contra QG de Arafat e EUA apóiam") e "Estado" ("Israel reage e faz declaração de guerra à Palestina") priorizam o assunto efetivamente mais importante do dia.
Anvisa A reportagem publicada no sábado sobre irregularidades na agência de vigilância sanitária continua a gerar cartas no Painel do Leitor. O diferente, no caso, é que não se trata de cartas opinativas de leitores "comuns", mas sim de personagens envolvidos no assunto e com contestações relativas a dados trazidos na reportagem ou a partir dela. Nesse sentido, é incompreensível o silêncio do jornal. Afinal: estava certa a reportagem? Estava apenas em parte errada? Os leitores têm direito a um esclarecimento.
Edição anti-PT Certamente não foi proposital, mas um balanço de conjunto do jornal aponta para uma edição claramente inclinada para ataques ao partido de Lula. Em Brasil, na pág. A5, "PFL usa TV para atacar PT e contrapor Roseana a Lula"; na pág. A6, "Petistas são 'sectários', diz Alckmin". Se isso se somar à reportagem "Político paga R$ 5,3 mil a líder sem-teto" (Cotidiano, pág. C8), o "engajamento" fica ainda mais nítido. Trata-se de um problema de coordenação da edição como um todo.
Acabamento "Israel disparou mísseis contra alvos da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na faixa de Gaza...". Assim começa o texto "Após atentados, Israel ataca Arafat" (Mundo, pág. A12). Está invertido, não? Edifícios da ANP é que foram alvos de Israel, certo?
O balanço do antraz A redução do número de casos, o texto de hoje na pág. A15 de Mundo ("Antraz é igual ao feito em programa militar") e reportagem do "New York Times" de hoje sobre contaminação de correspondências a partir de umas poucas cartas que traziam a bactéria começam a mostrar que talvez a onda feita pela imprensa global diante do assunto tenha sido claramenre exagerada, senão estimulada pelos EUA para reforçar sua "nova guerra". Não estaria na hora de revisitar o assunto e verificar o que de mais provável terá mesmo acontecido? Mesmo que ainda seja cedo para um balanço definitivo, creio que não se deve esperar que o caso morra para simplesmente sepultá-lo.
Clone Ciência informa na pág. A16 que "Cientista de renome deixa revista que publicou trabalho sobre clonagem". John Geahart teria se sentido "embaraçado" diante da ausência de informações importantes no trabalho divulgado. Diante da importância do assunto e de seu impacto, valeria a pena entrevistar esse consultor, ver o que ele teria a revelar de novo sobre o polêmico trabalho de clonagem humana.
Sem sal Ficaria bem mais interessante a reportagem "Governo distribuirá 47,5 milhões de livros gratuitos para a rede pública" (Cotidiano, pág. C3) se trouxesse alguns exemplos das obras que farão parte dos pacotes a serem distribuídos.
Sísifo 1) Faltaram as idades dos técnicos de futebol mencionados em "Campinas é escola das finais do Brasileiro" (Esporte, pág. D3). É o típico caso em que tal informação ganha interesse, por se tratar do perfil desses profissionais; 2) "O Merval subiu 6,07%", diz a certa altura o texto de abre de Dinheiro. O que é o Merval? Faltou didatismo; 3) Da mesma forma, fala-se em "valor agregado" na retranca "Novembro tem o 1o superávit em oito anos" (Dinheiro, pág. B5) sem que haja esclarecimento sobre esse termo técnico.
Exportações O texto "Exportações para os argentinos desabam 41%" (Dinheiro, pág. B5) afirma que "a maior parte das vendas externas dos produtos brasileiros continua sendo para os EUA". Segundo explica texto da mesma página, o mercado norte-americano é responsável por 26% das exportações brasileiras. Trata-se do maior importador individual, mas ele não consome a maior parte das vendas externas brasileiras, certo?
Inútil O texto "Rio pode ter nova meta de consumo" (Dinheiro, pág. B2), além de possuir esse título anódino (afinal, tudo pode), não traz nenhuma novidade sobre o que prepara o governo nessa área (abrandamento do racionamento de energia).
Falência x concordata Só a Folha continua a dizer que a Enron pediu falência (e não concordata). Parece-me improvável que esteja certa. De todo modo, seria um serviço útil ao leitor mostrar, então, qual seria a diferença entre uma coisa e outra nesse caso, até para deixá-lo seguro de que seu jornal (e não os outros) é que está utilizando o termo adequado.
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