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28/02/2003

BERNARDO AJZENBERG

Só a Folha, a meu ver equivocadamente, deixa de dar manchete hoje para a situação no Rio, em relação com a transferência de Beira-Mar. O fato mais importante, creio, está no uso do Exército, pelo governo Lula, para policiamento. Até o momento, Bagdá só fez um anúncio de que, em princípio, pretende destruir mísseis. Se essa destruição fosse fato, aí sim, creio, valeria manchete hoje. Faz sentido que o "NYT" e o "Post" dêem manchete a isso (como fizeram), mas o mesmo não vale aqui, acredito, diante da tensão gerada pela crise no Rio -primeiro teste relevante, na área de segurança, para o novo governo federal.

EUA/Iraque

1) Para quem não conhece todas as figuras, ficou confusa a identificação das pessoas no texto-legenda "Músicos se unem a ONG contra a guerra" (Mundo, pág. A12). O primeiro nome que aparece no texto é o de Lou Reed, mas ele não é o primeiro personagem que aparece na imagem;

2) Faltou um perfil pessoal e profissional do arquiteto Daniel Libeskind, que assina o projeto vencedor para o novo WTC (pág. A13);

3) O texto "Alerta amarelo segura preço do petróleo" (Dinheiro, pág. B6) registra declaração de George W. Bush segundo a qual qualquer plano do Iraque para destruir armas proibidas seria parte de uma "campanha de decepção". O que vem a ser isso? O "Estado" traduziu a expressão como "campanha de engodos"...

O macaco

O título "DNA de macaco elucida genoma humano" (Ciência, pág. A14), bastante afirmativo, me parece ir muito além daquilo que o texto da reportagem permite. Este é bem mais cauteloso: "Uma pesquisa... sugere que o DNA dos parentes próximos da humanidade pode ser a chave para elucidar quais são e como funcionam...".

Duda acusado

Não vi na Folha registro, publicado no "Estado", de que o marqueteiro da campanha de Lula foi acusado ontem, junto com outros, de improbidade administrativa pelo Ministério Público no Rio. O grupo, diz o texto, teria lesado o Estado em R$ 5 milhões com transferência irregular de verbas publicitárias em 1995. A verificar.

Rio e Beira-Mar

1) Corretamente, no abre da pág. C3, a Folha procura informar o leitor sobre a polêmica questão relativa à legalidade da operação de transferência do traficante. Não informa, porém, quais foram, concretamente, as alegações da Justiça do DF para vetar a transferência que, em princípio, seria para Brasília;

2) Ao reportar os bastidores de toda a operação, o "Globo", que ontem, em primeiro clichê, "cravou" que a transferência seria para Brasília, fala num suposto esquema de contra-informação que teria sido adotado pelo governo para despistar possíveis reações de aliados de Beira-Mar. Será? Cabe verificar;

3) Se não obrigatoriamente um abre de página, merecia no mínimo muito mais destaque, até mesmo na edição SP, a retranca "'Rio Seguro' resulta na morte de mais 5 civis" (pág. C4). Quais são os cinco mortos? Está dentro da legalidade essa ação policial, coerente, aliás, com as declarações de Cesar Maia (prefeito) e de Josias Quintal (secretário da Segurança) no sentido de que "se alguém tiver que morrer, que morra"?

4) Nesse texto, aliás, fala-se em "400 sacolés" de cocaína. O que vem a ser isso?

5) Ficou solto, a meu ver, o mapa sobre o domínio do tráfico no Rio, na mesma página. A qual retranca ele se relaciona?

6) Faltou informar a idade de Beira-Mar.

Ovni

A Panorâmica "Operação Faria Lima: CPI aponta falta de estrutura de fiscalização" (Cotidiano, pág. C5) não traz contextualização nenhuma. De onde veio essa CPI? Quais são as irregularidades apontadas?

Carnaval

1) A esta altura, o material de Carnaval já deveria merecer da Folha um tratamento diferenciado. Na edição nacional isso acontece um pouco mais do que na SP. Ambas, porém, são bastante precárias como algo especial. O projeto gráfico específico, se é que ele existe, me parece fraco, pobre. O texto "Na festa da Gaviões, o verde fica de fora", por exemplo, na pág. C6, está editado como se fosse uma reportagem comum, quando é, nitidamente, um saboroso side;

2) Não entendo, por outro lado, a ausência de noticiário sobre o Carnaval carioca;

3) Registro para o enredo da escola paulistana Acadêmicos do Tucuruvi "Não Calem a Minha Voz", que será, segundo texto da pág. C6, uma "homenagem à imprensa brasileira". A conferir.

PIB

O desempenho do PIB do setor agropecuário, mais uma vez bastante acima da média geral, merecia uma retranca à parte no material da reportagem da capa de Dinheiro. Há uma breve explicação para ele (crescimento das exportações) ao pé da retranca "Após tombo, indústria iguala expansão do PIB" (pág. B3). É pouco.

Títulos e títulos

Se entendi bem o texto "BC teve prejuízo de R$ 17,2 bilhões no ano passado com títulos públicos" (pág. B5), esse título (da reportagem) está equivocado. O valor, conforme o lide, se refere ao prejuízo total do banco, e não apenas com títulos públicos, ainda que se o atribua à desvalorização destes. A verificar.

AES/BNDES

O texto "AES propõe adiar pagamento de dívida de US$ 330 mi ao BNDES" (pág. B10) traz no pé a informação de que o secretário-adjunto de Comércio dos EUA, William Lash, esteve ontem com a ministra das Minas e Energia em Brasília e fez, aos jornalistas, forte defesa da AES. Esse fato deveria estar no lide e merecia, no mínimo, o sobretítulo da reportagem. Acerta o "Valor", a meu ver, ao dar o assunto com destaque em sua capa.

A origem

Ficou estranha a notinha da seção "Curto-circuito" da coluna Mônica Bergamo, (pág. E2), que diz: "A cantora de origem judaica Varda participa hoje à noite do último ensaio da Mangueira, na quadra da escola, no Rio". Por que registrar a "origem judaica"? Quem é Varda? É brasileira? É cantora pop? Sinceramente, não consegui entender.

Esclarecimento

Na crítica do dia 20/2, apontei divergência de dados no jornal sobre o impacto da taxa Selic na dívida pública. A sucursal de Brasília informa, via SR, que há, na verdade, duas metodologias diferentes de apuração desse impacto. Resultam em números diferentes que refletem, porém, a mesma realidade. A explicação disso ao leitor não foi incluída na edição por questões relacionadas à operação de fechamento, cujos detalhes, aqui, considero dispensáveis. Agradeço pelo esclarecimento.

     
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