Ombudsman Folha   Folha Online
 
23/12/2002

BERNARDO AJZENBERG

Ainda bem que o presidente eleito descumpriu sua promessa de anunciar em bloco o novo ministério. Como se viu no fim de semana, as indicações feitas a conta-gotas, seus bastidores e as especulações em torno dos nomes pendentes tornaram menos frias as páginas dos jornais, que, nesta época do ano, salvo acidentes de percurso (como as chuvas em Teresópolis), tendem naturalmente a carecer de assuntos realmente quentes. O Natal, assim, foi "salvo", enquanto a posse de Lula deve "salvar" o Réveillon.

Edição de segunda-feira, 23 de dezembro

Descuido

É difícil pensar em outra coisa que não seja em certo descuido editorial no caso da entrevista com o deputado federal petista João Paulo Cunha ("PT pode fazer bloco com PMDB, afirma João Paulo", Brasil, pág. A4). O tom do pingue-pongue vai na direção de expor uma espécie de plataforma da "campanha" do parlamentar pela presidência da Câmara. O jornal não traz, porém, nenhuma informação sobre o seu perfil, idade, formação, histórico político, a que ala do partido pertence etc. Esse tratamento não apenas desrespeita o formato da "Entrevista da 2a" como também, o que é pior, ignora a necessidade do leitor de ter informações básicas sobre o entrevistado.

Campanhas

O texto da reportagem "Doação para campanha do PT cresce 673%" Brasil, pág. A6), manchete do jornal, afirma que os aumentos nela revelados "...desconsideram a inflação de 76% (IGP-M de novembro de 1998 a novembro deste ano)". Se entendi bem, significa que esses aumentos são nominais (não se desconta a inflação do período), e não reais. Tudo bem. Mas, se é assim, pergunto: por que não fazer o cálculo pensando também nos aumentos reais? O caso do PSDB, por exemplo, perderia força e até se inverteria: o aumento das verbas de campanha do partido, na reportagem, foi de 40%, mas, se se considerasse a inflação (76%), teria havido uma redução real. A verificar.

Sísifo

1) Faltaram as idades do procurador aposentado Álvaro Ribeiro da Costa, em "Advocacia Geral terá procurador aposentado" (Brasil, pág. A5), e do pintor goiano Siron Franco, em "Artista pintará 2 telas para FHC" (Brasil, pág. A7);

2) Faltou um mapa da região do golfo Pérsico em "EUA armam ataque por mar ao Iraque", Mundo, pág. A8;

3) No texto "Livro articula olhares sobre artista paulistano" (Ilustrada, pág. E2), a respeito de Francisco Rebolo, faltou informar ao leitor, entre parênteses, os anos de nascimento e de morte do pintor.

Concessões

Um registro para reportagem do "Estado" segundo a qual o Senado aprovou em apenas dois meses e meio, passada a eleição, quase 300 concessões, licenças e permissões de rádio e TV.

Nomes

No abre do caderno Cotidiano ("Deslizamentos matam 13 em Teresópolis"), dois irmãos mortos se chamam Thaís Barbosa e Rian Barbosa. Na sub-retranca "Ao menos quatro morrem em festa de aniversário", os mesmos irmãos se chamam Thais de Jesus e Rian de Jesus. Qual é a informação correta?

Garantias

1) Contrariando orientação do "Manual", o quarto parágrafo do texto "Chávez retoma petroleiro-símbolo da greve" (Mundo, pág. A9) usa o verbo garantir como sinônimo de afirmar, declarar etc;

2) A sub-retranca "Fundo receberá dinheiro de multas" (Cotidiano, pág. C3) afirma: "A criação do Fundo Municipal de desenvolvimento de Trânsito (FMDT), aprovada em primeira votação, garantirá que 95% dos recursos provenientes de multas sejam mantidos em uma conta única e destinados diretamente a atividades específicas do setor...". Garantirá mesmo? Não teria sido mais prudente usar algo na linha "deverá garantir"?

Alicerces

O texto "Comunidade tenta reconstruir favela Paraguai após incêndio" (Cotidiano, pág. C5) relata que um carroceiro "...começou a levantar, no meio das cinzas, os alicerces de madeira de seu futuro barraco". Até onde apurei em dicionário, alicerce é a base sobre a qual se ergue alguma coisa.

Como se pode ver inclusive na foto da reportagem, o que se "levantam", ali, são as paredes do barraco, suas "colunas", não os seus alicerces. A verificar.

Falta de assunto

Sabemos que é difícil haver nesta época do ano notícias que justifiquem os espaços a elas dedicados no jornal. Mas o caso do abre "Rodízio está suspenso a partir de hoje" (Cotidiano, pág. C6) é um exagero. Chega a ficar engraçado. A notícia cabia em quatro ou cinco parágrafos, tranquilamente. A título de "contextualização", porém, outros sete são acrescentados, com todos os detalhes sobre o rodízio de veículos" (histórico, funcionamento, motivação, e até mesmo os nomes de todas as avenidas que fazem os limites do chamado centro expandido).

Edição de domingo, 22 de dezembro

Toneladas

O título "ONG arrecada cinco toneladas de alimentos" (Brasil, pág. A5) não corresponde ao texto, que fala, na verdade, em 5.107 toneladas arrecadas. Um dos dois está errado. Qual é a informação correta?

Acabamento

Editado como se fosse uma notícia ou uma reportagem, o texto "Dependência externa cresce nos anos FHC", abre da contracapa de Dinheiro, sob o chapéu "Em transe") é, a rigor, um (bom) texto de apoio ou de análise. Requeria outro tratamento gráfico.

Esclarecimento

Na crítica interna do dia 17 passado, expus estranheza quanto ao fato de haver, dentre os que enviaram votos de boas-festas ao jornal, um certo "Daniel (São Paulo-SP)". O Painel do Leitor esclarece --e agradeço por isso-- que se trata do cantor sertanejo. Para reflexão: em casos excepcionais como esse, que podem suscitar dúvida, talvez valesse a pena alguma explicitação.

Aviso

Devido ao Natal, amanhã e depois de amanhã (dias 24 e 25 de dezembro), não haverá crítica interna. Ela retorna na quinta, dia 26.

     
Leia colunas anteriores publicadas aos domingos Veja quem já foi ombudsman da Folha

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.