Ombudsman Folha   Folha Online
 
13/12/2001

BERNARDO AJZENBERG

Dança de manchetes na Folha e no "Estado". Nos primeiros clichês, a Folha saiu com a aprovação pela Câmara de mudança no IR ("Câmara corrige tabela do IR em 17,5%") e a ruptura de Israel com Arafat em submanchete. Na edição final, inverteu as ênfases e manchetou com o Oriente Médio ("Israel rompe com Arafat após ataque"). O concorrente local fez o caminho inverso ("Israel sofre novo atentado, revida e AP pune radicais" e "Câmara aprova ajuste de 17,5% na tabela do IR"). Neste caso, creio que a Folha acertou na decisão final (ver nota). "JB" ("Aprovada a correção do IR") e "Globo" ("Acordo entre partidos na Câmara corrige IR") deram manchete para o imposto.

CPMF e ISS
De forma diluída, no meio da retranca "Prorrogação de CPMF é aprovada por comissão" (Brasil, pág. A5), afirma-se que "haverá uma alíquota mínima de 2% para o Imposto Sobre Serviços, cobrado pelos municípios". Primeiro, esse imposto não tem nada a ver com a CPMF, o que já lhe valeria uma consideração à parte. Segundo, parece-me que essa alteração no ISS é bem mais importante do que se dá a entender. Afeta diretamente não sei quantos milhares de pequenas empresas. Acho que é o caso de retomar o assunto.

Brigas no PT
1) Não vi na Folha a resposta, via nota oficial, de Marta Suplicy às críticas dirigidas a ela pelo ex-marido em entrevista na própria Folha. Seus argumentos estão hoje no "Diário de S.Paulo";
2) O texto "Cúpula do PT reage a Suplicy para isolá-lo" (Brasil, pág. A14) e a legenda da foto tratam José Genoino como pré-candidato petista ao governo. Já a retranca "Partido teme que prévia monopolize encontro de Olinda" (mesma página) o trata como candidato. Um dos dois está equivocado. É preciso uniformizar, por razões políticas e/ou de padronização.

Sem clareza
1) "PSDB põe Aécio na lista para 2002" (Brasil, pág. A6) menciona no penúltimo parágrafo a provação do "fast track" pelo Congresso norte-americano sem dar qualquer explicação sobre o que isso significa e sobre por que isso tem a ver com a decisão do presidente da Câmara de não levar mais aos seus colegas dos EUA a posição do Legislativo brasileiro;
2) A retranca "Associação defende processo contra governo" (Cotidiano, pág. C4), espécie de "outro lado" da reportagem sobre a suspensão de cursos pelo MEC por causa de baixo desempenho no provão, afirma, a certa altura, que um dos argumentos das escolas é que, ao usar as notas do provão como critério, o governo estaria desconsiderando a definição dos "critérios de cancelamento automático do reconhecimento" aprovados depois do provão. O que é isso? Quais são esses critérios? Não dá para entender.

Pastel
"A CCJ do Senado aprovou ontem a proposta de emenda constitucional que acaba com a imunidade parlamentar para os casos de prática de crime comum foi aprovada". Eis um belo pastel no texto "Comissão aprova projeto que proíbe renúncia para fugir de cassação" (Brasil, pág. A15).

Nova guerra
1) Creio que está na hora de o jornal rever a permanência do chapéu "Guerra sem limites" nas capas de Mundo e passar a analisar sua pertinência caso a caso. Hoje, por exemplo, ele não faz sentido. O conflito israelo-palestino, a esta altura, já se "descolou" da "nova guerra". Desenvolve-se de modo "independente", diferentemente do que vinha acontecendo até semanas atrás;
2) A arte "A resistência da Al Qaeda em Tora Bora" (Mundo, pág. A26) registra que o Monte Barkirdarsar (Afeganistão) tem 14.510 m. É isso mesmo? Parece-me excessivo. A verificar;
3) Aparentemente os outros jornais não tiveram a informação da "ruptura" de Israel com Arafat. Só a Folha deu o destaque e a informação, que estão no "New York Times" em manchete. Confirmando-se a decisão, terá sido uma bela "bola dentro".

Números
De acordo com a Advocacia Geral da União, há 200 ações judiciais hoje contestando a nova alíquota determinada para as empresas para financiar reposição de perdas do FGTS (texto "Arrecadação para pagar as perdas do FGTS fica abaixo da expectativa", Dinheiro, pág. B4). Já a arte respectiva menciona que "pelo menos 2.000 empresas entraram com mandados de segurança questionando as novas alíquotas". Aparentemente há desencontro de dados. A verificar.

Foto estranha
A foto que acompanha a reportagem "Transbrasil não diz como vai cortar gastos; BR deve negar combustível" (Dinheiro, pág. B5) mostra um caminhão da BR ao lado de um avião da Transbrasil em Congonhas. Ora, se está suspenso o abastecimento para a companhia aérea, o que fazem esses dois veículos lado a lado? Ou será uma foto "antiga"? A cabeça do leitor fica confusa.

Nomes
Texto na pág. 8 da "FolhaEquilíbrio" registra como sendo Lina Purvisis o nome de uma professora da PUC ouvida na reportagem. Já retranca na pág. 11 a trata como Alina Purvinis. Um dos dois nomes está errado, certo?

Lacuna
Panorâmica na pág. E5 (Ilustrada) informa que serão lançados os livros ganhadores de prêmio da revista de literatura "Cult". Nada traz, a nota, porém, sobre quando e onde isso ocorrerá. Assim, a nota perde a maior parte de seu sentido _ ainda sabendo-se que o evento acontece hoje mesmo.

     
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