Com a pesquisa Datafolha ("Lula sobe e lidera também no 2o turno"), a Folha interrompe a série de manchetes sobre Oriente Médio, embora preserve ao assunto espaço nobre da Primeira Página. O tema persiste como principal, porém, na concorrência: "Globo": "Israel sofre derrota militar e Sharon endurece o governo"; "Estado": "Israel sofre a maior baixa desde o início da ofensiva"; e "JB": "Fracasso ronda missão de Powell ao Oriente Médio".
Destaque: O essencial da pesquisa Datafolha estava ontem na internet, TV e rádios e está hoje nos concorrentes. Se sua divulgação agora será assim, sem exclusividade para a Folha, a esta caberá uma edição cada vez mais aguçada, detalhada e interpretativa dos levantamentos. Aumenta a responsabilidade da Redação.
Datafolha
1) Não há na arte da Primeira Página indicação da margem de erro da pesquisa. Creio que esse dado deveria ser obrigatório nas artes, pois é natural que o leitor dirija os olhos primeiro para o gráfico e busque nele as informações essenciais;
2) O abre "Lula sobe, Serra pára em 2o e Roseana cai" (pág. A8) afirma que "como a pesquisa foi ontem, provavelmente não detectou totalmente o efeito do programa (de TV) em sua (de Lula) candidatura". Já a retranca "Invasão do MST mais beneficia do que prejudica Lula" (pág. A9) informa que a pesquisa "já reflete a fala de Lula nos programas petistas de anteontem". São afirmações divergentes, que confundem o leitor;
3) Faltou a idade de Dick Morris em "Ex-assessor de Clinton dá conselhos a tucano" (pág. A8). Como o próprio texto mostra bem, trata-se de um personagem, no mínimo, polêmico, não só politicamente mas também no aspecto pessoal;
4) Faltaram os dizeres "partido de preferência" no item "por que o MST agiu mal ao invadir a fazenda" dentro da arte "A invasão da fazenda dos filhos de FHC pelo MST" (pág. A9).
Reale Jr.
O novo ministro da Justiça assumiu fazendo barulho. Em "Ministro insinua culpa de Roseana; PFL reage" (Brasil, pág. A5), ele sofre uma série de ataques e reprimendas, inclusive do PSDB. Faltou o seu "outro lado".
As MPs
Boa a iniciativa de fazer uma arte como esta "As medidas provisórias que travam a Câmara" (pág. A4). Creio que falta ao jornal, justamente, explorar mais esse tipo de recurso. Ele atrai o leitor, facilita sua incursão pelo tema. Apenas uma observação, que talvez exija um Erramos: afirma-se em asterisco que o PMDB tem na Câmara 88 deputados mas com uma dissidência histórica de pelo menos 30%. Pelas contas, isso implicaria que 62 deputados poderiam ser contados, em tese, pelo governo, para aprovar suas propostas. Não bate com o número da arte, que é 72.
A lista da Lunus
1) Só a Folha, na capa e dentro, afirma que são oito e não nove os nomes da lista de supostos doadores do R$ 1,34 milhão. Na concorrência publica-se, em forma de arte, a relação. O curioso é que, numa das retrancas da Folha ("Nomes contrariam afirmação do prefeito do Rio", pág. A6, edição SP), menciona-se de passagem um nono nome (Roberto Casemiro Dias), que não aparece no abre da página ("Empresário encabeça lista de oito supostos doadores"). Algum erro aconteceu;
2) Faltou, nesse material, rememorar as versões anteriores dadas para justificar o dinheiro apreendido pela PF;
3) Ainda sobre o assunto: caberia ao pé do abre da pág. A4 ("Governo negocia, e o PFL deve retomar votações hoje") remissão para "PF diz que chamará de novo pefelista a depor", na pág. A6. São notícias diretamente vinculadas e complementares.
Timidez
Embora palpável, parece-me ainda tímida a mudança operada na edição do conjunto do material sobre Oriente Médio. Falta "agitação", quer dizer, uso de recursos mais variados de edição, para dar conta, à altura, desse sequência de eventos de envergadura histórica considerável. Apenas um pequeno exemplo: por que não reproduzir capas de jornais israelenses e árabes, para dar ao leitor idéia de como a mídia local tem tratado o assunto? Pequena observação de acabamento/didatismo: faltou identificar o Líbano no mapa da pág. A10. Isso facilitaria ao leitor entender melhor, inclusive, a retranca "Hizbollah mantém ação na fronteira" (pág. A11).
Fotos trocadas
As fotos da rainha Elizabeth 2a e de Camilla Parker-Bowles (pág. A13) estão invertidas, de acordo com a legenda. A primeira está à dir., não à esquerda, e vice-versa.
Números
O preço do litro de diesel saiu como sendo R$ 913, em vez de R$ 0,913, em "Gasolina sobe até 13,34% na bomba em SP" (Dinheiro, pág. B7).
Didatismo
1) A arte da capa de Cotidiano (edição SP) seria mais útil ao leitor se incluísse o nome de algumas avenidas centrais de conhecimento amplo, além dos endereços dos próprios prédios (que ela traz) ali representados. Isso facilitaria visualizar melhor onde eles ficam, geograficamente;
2) Pode parecer elementar demais, mas creio que em "Mães adotivas recorrem à Justiça e recebem salário-maternidade" (pág. C5) faltou explicar o que é o salário-maternidade (valor, duração etc).
Acabamento
Chama a atenção a ausência de intertítulos no texto que abre a capa da Ilustrada. Esse recurso não serve apenas para arejar visualmente a página, mas também para atrair leitura e organizar o próprio texto. O problema, diga-se, aparece em várias outras editorias (por exemplo, hoje, no abre da pág. B4, em Dinheiro).
Audiência
A retranca "Yahoo! lidera audiência" (Informática, pág. F5) não informa qual é (em números) a audiência do buscador desse diretório.
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