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01/12/2003

BERNARDO AJZENBERG

A Folha tem o mérito de destacar em manchete hoje ("MEC quer provão trienal e faculdade de cunho social") um assunto altamente polêmico da maior importância. O desafio, nesse caso, é aprofundar a discussão sobre o projeto de Cristovam Buarque. Em compensação, o jornal dá a sensação de estar sendo passado para trás num caso em que sempre procurou estar à frente: a morte de Celso Daniel (ver nota específica).

Edição de segunda-feira, 1 de dezembro

Aids

Apesar de uma remissão recíproca entre Mundo e Cotidiano, o caso do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, hoje, está disperso no jornal. Há reportagens sobre ele, além daquelas duas editorias, na Ilustrada e no Folhateen. Em nenhum lugar, porém, o leitor encontra a programação de eventos para poder deles participar, em especial no caso da cidade de São Paulo.

Gafanhotos

A Folha marca um ponto, hoje, ao trazer o "outro lado" do ex-governador de Roraima, Neudo Campos (abre da pág. A7). Mas o "Globo" também avança, e bem, com entrevista com uma ex-gerente de RH do DER de RR na qual se revelam detalhes de como funcionava o esquema dos "gafanhotos" e o envolvimento do atual governador, Flamarion Portela. Sobre este, a ex-funcionária indica: "Sabia... Sabia e não gostava, pelo que me consta.

Ele achava que era dinheiro demais gasto à toa. Só que não acabou com aquilo quando virou governador. Viu que era um beco sem saída".

Caso Santo André

A "Veja" e o "Globo", assim como o "DSP", bateram forte na retomada do caso Santo André, enfatizando a possibilidade de Sérgio Gomes da Silva (o Sombra) ser indiciado como mandante do assassinato de Celso Daniel. O caso já fora retomado no meio da semana passada. Segundo a concorrência, há um depoimento de uma testemunha que está sob proteção policial; outro de um detento; além de uma conversa que teria ocorrido entre os promotores e Gilberto Carvalho (hoje na Presidência da República) há cerca de três semanas. O que está acontecendo, afinal? Os leitores da Folha não têm nenhuma informação a receber do jornal sobre esse caso?

Para especialistas

1) Em nenhum momento, a reportagem "Governo dos EUA soltará 140 presos de Guantánamo" (Mundo, pág. A9) informa onde fica essa base militar norte-americana (Cuba);

2) O abre "Defesa européia causa mal-estar com EUA" (Mundo, pág. AQ10) cita algumas vezes o jornal "Le Monde" sem dizer de que país ele é;

3) "Acordo de Genebra é lançado hoje" (Mundo, pág. A10) registra que o evento contará com a presença de Yael Dayan, "filha do general Moshe Dayan". Mas quem é esse general? Está vivo? Qual é a sua importância? Quem conhece a história de Israel e de seus conflitos sabe, mas e o leitor médio ou mais jovem? Não obrigatoriamente;

4) Em nenhum momento o texto "Jovem morre após briga em festa" (Cotidiano, pág. C5), apesar de dar o nome de algumas ruas/avenidas, informa que o fato ocorreu na cidade de São Paulo;

5) O texto "'Grupos são forma privilegiada de organização'" (Ilustrada, pág. E2) menciona a sigla UFRJ sem dizer do que se trata.

Calendário

A Panorâmica "Síria entrega 22 suspeitos de atentado" (Mundo, pág. A10) se refere aos recentes atentados em Istambul como tendo ocorrido "neste mês".

Foi no mês passado (novembro), não?

E daí?

Parece-me, no mínimo, extemporânea a Panorâmica "Cancún foi uma 'lição', diz Prodi" (Dinheiro, pág. B3). A que vem essa avaliação do presidente da Comissão Européia quase três meses depois do evento no México? Não deu para entender.

Educação

O assunto apareceu em colunas na Folha e no "Globo" de ontem, mas o jornal fez bem em destacá-lo, com mais detalhes, na capa de Cotidiano ("Projeto de Cristovam mantém o provão") e na manchete do jornal. Há vários pontos polêmicos aí, além da avaliação, em especial a aparente tentativa (será apenas um balão de ensaio?) do governo, no aspecto pedagógico, de aplicar uma espécie de dirigismo ideológico estatal ao ensino universitário. Cabe ao jornal, creio, estimular o debate, a começar pelas suas próprias páginas.

Cacófatos

Apesar de um verbete específico da página 55 do "Manual" recomendar o contrário, há dois cacófatos incômodos em títulos da edição de hoje: a) "Neudo rejeita acusação e, da prisão, ataCA GOvernador"; e b) "Força do banCO COnduz Cruzeiro ao título" (Esporte, pág. D3).

Vôlei

Que o destaque jornalístico tenha sido a conquista antecipada do Brasileiro pelo Cruzeiro, não vejo dúvida. Mas creio que o jornal (apesar do destaque na Primeira Página) subestimou nas páginas internas de Esporte a importância da confirmação da conquista (com 11 vitórias e nenhuma derrota) da Copa do Mundo pela seleção de vôlei. Dedica-se-lhe um abre de página, é verdade, mas com texto curto, sem foto e apenas uma pequena arte com todos os resultados. O espaço total dá no máximo um sexto de página. Merecia mais, acredito.

Acabamento

Faltou, no crédito das fotos, a data de quando foram feitas as imagens da pág. 3 do Folhateen, sobre a manifestação de 23/11, na Paulista, por "paz e Justiça".

Edição de domingo, 30 de novembro

SP

O uso indiscriminado de SP para se referir, não ao Estado, mas à cidade de São Paulo, gera confusão. É o que acontece, por exemplo, numa primeira leitura da chamada para a Revista na capa do jornal (edição SP). Pelo título e pela legenda da arte, que falam em SP, a impressão do leitor é de que os andarilhos, protagonistas da interessante reportagem, cruzaram a pé o Estado e não a sua capital, como de fato aconteceu. O mesmo estranhamento aparece na sub "Ubatuba tem um morto e cinco feridos" (pág. A14), na qual essa cidade aparece como localizada "224 km a leste de SP". Como assim?

Leite

O nono parágrafo de "Lula retoma programa do leite lançado por Sarney" (pág. A4) menciona, ao citar uma nutricionista, o "risco de tolerância à lactose...". Não seria INtolerância? A verificar.

Dulce, Dulci

O sobrenome do secretário-geral da Presidência é Dulci, não Dulce, como está no site "Livro promove presidente nos EUA" (pág. A6).

Outro lado

Faltou o do Itaú na retranca "Não-adesão estagnou a carreira, diz bancário" (Dinheiro, pág. B16), sobre funcionário do banco que alega ter sido prejudicado deliberadamente, ao longo da carreira, pelo fato de não ter aderido ao sistema FGTS.

Desperdício

Foi essa a impressão que tive diante da arte "De onde vêm os imigrantes" (Mundo pág. A22). As informações ali contidas, sobre ida de estrangeiros aos EUA, poderiam ter sido (bem) disponibilizadas ao leitor em muito menos espaço. Há "brancos" demais...

Transparência

Na nota "Reunião aborda as técnicas", sobre reprodução assistida, na coluna "Plantão médico" (pág. C4), faltou registrar (como é a praxe do jornal) que a autora do livro que será lançado na ocasião desse debate é também repórter da Folha -ainda mais que a mesma jornalista, por coincidência, é quem assina o abre dessa mesma página.

Edição de sábado, 29 de novembro

Santa Casa

Merecia bem mais do que uma Panorâmica, a meu ver, a notícia revelada em "Funcionária da Santa Casa deixa a prisão" (caso do desaparecimento de um bebê). Até o momento, muita coisa (inclusive o conteúdo de uma entrevista publicada com essa funcionária pela própria Folha em alto de página alguns dias atrás) indica que essa prisão foi injusta. O desfecho parcial do caso deve receber do jornal mais atenção.

Painel do leitor?

É acintosa, assim ao menos me parece, para com os leitores "normais", a publicação, mais uma vez, de cartas tão longas no PL pelos assessores de Maluf e de Pitta. O tema é velho e recorrente. O jornal, acredito, precisa buscar uma solução alternativa para abrigar casos como esse em suas páginas.

Imprecisão

A Panorâmica "Shopping é advertido após beijo entre homossexuais" (pág. C3, Cotidiano) menciona "um casal de homossexuais que se beijavam no local". A informação fica imprecisa. Como pergunta um leitor, trata-se de a) dois homossexuais masculinos; b) dois homossexuais femininos; ou c) um homossexual masculino e um feminino?

     
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