A aprovação de projeto de mudanças na CLT pela Câmara é o tema das manchetes dos principais diários hoje (Folha: "Câmara aprova flexibilização da CLT"; "Estado": "Câmara muda CLT; batalha vai para o Senado"; "JB": "Câmara enterra leis trabalhistas"). Note-se que apenas a da Folha se aproxima, de fato, do ocorrido. Ainda não houve "enterro", pois o assunto tem de passar pelo Senado, razão pela qual tampouco se pode dizer que os deputados tenham "mudado" a legislação. Como é de hábito, o "Globo" ("Nova meta permite maior consumo de luz no verão") destaca notícia que interessa particularmente aos cariocas.
Primeira Página A legenda da foto do alto afirma que são médicos algumas das pessoas que aparecem na imagem a correr. Serão mesmo? É difícil saber. Podem ser para-médicos... Mesmo que a "France Presse" tenha eventualmente trazido tal informação, é temeroso bancá-la.
Vale tudo? À cata de informações que deponham contra a imagem dos pré-candidatos, será que tudo vale? A reportagem "Roseana contrata serviços da FGV sem fazer licitação" (Brasil, pág. A4) pode ser curiosa, mas o tom de denúncia que embute não parece condizer com a realidade, ou, pelo menos, não se sustenta. A tese do "outro lado", segundo a qual o tal contrato dispensaria licitação, é convincente. Nesse sentido, esvazia o impacto da revelação, a não ser que o jornal conseguisse demonstrar, nesta mesma edição, que, no caso, a licitação teria sido inequivocamente obrigatória _o que não ocorre. A governadora divulgou dados falsos? A FGV manipulou informações para favorecê-la? Pelo que se depreende, não. Então, qual é o problema?
Parcialidade no TJ O texto "TJ paulista realiza hoje eleição polarizada" (Brasil, pág. A6) vai bem até o meio de seu sétimo parágrafo. Nos trechos posteriores, embarca, ainda que indiretamente, numa inclinação contrária à candidatura de Álvaro Lazzarini, chegando a incluir uma declaração anônima de um desembargador contra ele. Faltou equilíbrio.
Nova guerra 1) O abre "Israel ataca a 500 metros de Arafat" (Mundo, pág. A8) parece conter um erro logo no título. Segundo todos os outros jornais, inclusive o "New York Times", o bombardeio atingiu alvos que ficam a menos de 100 metros de onde o líder palestino estaria no momento. É uma diferença grande que, se confirmada, merecia correção no jornal; 2) Os últimos acontecimentos indicam uma mudança de rumos na "nova guerra". O sinal verde dos EUA para a retaliação comandada por Sharon não é qualquer coisa, assim como a antecipação do congelamento de bens de instituições ligadas ao Hamas. Falta uma análise, no jornal, que dê conta deste novo momento, que ameaça a coalizão internacional antiterror. O "Estado", a esse propósito, publica interessante texto do "Times" britânico sobre a relação Sharon-Bush. O premiê israelense teria feito ao colega norte-americano uma conta simples mas contundente: em relação ao total da população, os 25 mortos pelos atentados do fim de semana equivalem a 2 mil norte-americanos.
Melhor complicar A reportagem "Sindicatos aderem à greve contra Chávez" (Mundo, pág. A11) noticia a adesão da CTV (Confederação dos Trabalhadores da Venezuela) ao protesto preparado pelos empresários para a próxima segunda. O que essa central é em termos políticos? Qual é o seu grau de representatividade num movimento sindical sabidamente dividido? Quem, por outro lado, apóia o presidente no meio sindical? Nesse caso tão particular na atual conjuntura latino-americana, vale a pena não simplificar as coisas. Detalhe: paralisação de empresários não é greve, como diz o título, mas locaute, certo?
Petrobras Diferentemente do que afirma o texto "Gros deve substituir Reichstul na Petrobras" (Dinheiro, pág. B3), o afundamento da plataforma P-36 ocorreu em março deste ano (2001), não em março do ano passado.
Didatismo Até o momento, o jornal tem mencionado o índice Embi +, do JP Morgan, como sendo a mesma coisa que o risco-país. Hoje, porém, aparece no noticiário ("Banco diz que US$ 1 bi fugirá da Argentina", Dinheiro, pág. B4) a informação de que o banco diminuiu o peso da Argentina no Embi + em relação ao peso de outros países. Sinaliza, portanto, que se trata de algum outro indicador. Não deu para entender.
Acabamento 1) A retranca "Funcionários protestam por atraso de salário" (Dinheiro, pág. B5) traz entre aspas uma citação de um presidente de entidade sem dizer de qual entidade se trata; 2) Faltou remissão para a coluna de Gilberto Dimenstein na reportagem "Petrobras faz acordo para limpar o Pinheiros" (Cotidiano, pág. C6).
Murphy Ao mesmo tempo em que o jornal publica um Erramos dizendo que o caso da Enron é de concordata (não de falência) e uma retranca sob o título "Empresa entrou com um pedido de concordata" (Dinheiro, pág. B7), o texto de abre sobre o assunto (mesma página) começa com "A falência da Enron levou Washington a discutir...". Pura desatenção?
Sísifo 1) Faltou a idade do governador Tasso Jereissati no texto "Vitória de Lula não afasta o capital, diz Tasso nos EUA" (Brasil, pág. A6), que aborda, ao pé, a questão da saúde do pré-candidato tucano; 2) Faltou o outro lado dos dirigentes relacionados por irregularidades no relatório da CPI do Futebol no material encabeçado por "CPI pede ação contra acordo CBF-AmBev" (Esporte, pág. D5). Ao pé da retranca "Relatório final faz devassa..." há um "outro lado" burocrático, mínimo, que não condiz, nem de longe, com o que o assunto exigia: "A CBF não se pronunciou sobre o relatório. Anteontem, no Rio, advogados da entidade rebateram parte das acusações". Ora, o recurso ao "outro lado" não deve ser encarado como uma mera obrigação. É para que o leitor seja informado dos argumentos da parte acusada. Se não obtém novos elementos, o mínimo que o jornal deve fazer é trazer um resumo do que ela já utilizou em sua defesa.
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