"Estado" ("Câmara aprova a emenda que reduz imunidade") e "JB" ("Câmara acaba com a imunidade") abrem com votação dos deputados que, de modo equivocado, nenhuma menção recebeu nas capas da Folha ou do "Globo". A Folha ("EUA erram ataque e matam 3 americanos") é a única a abrir com o pequeno tropeço militar norte-americano. O "Globo" dá como manchete "FH recua e admite corrigir IR sem criar nova alíquota". Inexplicável o destaque dado na capa da Folha à imagem das "noivas" (ver nota).
Jornalismo ou propaganda? A armação publicitária e de marketing do rapel para divulgação do Salão das Noivas, um evento comercial, não deveria ter tamanha acolhida no maior jornal do país. Por que o jornal se deixa levar e faz exatamente o que os promotores gostariam, senão mais? Um texto-legenda interno estaria à altura da curiosidade do acontecimento. Quanto à divulgação da feira (não falo de uma eventual cobertura interna sobre seus negócios e produtos, esta, sim, válida), pergunto: para que servem os espaços publicitários do jornal?
Enigma Falta contextualização na reportagem "FGV critica uso político de pesquisas" (Brasil, pág. A4). Não há nenhuma referência à reportagem publicada ontem, da qual esta é suíte. O assunto fica, assim, para os iniciados. Da mesma forma, a reportagem nada fala sobre a questão da licitação que supostamente seria obrigatória para que a FGV ou o instituto a ela vinculado fizessem estudos para o governo do Maranhão. O que diz a Fundação a respeito disso?
Casos de polícia Não vi na Folha as notícias de que o ex-senador Jader Barbalho foi indiciado ontem pela PF no caso dos desvios da Sudam, tampouco a informação de que o Ministério Público já articula com o FBI cooperação para investigação de contas do ex-prefeito Paulo Maluf no exterior. Dois casos caros ao jornal.
Confusão O noticiário sobre a crise argentina (Dinheiro, pág. B4) procura explicar as mudanças de critério feitas pelo JP Morgan no cálculo do já célebre risco-país. No gráfico, porém, mostra-se uma curva que unifica os dois critérios (o anterior e o novo). Faz mesmo sentido? Não é comparar coisas diferentes? Se o gráfico está certo, faltou, então, didatismo na retranca "Cálculo do risco-país muda e traz confusão", pois dela se depreende, salvo melhor leitura, o contrário, como se uma "nova etapa" devesse ser aberta nessa curva histórica.
Novo presidente da AOL Não vi na Folha a notícia da designação do novo presidente da AOL Time Warner, Richard Parsons. O assunto, pelas dimensões da empresa e, secundariamente, pelo fato de o executivo ser negro, merecia destaque. Ocupou toda a parte superior esquerda da capa do "New York Times". No campo doméstico, o "JB" chamou na capa. O "Valor" deu reportagem sobre o assunto, assim como o "Estado" (nas páginas do "WSJ"). É improvável que a omissão da Folha tenha tal origem, mas não seria absurdo, para um leitor, pensar que ela nada deu sobre o acontecimento por causa do UOL. Se for isso mesmo, estamos mal.
Campanha Poucas vezes vi na Folha um material tão tendencioso, de campanha, quanto o publicado hoje na pág. D5 de Esporte sob o título "CPI converte últimos aliados de Teixeira". Não há uma única linha de "outro lado". Pessoalmente, não tenho a menor simpatia por nenhum dos dirigentes do futebol ali mencionados, mas, jornalisticamente, senti um soco no estômago. Eles são tratados como cachorros mortos. A Folha tem inúmeros méritos na investigação de toda essa limpeza no futebol, mas isso não lhe confere a liberdade de pisar sobre os seus próprios princípios de jornalismo, a começar pelo do respeito que deve ser dado, sempre, à versão dos acusados. Tudo isso sem mencionar as notas do Painel FC sobre o assunto. O esboço de "outro lado" do Eurico Miranda contido numa delas é uma gotícula burocrática no oceano.
Sísifo 1) Faltou a idade do protagonista da notícia no texto "Filho do vice de Tasso está em lista de salários denunciada pelo governador" (Brasil, pág. A6); 2) Faltou a idade do ex-rei afegão em "Novo governo afegão toma posse dia 22" (Mundo, pág. A17). A informação era importante num texto que fala justamente sobre o fato de que os novos dirigentes são bem mais jovens, na "faixa dos 40 anos"; 3) Faltou a idade de Francisco Gros, novo titular da Petrobras, em "FHC convocou Gros a assumir a Petrobras" (Dinheiro, pág. B8).
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.