O possível recuo parcial de Israel, à véspera da chegada de Colin Powell a jerusalém, é manchete nos principais jornais. Folha: "Israel anuncia retirada parcial de área palestina"; "Estado": "Bush apela de novo e Israel faz retirada parcial"; "Globo": "Pressões forçam Israel a iniciar retirada de tropas". A exceção é o "JB" ("Leão caça 15 mil autônomos por sonegação".
Destaque: é evidente a diferença entre ter e não ter enviado especial para coberturas de peso, como esta do Oriente Médio. Basta comparar os jornais de hoje. Apesar disso, há pontos na Folha que merecem reparos (veja nota específica).
Oriente Médio
1) A Folha bate os concorrentes na cobertura do conflito israelo-palestino nas edições de hoje, e isso se deve claramente à existência do correspondente no local. Penso, porém, que a edição do conjunto do material sobre o assunto está aquém da qualidade dos textos mandados pelo enviado especial a Jerusalém. Ela está um tanto burocrática, com poucas fotos (apesar do estouro correto de uma delas na pág. A9), apenas uma arte (simples) e apenas uma série de textos agrupados. Caberia utilizar mais recursos (históricos, destaques para frases etc). Um detalhe: não há intertítulos nos textos (com uma exceção), o que também ajuda as páginas a ficarem mais pesadas;
2) Não vi no jornal a notícia de um incidente altamente sintomático da tensão reinante: o mal-estar criado no encontro entre Colin Powell e o rei do Marrocos, quando este perguntou se o secretário norte-americano já não deveria estar em Jerusalém. A cena apareceu no "Jornal Nacional" ontem e está em alguns jornais hoje;
3) Também não se reflete no jornal a tensão que parece ter marcado a sessão do Parlamento israelense ontem, com o discurso de Sharon. Houve bate-boca e protestos de parlamentares árabes;
4) Um detalhe: o box "Israelenses fazem primeira incursão na faixa de Gaza" (pág. A8) afirma que a recente ocupação de territórios por Israel começou no dia 30 passado. Foi 29, certo?
5) Outro detalhe: falta padronizar a grafia referente ao bairro histórico de Nablus. Está "casbá" no texto do enviado especial e "casbah" na tradução de reportagem do "NYT" (pág. A9).
Onde está o texto?
A reportagem "Tebet atribui sumiço de depoimento a erro" (Brasil, pág. A4) coloca em situação delicada o funcionário do Congresso que disse àFolha, na edição de ontem, que o tal depoimento desaparecera. Creio que ainda seria precisa tirar melhor a coisa a limpo. Na reportagem de hoje, fica uma dúvida: o presidente do Senado mostrou o texto à Folha? O jornal viu esse texto? É importante afirmá-lo, para que o leitor saiba, com clareza, o que aconteceu. Segundo o "Estado", Tebet mandou ontem distribuir cópias do documento. É isso mesmo?
Programa do PT
A reportagem "TV exibe Lula na defensiva e longe do MST" (Brasil, pág. A7) retrata bem o que foi o programa petista de ontem. Mas faltou, a meu ver, reportar um aspecto: a demorada cena em que Lula e Suplicy, sob os auspícios de um Zé Dirceu sorridente, jogam confetes um no outro e se abraçam docemente. O jornal, que cobriu em detalhes os bastidores das prévias e o quanto isso foi problemático dentro do partido, deveria ter destacado a cena. Um item de descoordenação: pelo menos em alguns exemplares da edição SP, saiu em Brasil e em Cotidiano o texto constatando que a prefeita Marta "exagerou" no programa de TV de ontem os resultados de sua viagem ao Japão. A duplicidade foi depois eliminada.
Perfil limitado
Faltaram dados sobre o perfil pessoal do novo manda-chuva da Anatel, Luiz Guilherme Schymura de Oliveira, em "Novo presidente prepara Anatal para fusões" (Dinheiro, pág. B5). Onde se formou? Quantos anos tem? Onde nasceu?
Nova cara no "WSJ"
Além das mudanças gráficas noticiadas em "'Wall Street Journal' muda e ganha cor" (Dinheiro, pág. B8), vale a pena destacar pelo menos uma mudança de conteúdo adotada pelo diário financeiro que a Folha não noticia mas que pode servir para reflexão: a versão americana do jornal introduzirá uma nova seção diária dedicada a textos sobre serviços pessoais, valorizando o leitor como indivíduo.
Hemodiálise
O abre "Juiz absolve 5 da 'tragédia da hemodiálise'" (Cotidiano, pág. C4) informa que os pacientes do caso teriam sido todos contaminados entre os dias 7 e 13 de fevereiro de 1996. Já a arte "Para entender o caso" afirma que isso ocorreu entre 13 e 17 de fevereiro daquele ano. Qual é o certo?
Contestação
Recebo do editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, via SR, os seguintes comentários:
"Considero desrespeitoso e inadequado o tom da réplica que o ombudsman faz às minhas considerações publicadas na crítica interna de sexta-feira. Na minha resposta fui cuidadoso e educado, em nome do respeito mútuo que deve prevalecer nas relações internas do jornal. Poderia ter dito simplesmente que o ombudsman errou, coisa que não se dá ao trabalho de reconhecer publicamente, ao indicar que a palavra "suspeição" merecia correção. Poderia também ter dito que ele não leu a edição nacional do jornal e, por isso, não viu uma notícia que saiu ali publicada. Preferi ser objetivo e, repito, educado. Recebi em troca o seguinte comentário: "a não ser que se conceba essa edição (a nacional) como algo em que cabe qualquer coisa para preencher espaço". O que, exatamente, o ombudsman pretende dizer com isso? Só posso entender esse palpite infeliz como desqualificação sumária e gratuita do trabalho da editoria.
A respeito da nota "Beijinhos" na crítica interna de hoje, o que, objetivamente, permite ao ombudsman "supor" que a sequência de fotos com beijos dos políticos na edição de sábado tenha sido "involuntária"? Mais uma vez, estamos diante de uma suposição que desqualifica o trabalho alheio sem nenhuma base objetiva. Informo que a opção foi pensada e discutida com o editor de Fotografia, Eder Chiodetto."
Se o tom que usei na réplica pôde ser interpretado como desrespeitoso e inadequado -com o que não concordo--, peço desculpas.
O editor tem o direito de fazer as ilações que quiser sobre as intenções do ombudsman. Afirmo apenas que, em nome do que ele chama de respeito mútuo, poderia ter dispensado a ofensa de me atribuir a intenção de querer "desqualificar o trabalho alheio". A propósito, não tem esse mesmo sentido a afirmação sinuosa (uma suposição sem base objetiva) de que o ombudsman "não leu a edição nacional"?
De fato, diferentemente do que tenho feito sempre que isso ocorre, não deixei explícito que houve erro de minha parte: estava correto o uso da palavra "suspeição".
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.