A realidade, em especial nos assuntos internacionais, tem sido "generosa" com os jornais nas últimas semanas. Se estes apresentam falhas, não é por falta de fatos relevantes ou notícias. Hoje, mais uma vez, é hora de Argentina. Folha: "Cai ministro da Economia argentino"; "Globo": "Argentina sem dinheiro e sem rumo perde três ministros"; "Estado": "Impasse argentino derruba ministro da Economia". Entre os principais diários do país, só o "JB" ("Favoritismo de Lula leva PT a pedir cautela a filiados") não põe o tema em manchete, privilegiando sequência de assunto destacado pelo jornal ontem.
Argentina
1) Apesar da publicação de fotos de manifestantes, os textos do jornal não trazem informações sobre as mobilizações de rua ocorridas ontem na Argentina contra o novo pacote econômico do governo. É difícil supor que sua rejeição pelos parlamentares não tenha relação direta com a repercussão amplamente negativa, entre a população, das medidas propostas por Duhalde/Lenicov;
2) Em que a queda do ministro da Economia do país vizinho pode afetar o Brasil? Não há respostas ou análises de especialistas, no jornal, sobre esta dúvida;
3) A retranca "Presidente busca o apoio de governadores" (pág. B3), além de ter sido publicada duas vezes (a segunda está na pág. B4) em exemplares da edição SP, não foi atualizada ("parou" às 19h) , ao contrário do abre da capa de Dinheiro, que também aborda a reunião com os governadores (com dados até as 23h30). Sobre esse último horário, aliás, outro problema: apesar de o texto registrá-lo, o cabeçalho da capa de Dinheiro informa que o caderno foi concluído antes, às 22h59. Ficou estranho;
4) Faltou a idade do ex-ministro Lenicov no pequeno perfil na arte da pág. B3;
5) O abre dessa página ("EUA temem que crise torne Duhalde um 'populista'"), baseado em declarações de apenas um "assessor" de um subsecretário de Estado, chama atenção para uma questão de apuração jornalística que se repete em outras editorias e em outros momentos com razoável frequência. Veicular notícias com base em aspas de um "funcionário" anônimo não é a melhor saída. O ideal é que o repórter, tendo uma informação, cruze-a com pelo menos mais uma fonte e, a partir daí, assuma (ele e o jornal) o dado, sem precisar atribuí-lo a declarações de anônimos. Mesmo que houvesse aspas (instrumento que não deixa de ser útil para eventual necessidade de defesa), um caso como o de hoje deixa o jornal vulnerável, sujeito a estar sendo instrumento de possíveis manipulações por parte de uma única fonte;
6) Uma autocrítica: subestimei as dimensões da crise argentina dos últimos dias ao comentar, na crítica interna de segunda-feira, que não havia "nenhuma novidade" na situação daquele país. Os fatos mostram que houve, sim, uma elevação no grau de deterioração da crise.
Sucessão
1) Foto na pág. A4 mostra encontro entre Inocêncio de Oliveira (PFL) e José de Alencar (PL), o "vice dos sonhos" de Lula. Mas nenhuma referência há, nos textos, sobre isso. O que eles teriam conversado?
2) Pequeno detalhe: falta padronizar o nome do governador do Maranhão, que aparece ora com "y" ora com "i".
Caso Jersey
Não vi na Folha hoje a informação, trazida pelo concorrente local, de que foi decretada quebra de sigilo bancário da empreiteira CBPO, envolvida nas investigações sobre a construção do túnel Ayrton Senna.
França
1) Como no caso da Argentina, também aqui o jornal falha ao não mostrar com destaque a onda de mobilizações que prosseguiu ontem na França contra Le Pen. Segundo o "Monde", mais de 60 mil pessoas, a maioria bem jovens, saíram às ruas. O "Estado" também traz material específico sobre isso;
2) A julgar pela quantidade de erros reportada no Erramos de hoje, o correto seria o jornal publicar novamente, hoje, um quadro, em Mundo, com os dados referentes às eleições;
3) A legenda da foto de Chirac no alto da pág. A9 é, no mínimo burocrática ou preguiçosa. É óbvio que o presidente, ali, está "gesticulando...";
4) Não vejo com bons olhos, em tese, a publicação simultânea, em diversos jornais, de um mesmo texto de um mesmo articulista. Hoje, porém, era um dia em que a Folha teria feito bem em publicar artigo de Paul Krugman (trazido no "Estado" e no "Globo"), no qual ele traça paralelos entre Gore e Jospin e entre Bush e Le Pen. Era pertinente.
Oriente Médio
1) Segundo despacho de uma agência israelense ("Israel National News"), o Exército havia recomendado a Sharon que a operação nas cidades ocupadas perdurasse por mais um mês. O prêmio teria discordado disso, supostamente, por alguma pressão política. Creio que vale a pena ir atrás e conferir;
2) Registro para curioso texto no "Estado" em que o jornal se retrata a respeito da cobertura que deu ao ato realizado domingo pela comunidade judaica em São Paulo.
Serviço
No material de hoje a respeito da Fenasoft, em Dinheiro (pág. B8), faltou uma pequena arte sobre "como chegar" ao evento, serviço que já havia sido publicado dia 10 pelo caderno Informática e que merecia reedição.
Renda
O título "Renda de trabalhador cai 10,18% em fevereiro" (Dinheiro, pág. B12) pode induzir a um engano. A queda se deu nos últimos doze meses (fev 02 versus fev 01), como está claro no texto e na arte, e não no mês de fevereiro.
ISS
A notícia, na capa de Cotidiano, está no quinto parágrafo do texto de abre: deputados aprovaram ontem alíquota mínima de 2% para o ISS a ser cobrado nos municípios. O título e o enfoque do texto ("Disputa por ISS cria paraísos fiscais em SP"), a rigor, não trazem novidade, pois há vários anos se sabe dessas manobras referentes a escritórios virtuais em municípios da Grande SP, certo? Por isso, até mesmo a chamada na capa do jornal sobre o assunto tem um certo ar de coisa velha.
Globopar
Saiu hoje no "Globo" o "relatório da administração" da Globopar. Vale análise e registro noticioso.
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