A manchete da Folha hoje ("Em 2o turno, Roseana tem 46%, e Lula, 44%") é a que faltava para a governadora pefelista fechar o ano com chave de ouro. O "Globo" destaca a mudança no Imposto de Renda ("FH deve sancionar IR mas cobra recursos do Congresso"). O "Estado" reergue o otimismo ("Onda de boas notícias derruba cotação do dólar e anima a Bolsa"). Em sentido oposto vai o "JB": "Brasil tem 50 milhões de miseráveis". Só este último deixa de trazer hoje na capa foto de manifestantes argentinos contrários à importação de calçados brasileiros.
E o placar da Folha? Afirma o texto "Ministro se consolida como opção tucana e quer evitar cisão interna" (Brasil, pág. A4) que "alguns cálculos do governo estimam que Tasso na realidade não dispunha de 20% dos convencionais (do PSDB)". Não dá para entender. No dia 23 de novembro, o jornal publicou reportagem segundo a qual, de acordo com o "placar apurado pela Folha", Tasso tinha garantidos 318 votos dos convencionais, contra 284 para Serra e 177 indecisos. Onde foram parar esses números? Qual é o "placar" da Folha agora? Ou esses números eram fantasiosos, ou a pré-candidatura Tasso sofreu um desmoronamento brutal que o jornal não soube demonstrar. A Folha deve explicações.
Nova guerra (detalhes) 1) "FBI vai a Candahar interrogar presos" (Mundo, pág. A11) menciona atentado ano passado contra o USS Cole, no Iêmen. O que é o USS Cole? Na página seguinte há outra retranca ("Iêmen ataca supostos membros da Al Qaeda") em que se menciona o atentado novamente, aí sim dizendo que o USS Cole é um destróier americano. Creio que, ao mencionar a embarcação, sempre se deve dizer "o destróier USS Cole..."; 2) Na subretranca "Nos EUA, 67% aceitam outros alvos" (pág. A12), o jornal assume que Bin Laden admitiu envolvimento nos atentados de 11 de setembro. Creio que seria mais cauteloso, até o momento, usar fórmulas de condicional para se referir (mesmo indiretamente, como no caso) ao vídeo que, segundo os EUA, provam a confissão do saudita; 3) Merecia mais destaque do que um texto-legenda em Panorâmica o incêndio ocorrido na catedral de Nova York, ainda mais nas atuais circunstâncias políticas e jornalísticas.
Brasil e o aço A reportagem "Produtores decidem reduzir em 10% a produção mundial de aço" (Dinheiro, pág. B5) não traz informação crucial, a saber, que o Brasil não estará incluído nessa redução. É essa, ao menos, a notícia destacada, inclusive nas capas, pelos dois principais diários econômicos do país.
Testemunho? Detalhe de tradução. O oitavo parágrafo de "Indústria da zona do euro encolhe 1,4%" (Dinheiro, pág. B5) começa assim: "Em testemunho ao parlamento europeu ontem, o presidente do BCE, Wim Duisenberg, afirmou que a região deverá escapar da recessão...". Depoimento, discurso, declaração, OK. Mas a palavra testemunho realmente não cai bem no contexto.
Um "novo" risco-país Há um bom tempo o leitor da Folha vem se familiarizando com o conceito do chamado risco-país (indicador calculado pelo JP Morgan), principalmente pela cobertura da crise argentina. Pois na retranca "Juros da casa própria ficam em 10%" (Dinheiro, pág. B8) aparece hoje um outro risco-país, calculado pelo Conselho Monetário Nacional. O que é este indicador? A que critérios obedece? Faltou clareza e didatismo.
Foto do metrô A reportagem "Defeito interrompe circulação de trens do metrô por 40 minutos" (Cotidiano, pág. C3) informa que a mencionada situação foi regularizada às 9h16. A legenda da foto ("Passageiros esperam trem na estação Sé do metrô, uma das afetadas por problema em uma peça") induz o leitor a ver a imagem como um retrato de momento da situação criada pelo tal problema. Só que, conforme o relógio da estação, claramente, essa imagem foi feita bem depois das 9h16. De duas uma: ou a foto é de um outro horário, outro dia (e aí deveria haver esse registro no crédito) ou a legenda acabou sendo redigida de um modo infeliz, que induz o leitor a um engano.
Sísifo Faltaram as idades e os perfis políticos dos vereadores "dissidentes" do PT, Giannazi e Custódio, nas respectivas entrevistas, publicadas na pág. C4.
Água na chuva A reportagem "Ecovias prevê lentidão maior no fim do ano" (Cotidiano, pág. C6) parece não trazer novidade. Tenho a impressão de que nenhuma pessoa que pensa em passar Natal ou Ano Novo na baixada Santista ou no litoral sul imagina que não encontrará, nessa época, um congestionamento maior do que o normal. Se houve alguma iniciativa que tenha sido tomada e que, em tese, deveria desmentir tal expectativa óbvia, isso deveria constar do texto. Não é o que acontece.
Gilbert Bécaud Não vi na Folha a notícia do morte, que teria ocorrido ontem, do famoso cantor francês, autor de "Et maintenant", como lembra o "Globo".
UOL versus iG Até onde pude acompanhar o assunto, o iG ultrapassou o UOL em audiência, conforme publicado pela própria Folha. Se já houve reversão, isso ainda não foi noticiado. Por isso, é estranha a afirmação da arte do Guia da Internet (pág. F8, Informática) de que o UOL "tem hoje a maior audiência" dentre os portais brasileiros. A verificar.
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