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14/12/2001

BERNARDO AJZENBERG

A fita em que os EUA afirmam aparecer Bin Laden é a manchete de três dos principais diários: Folha ("Bin Laden assume atentado em vídeo"), "Globo" ("A confissão de Bin Laden") e "JB" ("Vídeo expõe alegria de Bin Laden"). O "Estado" optou por outro assunto ("Energia deve subir 4%, diz Pedro Parente"), reservando ao terrorista saudita uma "caixa" no alto da capa. A crise argentina e o conflito no Oriente Médio foram os outros destaques em todos os jornais.

Teses do PT
Há dois equívocos, aparentemente, no texto "Partido prega intervencionismo" (Brasil, pág. A4):
1) Citando documento do PT, afirma-se (segundo parágrafo): "As políticas de ajuste adotadas em razão dos acordos com o FMI, em vez de eliminar a propensão ao desenvolvimento, levaram a priorizar o pagamento dos encargos financeiros da dívida pública...". Não há coerência nessa formulação. Pelalógica, o verbo "eliminar" não faz sentido. O mais adequado seria algo como incentivar, estimular etc. Não sei se o original está assim ou se houve equívoco na reprodução;
2) No último parágrafo se diz que, segundo o documento, o crescimento do país no governo FHC (2,3% ao ano) só foi MENOR do que o ocorrido nos governos Venceslau Brás, Washington Luís e Collor. Pela lógica, o correto seria MAIOR.

PIB per capita
Sobre a reportagem "Maranhão tem menor PIB per capita do país" (Brasil,pág. A6):
1) Não informa a que ano esse indicador se refere. É uma média entre 1985 e 1999?
2) Outra imprecisão: o que dobrou no caso do PIB paulista foi a participação percentual, nele, dos serviços prestados pelo governo, não esses mesmos serviços (em termos absolutos), como está escrito logo após ointertítulo "São Paulo";
3) Para dar consistência à afirmação indireta de que Roseana Sarney tem responsabilidade por essa situação (como faz o lide), seria preciso mostrar qual foi a evolução do PIB durante o seu governo, ou seja, a partir de1995. Tal informação está ausente;
4) Na sub "Centro-Oeste teve ampliada a participação", há um pastel no último parágrafo ("Mesmo com a concentração se diluindo, o economista alerta que parte do que é produzido em outras áreas a São Paulo (sic).").
Não dá para entender.

Intensão ou intenção
Não é prioridade do ombudsman apontar erros de grafia ou de português, mas chama a atenção o uso da palavra "intensão", com "s", em vez de "intenção",com "ç", no texto "Prêmio por mulá Omar é de US$ 10 milhões" (Mundo, pág.A15). As duas fórmulas existem, mas, neste caso, creio que a mais adequadaé com "ç".

Greve política
Mostra o texto de capa de Dinheiro que a greve na Argentina ontem foi convocada pelas três principais centrais sindicais do país. Seria importante, para esclarecimento do leitor, informar a tendência políticadas direções dessas centrais. São justicialistas (ligadas, portanto, a Menem)?

Marinha x Petrobras
Nota no Painel SA (Dinheiro, pág. B2) afirma: "A Marinha, que há poucos dias divulgou relatório demolidor contra a Petrobras, concedeu ontem a medalha do mérito Tamandaré a Henri Philippe Reischtul". Tudo bem. É curioso. Mas teria sido mais apropriado dizer que o tal relatório se refere especificamente ao acidente com a plataforma P-36, enquanto a tal condecoração diz respeito, digamos, ao "conjunto da obra" da gestão desse funcionário à frente da empresa. Isso reduz o grau de contradição sutil eironicamente apontado na nota.

Novo IR
O último parágrafo de "FHC estuda desconto-padrão maior no IR" (Dinheiro, pág. B4) afirma que, segundo o líder do governo na Câmara, só no próximoano o presidente da República decidirá o que fazer com a correção do IR (seveta ou não veta etc.). Ora, isso significa que nada valerá para 2002, certo? Se é assim, tal informação não deveria estar destacada no lide ou bem próximo dele, ou ainda em sobrelinha?

Descrédito
Em nenhum momento, seja em textos seja em artes, se dá ao leitor de Cotidiano a referência de que os vídeos mencionados no material sobre os policiais corruptos da cracolândia foram mostrados pela Rede Globo. Contraria-se, assim, recomendação do Manual a esse respeito.

Clareza
No abre da pág. C5 a reportagem "Projeto que diferencia uso e tráfico é aprovado na Câmara" informa que não haverá mais "tratamento criminológico" para usuários de drogas. Em outro texto na mesma página se noticia o lançamento de um abaixo-assinado propondo lei de iniciativa popular pela descriminalização do uso pessoal da maconha. As diferenças são sutis. O jornal deveria deixar claro ao leitor qual é a relação entre uma coisa e a outra e por que o projeto aprovado não resolve a questão levantada peloabaixo-assinado.

Contestação
Recebo da editoria de Esporte, assinada por Rodrigo Bueno, via SR, a seguinte contestação à nota "300 mensagens", da crítica interna de anteontem:

"O título e o lide da matéria 'É a menor final do Brasil' são justificáveis se for levado em conta o público estimado para a decisão do Brasileiro. Como afirma a reportagem, as finais deste ano serão disputadas em estádioscom capacidade para 30 mil pessoas. A Arena da Baixada, do Atlético-PR,comporta 30 mil pessoas. O estádio Anacleto Campanella, do São Caetano,também abriga 30 mil pessoas, segundo alguns laudos, embora, por segurança, seja aberto para menos de 25 mil torcedores. Assim, no máximo 60 mil pessoas vão acompanhar os jogos finais do Brasileiro nesta temporada. A matéria lembra decisões em estádios acanhados, como as 1978, 86 e 91, mas ressalta, em seu sexto parágrafo, que nesses anos houve um primeiro jogo em um Morumbi lotado (quando então a capacidade do Morumbi superava 100 mil lugares). Assim, tais finais, disputadas em dois jogos, tiveram público superior ao que será registrado na decisão deste ano. O ombudsman destacou os públicos pequenos dos últimos jogos de 1978 e de 1991, mas ignorou as primeiras partidas desses anos, condenando assim erroneamente o título e o lide da reportagem.

Sobre as médias de público de Atlético-PR e São Caetano neste ano, informação cobrada na crítica do ombudsman, isso não se faz necessário, uma vez que a matéria trata apenas de finais do campeonato. O número de pessoas que os times levaram a campo durante a fase de classificação do torneio não tem relação com o número de pessoas que estará na final _é comum nessa fase do torneio os estádios estarem lotados, e a matéria toma como base a lotação esperada.

Quanto a "algumas generalizações", termo usado pelo ombudsman, especialmente sobre a qualidade do futebol das equipes finalistas, a reportagem destaca fatos praticados pelos dois times que são passíveis de crítica. Não é opinião o fato de Kaká e Adriano, jogadores do São Paulo, terem voltado de muletas de Curitiba após o jogo contra o Atlético-PR. Também não é opinião que o São Caetano faz uso constante de "chuveirinhos", jogada associada a times pouco criativos _o Datafolha mostra que o clube do ABC é o segundo que mais utiliza esse expediente no Brasileiro."

Pretendo abordar o assunto na coluna dominical.

     
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