Ombudsman Folha   Folha Online
 
18/12/2001

BERNARDO AJZENBERG

A aprovação da correção da tabela do IR pelo Senado é manchete no "Globo" ("Senado derrota governo e aprova correção no IR") e no "Estado" ("Senado surpreende governo e aprova correção do IR"), com pouca diferença de palavras. Na edição nacional, a Folha sai com "Reajuste da conta de luz residencial é de 2,9%", privilegiando assunto local na SP ("Projeto que cria o IPTU progressivo é aprovado"). "Barreiras contra a ignorância", é a manchete do "JB", sobre a obrigatoriedade de redação, como prova eliminatória, nos vestibulares. Uma evidência: o dia está bem fraco em termos de noticiário.

Tasso e FHC
Afirma o texto "Tasso lançou FHC e foi lançado por Covas" (Brasil, pág. A4) que o atual governador cearense, então presidente do PSDB, articulava a primeira candidatura presidencial de FHC "desde o final de 1983". É 1993, certo?

Maridão
Qual é o cargo de Jorge Murad no governo de sua mulher, Roseana Sarney, governadora do Maranhão? A Panorâmica "Acusado de fraude em projeto é solto" (Brasil, pág. A8) o trata apenas como "supersecretário no Estado". Esse qualificativo crítico pode ser usado, claro, desde que, em algum momento do texto, se informe qual é, de fato, o seu posto formal/oficial.

Jornalistas
Não vi na Folha duas informações importantes que mereciam registro:
1) Segundo um relatório da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), pode chegar a 100 o número de profissionais da mídia mortos ao longo deste ano. A informação, da "Associated Press", saiu no "Estado";
2) A jornalista Maura Fraga, do Espírito Santo, foi condenada a dois anos de prisão domiciliar por causa de notas publicadas em coluna do jornal "A Gazeta". Li no "Globo".

Mortes na Intifada
Na contabilidade de mortos da nova Intifada, a Folha voltou, nos últimos dias, a separar "israelenses" de "árabes israelenses". Tal diferenciação, a meu ver, está equivocada e havia sido modificada meses atrás. No conflito, o que há são israelenses (árabes ou judeus) e palestinos. Por que o retorno?

Esquizofrenia
Depois de dar ampla (e merecida) cobertura às mobilizações contra o presidente Chávez, na Venezuela, a Folha não traz, hoje, uma linha sequer sobre as manifestações de apoio ao governo realizadas ontem em Caracas. Mesmo que esse ato tenha tido como origem convocação oficial, objetivamente, ao não dar nenhum registro, a Folha comete parcialidade na cobertura do conflito político em curso naquele país.

Como fica?
Não está claro, no jornal, como fica a situação do IPTU na capital paulista. A aprovação de ontem (registrada na capa de Cotidiano), aparentemente, não resolve a questão (independentemente do fato de ser a primeira e de que haverá uma outra), pois o IPTU progressivo aprovado pelos vereadores ainda poderia ser contestado na Justiça, a não ser que seja aprovada também a mudança respectiva da Lei Orgânica do Município. É isso mesmo? Creio que jornal deveria explicar melhor em que pé estamos a esse respeito.

Os vestibulares
A Folha dá hoje o devido destaque ao curioso caso do semi-analfabeto que passou em dois vestibulares no Rio. Fica, porém, uma dúvida: do ponto de vista estritamente legal, ele pode fazer a matrícula e, portanto, o curso? Detalhe: faltaram, no texto "Semi-analfabeto é aprovado em outro vestibular" pág. C6), as idades do padeiro Severino da Silva e da empregada doméstica Gracilene Amaro da Silva, analfabeta, também aprovada.

Viva Figo
Faltou perfil (idade, carreira, clubes pelos quais já passou etc) do ganhador do troféu da Fifa de melhor jogador do mundo em 2001 ("Figo é oficialmente, enfim, o melhor jogador do mundo", Esporte, pág. D3). O mesmo vale no caso da melhor jogadora --eleição ocorrida pela primeira vez--, a norte-americana Mia Hamm.

     
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