A Folha ("447 mil famílias não recebem dinheiro de ação contra fome") e o "JB" ("Mandante fala ao JB sobre Josimo") dão como manchete hoje material diferenciado, próprio. "Estado" ("Al-Qaeda acabou, dizem afegãos. E Bin Laden sumiu") e "Globo" ("EUA controlam Tora Bora mas não acham Bin Laden") optam pela sequência da "nova guerra". Todos, corretamente, dão foto de capa para o primeiro jogo da final do Brasileirão.
Edição de sábado, 15 de dezembro
Getúlio Vargas 1) Legenda de foto na página E7 (Ilustrada) mostra Getúlio Vargas e o editor José Olympio "em 56". Erro grosseiro, já que Vargas se matou em 1954, certo? 2) O texto "Presidente e PTB trocam 'gentilezas'" (Brasil, pág. A6) menciona o governo Vargas sem datá-lo e como se este ainda estivesse vivo.
Nova guerra Tive a impressão de que os textos sobre o assunto, nessa edição, estão prolixos, longos demais, deixando, o jornal, de dar outros assuntos.
Didatismo 1) Afirma o abre de Dinheiro ("Na última hora, Argentina paga dívida") que a queima de reservas internacionais pelo governo do país vizinho pode "comprometer a segurança do regime de conversibilidade". Por quê? Não há explicações. O texto, assim, entendem-no apenas os iniciados; 2) Em 10,7% dos cursos de SP tiveram A no provão" (Cotidiano, pág. C7), fica uma dúvida para o leitor comum: cursos que são A são aqueles em que foi maior o número de estudantes que tiraram A? Ou há um critério que produz as médias dos conceitos? Faltou esclarecer.
Caso Josimo Tudo bem que o "JB" esteja fazendo um barulho acima do merecido, em tese, no caso do assassinato do padre Josimo e da prisão de suposto responsável. Mas a Folha deveria, ao menos, registrar o assunto. Outra questão, no caso, merece reflexão: o jornal do Rio agiu em colaboração estreita com a polícia, inclusive informando a esta o paradeiro do suposto assassino antes de publicação. Terá sido um procedimento adequado? Na minha opinião, não.
Glória Trevi Segundo o "Globo", novo relatório da PF deverá registrar que um de seus delegados é o principal suspeito de ter engravidado a cantora mexicana na cadeia. Vale recuperar.
Edição de domingo, 16 de dezembro
E daí? Tanto a chamada quanto o material interno ("'Trust' de Jersey pode operar no Brasil") parecem sem sentido, ou com sua razão de publicação camuflada. E daí, que essa instituição pode operar no Brasil desde 1997? Que implicação isso tem no caso Jersey (dinheiro de Maluf supostamente no exterior)? Não há quaisquer explicações.
Painel do Leitor A última carta reproduz uma das queixas mais frequentes dos leitores, a de que o espaço para eles é pequeno, na seção, em relação ao dado a personalidades, políticos etc. Pergunto: por que o jornal, em vez de apenas publicar essa reclamação/cobrança, não dá uma resposta (uma NR, que seja)? Dá a impressão, assim, de que ou despreza o problema ou de que o jornal não tem explicação/justificativa para a situação real descrita pelo leitor.
Sísifo Faltou perfil (idade, formação etc) do vereador em "José Eduardo Cardozo é reeleito presidente da Câmara paulistana" (Brasil, pág. A6).
Fonte oculta? A reportagem "Medo e frustração esvaziam Jerusalém" (Mundo, pág. A25) reproduz citações de médicos de hospital israelense literalmente traduzidas/copiadas de texto sobre o assunto publicado na sexta-feira pelo jornal "Haaretz" (dá para ler esse texto no site do periódico israelense). É estranho. Da maneira como está , entende-se que as declarações foram feitas à Folha. Faltou, no mínimo, o crédito. Não seria o caso de um ERRAMOS?
Skoda Fabia Um leitor questiona a reportagem "Polo entra em fase final de estes no país" (Veículos, pág. 14). Segundo ele, o veículo analisado e mostrado não é um Polo "disfarçado", como sugere o texto, mas o modelo Skoda Fabia, fabricado pela Volks. A verificar.
Surpresa Tamanho o impacto da "Casa dos Artistas" que acabou pegando a própria Folha de calças curtas. O texto "'No Limite' termina com propaganda" (TV Folha, pág. 9) dá de barato que seria neste domingo a final do programa da Globo. Ocorre que esta mudou (como a Folha afirmou no sábado e confirmou hoje, segunda), e jogou a conclusão para o próximo fim de semana por causa da concorrência. Claro que o jornal não tem bola de cristal, mas o fato deve servir de lição para casos em que a concorrência seja tão forte que possa dar margem a mudanças de última hora, ainda mais em cadernos impressos com antecedência.
Edição de segunda-feira, 17 de dezembro
Razões ocultas Não dá para entender, em "Truque rende verba extra a bases eleitorais", Brasil, pág. A5, o motivo pelo qual transformar propostas individuais de deputados em superemendas de bancadas ou comissões implica estar burlando as regras do Orçamento, como afirma o texto. São proibidas as superemendas? Qual é exatamente a regra que estaria sendo desrespeitada?
Programa petista O material de hoje sobre o encontro do PT estaria mais interessante se incluísse um quadro resumindo as principais propostas programáticas aprovadas pelo partido cujo pré-candidato está à frente nas pesquisas eleitorais.
Didatismo 1) As consequências de uma dolarização estão colocadas em "Orçamento argentino deve encolher 15%" (Dinheiro, pág. A8), mas não há explicação sobre o que é e como seria feita a dolarização na Argentina. Fica obscuro. A moeda local sairia de circulação? Acabaria a conversibilidade? Como se faz a dolarização? 2) Faltou mapa em "Expedição estuda o refúgio de Shackleton" (Ciência, pág. A12).
Descoordenação Faltaram remissões recíprocas sobre Tolkien, "Senhor dos Anéis" e Nova Zelândia nos cadernos Turismo e Folhateen. Este, aliás, não informa quem é o escritor. O caderno Turismo traz ano e local de nascimento, mas não indica quando ele morreu.
Sobre a final Pretendia abordar no jornal ontem a questão suscitada pela nota "300 mensagens" e a réplica de Esporte publicada aqui na sexta-feira. Não o fiz, por vários motivos que não vêm ao caso. Retomo o assunto, porém, nesta crítica, que é, na verdade, o "local" adequado para comentar contestações a ela própria. Sobre a réplica, então, reconheço que quanto aos números (capacidade de público nos estádios), a reportagem "É a menor final do Brasil" estava certa. Sobre o aspecto qualitativo do futebol do Atlético-PR e do São Caetano, porém, continuo a acreditar que havia, ali, uma avaliação mais subjetiva do que objetiva e que, portanto, caberia em comentário ou análise, não num texto como aquele, que se pretendia, em tese, informativo. Tanto é questão de opinião que José Geraldo Couto pôde abrir sua coluna hoje dizendo: "Final modesta? Decisão inexpressiva? Só poderá insistir nessas bobagens que não viu o jogo de ontem. "Foi uma partida espetacular, equilibrada, repleta de reviravoltas e, acima de tudo, bem jogada. Um futebol digno de uma grande decisão de campeonato".
Registro, ainda, que o estímulo a que se mandassem reclamações ao jornal veio do site da torcida organizada do Atlético, não do site do clube, como escrevi aqui.
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