Pode-se dizer que, do ponto de vista jornalístico, a campanha eleitoral à Presidência começou, de fato, no fim de semana, com a indicação do candidato do Planalto e a consequente definição, até segunda ordem, do quadro sucessório. Muita água ainda vai rolar, claro, mas o tratamento dado pelos jornais nas capas de hoje a essa indicação pode sinalizar como lidarão com as diversas candidaturas nos próximos meses. Os diários do Rio foram os mais discretos em relação a Serra, optando por chamadas de um módulo. A Folha também deu apenas uma chamada assim, mas é impossível deixar de observar que ela vem acompanhada de uma enorme foto de FHC. Já o "Estado" deu a manchete e a principal foto da página para o "lançamento" de Serra, sem margem a dúvidas sobre sua simpatia explícita para com o candidato.
Edição de sábado, 23 de fevereiro
Berlusconi
A Folha publicou no domingo 17 reportagem sobre a possibilidade de o primeiro-ministro italiano concentrar ainda mais o seu poder na mídia com a nomeação de novos diretores das TVs estatais italianas que ocorreria ao longo da semana. Boa parte dessa definição, segundo li na imprensa européia, aconteceu na sexta 22. O jornal, entretanto, nada trouxe sobre o assunto.
Informação confusa
A arte "A crise da dengue em SP" (pág. C1, Cotidiano) trata a cidade de São Paulo como "SP". Ao fazê-lo, alimenta confusão na cabeça do leitor. Creio que o recurso (usar SP para abreviar o nome da capital) só deve ser usado em situações extremas (títulos apertados, falta de espaço etc), o que não era o caso aqui. SP, afinal, é a sigla do Estado, certo?
A cidade de Falcão
Leitor de SC afirma que a cidade natal de Falcão é Abelardo Luz, não Abelardo Cruz, como está em "Ex-jogador teve fraca atuação à frente da seleção" (Esporte, pág. D6). Dei uma olhada no mapa, e verifiquei que ele tem razão.
Edição de domingo, 24 de fevereiro
Datafolha
O impacto político da pesquisa Datafolha, como costuma acontecer, é enorme. Há que se dizer, no entanto, que, desta vez, por azar, o "retrato" saiu em leve descompasso com a realidade política. É improvável que o levantamento, feito na quarta e na quinta, tenha tido condições de refletir o eventual reflexo das negociações PT/PL no eleitorado de Lula, bem como, claro, o da indicação declarada de Serra pelo PSDB. Nesse sentido, a próxima pesquisa deverá atrair muito mais atenção.
Balanço de Serra
Achei informativo e equilibrado, no conjunto, o trabalho jornalístico de balanço da era Serra na Saúde (págs. A11 a A14). Três observações, porém:
1) Faltou uma espécie de "outro lado" global do ministro. A estratégia editorial de dar "outros lados" específicos, conforme os assuntos abordados, pareceu-me correta e interessante. Mas ela deveria ser complementada pelos dados que Serra, diretamente, teria a apresentar;
2) Faltou o "outro lado" específico referente a "Gestão buscou impacto contra o fumo" (pág. A14);
3) Faltou referência a indícios de suposta má-condução de áreas do Ministério no que se refere à liberação de genéricos (caso de investigação de corrupção levantado pela própria Folha meses atrás). Como ficou?
Conflito na Colômbia
O texto "Pastrana visita ex-zona desmilitarizada" (Mundo, pág. A17) termina assim: "As Farc dizem lutar em nome dos pobres, mas a maioria dos colombianos acredita que os membros da guerrilha não estão longe de serem (sic) terroristas, sequestradores e narcotraficantes". Não quero defender a guerrilha, mas este não me parece um bom exemplo de jornalismo isento, a não ser que tal afirmação se baseasse em pesquisas e que essas fossem expostas, no próprio texto, ao leitor.
Chuva em Ribeirão
Uma enchente histórica assolou Ribeirão Preto, no interior paulista, na madrugada de sábado. O jornal limitou-se a registrar o assunto em uma troca na edição de domingo em texto-legenda dentro de uma Panorâmica. Imagino que tenham ocorrido limitações industriais, mas o fato é que, objetivamente, o evento merecia muito mais destaque. Só hoje a Folha Ribeirão conseguiu dar capa ao dramático evento.
Acabamento
1) A certa altura, o texto "Veto ao cigarro constrange Japão e Coréia" (Esporte, pág. D5) faz referência a uma publicidade feita com Yul Brynner. Quem é essa pessoa? Não há nenhuma dica ou explicação. Que publicidade é essa?
2) Detalhe: o TV Folha traz reportagem sobre novo grupo de humoristas da MTV ("'Hermes e Renato' consagra o 'heavy-trash'" (págs. 8 e 9). Insiste em chamar seus integrantes de "garotos", quando o mais novo tem 21 anos. Seriam, no mínimo, rapazes, não?
Cinema em Americana
Um leitor da Folha Campinas reclama que apenas oito dos 23 filmes apresentados no "Acontece" deste domingo trazem a avaliação da Folha. Todos os demais são seguidos de um "S" (sem avaliação). Ele tem razão. É no mínimo esquisito.
Números e água
1) Os gráficos da capa de Dinheiro não mostram a que se referem os números. São em porcentagem? Em reais? É preciso esclarecer;
2) O chapéu correto seria "Pouso da águia", e não "Pouso da água", como está na pág. B7, certo?
Edição de segunda-feira, 25 de fevereiro
Serra
A Folha conferiu espaço correto, a meu ver, para o lançamento de Serra. A reportagem mostrou o discurso do pré-candidato e de aliados. Faltou, porém, um pouco do "clima" da pré-convenção. Havia bandinha, distribuição de lanches, claques etc.
Adolescente?
O texto "Gaúcha pode ser elo entre Diniz e Olivetto" (Cotidiano, pág. C4) afirma que a suspeita Naila de Freitas tem hoje 42 anos e que era uma adolescente em 1964. Não faz sentido. Naquele ano ela tinha entre três e quatro anos de idade. A verificar.
Plásticas demais
Parece-me desproporcional o espaço reservado para as artes plásticas na Ilustrada de hoje. O setor ocupa a página E3 e a contracapa inteira, num caderno com apenas seis páginas, incluindo todas as inúmeras seções e colunas fixas.
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