Correta, pelo peso histórico da medida, a opção de manchetar com a suspensão, pela ONU, das sanções ao Iraque. Vejo como jornalisticamente inadequada, no entanto, na capa da Folha, a prioridade dada à foto de uma manifestação de grevistas no Peru em detrimento de imagens dramáticas do terremoto na Argélia. Cabe uma análise mais apurada, mas parece-me "mal-contada", afinal, a história da suspensão do futebol brasileiro, da tal queda-de-braço entre cartolas e governo (ver nota específica).
Primeira Página
1) O texto da manchete menciona que o apoio de França, Rússia, Alemanha e China à proposta dos EUA sobre o Iraque ocorreu após mudanças nessa proposta. Não diz, porém, quais foram as mudanças, não menciona ao menos uma delas;
2) Faltou, creio, um "recuado" remetendo para a coluna Luís Nassif na chamada "Empresa nacional terá preferência no BNDES". A reportagem e o colunista tratam exatamente do mesmo documento a ser divulgado hoje pelo banco estatal;
3) Merecia chamada na capa a revelação do "cardápio" de cargos que está sendo negociada entre governo e PMDB (reportagem da pág. A 4).
Detalhe
O terceiro parágrafo do texto "Medida que eleva mínimo é aprovada" (Brasil, pág. A 4) menciona declaração do deputado Fioravante (PT-RS) como sendo de 2003, quando a lógica indica que ela ocorreu em 2002. A verificar.
Situação nebulosa
1) Não está clara, afinal, qual é a situação litigiosa no engenho Prado, depredado por sem-terras em PE. O texto de hoje (abre da pág. A 8) mostra que há diferentes visões (Pastoral versus Lula) sobre a causa do conflito e da violência na fazenda. Creio que o jornal deveria tratar o assunto de modo mais didático, já que essa invasão pode adquirir um valor simbólico e histórico muito grande no relacionamento entre o governo Lula e o MST;
2) Por falar em sem-terra, cabe registro para reportagem do "Estado" segundo a qual o líder José Rainha está de volta, organizando um churrasco gigante no Pontal do Paranapanema.
Números
O texto "CIA revisa relatórios sobre armas de Saddam" (Mundo, pág. A 13) afirma, no pé, que a ONU inicia a distribuição de comida no Iraque no próximo mês, com uma previsão inicial de 480 toneladas mensais. É isso mesmo? Parece-me pouco. A verificar.
Senso de oportunidade
Oportuna a sacada do concorrente local ao publicar pequeno pingue-pongue com o vice-presidente da República, José Alencar, que não só está sob os holofotes por causa da questão dos juros como assumiu interinamente -salvo engano, pela primeira vez-- a cadeira de Lula.
Fórum Velloso?
A reportagem de capa de Dinheiro, baseada em declarações do presidente do Banco Central no chamado Fórum Nacional, define este último como "evento promovido anualmente pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso". É verdade, mas pouco explicativo. Caberia melhor algo mais institucional, já que, formalmente, a organização é do Instituto Nacional de Altos Estudos (cuja principal figura, sim, é o próprio Velloso). Isso está, corretamente, em retranca na pág. C 3, que menciona o evento.
Pressões quais?
Todo o material sobre a demissão do diretor Ilan Goldfajn do Banco Central, na pág. B 4, toma como fato que ela se deu por causa de pressões políticas do PT. O perfil do novo indicado (Afonso Bevilaqua), porém, é muito semelhante ao do demissionário, claramente na mesma linha ortodoxa defendida por Palocci/Meirelles, defensor de juros altos. Que pressões, então, seriam essas? Não deu para entender.
Cotidiano
Penso que a reportagem "DAC reduz vôos em Congonhas, no Santos Dumont e na Pampulha" (Dinheiro, pág. B 7) deveria estar em Cotidiano. Diz respeito, diretamente e sobretudo, ao uso de vôos pela população.
Físico, médico
O abre "Eletrobrás quer rever contrato de térmicas" (pág. B 7) começa assim: "O presidente da Eletrobrás, o físico Luiz Pinguelli Rosa...". Por quê o "físico"? Seria como dizer: "O governador de SP, o médico Geraldo Alckmin...". Essa qualificação não faz sentido, a meu ver, senão em contextos muito específicos.
Irregularidade
O texto "Blitz da CET contra manobristas guincha veículos no Itaim Bibi" (pág. C 4) registra a operação em região sofisticada da capital paulista, mas não informa qual seria, afinal, a irregularidade cometida pelas empresas de "vallets".
Futebol
Parece-me confuso e contraditório o noticiário sobre a situação criada em torno da tal queda-de-braço entre cartolas e o governo, com a CBF no meio, sobre a aplicação ou não do Estatuto do Torcedor. A Folha, ontem, afirmou que teria havido um acordo, uma espécie de conchavo entre o governo e os cartolas para evitar a suposta suspensão do Campeonato Brasileiro -o que implicaria um recuo do governo. Esse acordo passaria pela emissão, pela AGU, de um parecer que atenuaria alguns itens do Estatuto. Pelo que se lê hoje, isso não aconteceu. O ministro do Esporte já tinha na noite de quarta parecer da AGU de que não havia nenhum problema com os tais itens. O governo, portanto, não teria recuado, como o jornal afirmou. Hoje, parece mais claro que, na verdade, o recuo foi da parte dos cartolas que ameaçavam suspender o Brasileiro, sendo que nenhum fato novo, a rigor, aconteceu, nesse quesito, entre uma edição e a outra. A verificar.
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.