Os principais jornais do país destacam os mesmos assuntos como manchete e como submanchete hoje. A crise argentina é o tema principal. Folha: "Mercado vê risco recorde na Argentina"; "Estado": "Impasse político barra novo ajuste fiscal argentino"; "JB": "Crise faz peso argentino afundar"; "Globo": "Cavallo não convence e risco de calote cresce na Argentina". O segundo assunto é o movimento dos policiais em Salvador. Folha: "Salvador vive um dia de caos e violência"; "Estado": "Moradores de Salvador fecham-se em casa"; "JB": "Um dia de pânico em Salvador"; "Globo": "Desordem e pânico nas ruas de Salvador". O fim de semana promete ser quente.
O jogo de FHC Qual será, afinal, a estratégia do presidente da República em relação à definição de seu candidato para 2002? Segundo a reportagem "FHC desafia rivais e diz que fará sucessor" (Brasil, pág. A6), sobre a cerimônia de comemoração dos sete anos do real, Malan ganhou a dianteira. Diz o texto que o ministro, em discurso, "esbanjou carisma com a platéia e arrancou sorrisos entusiásticos de FHC, que foram interpretados como uma espécie de bênção presidencial à sua eventual candidatura". Já a reportagem "FHC debate 'governabilidade' em jantar com empresários" (pág. A7), afirma que a reunião de hoje à noite na casa de Olavo Setubal em São Paulo tem como objetivo, entre outros, "fortalecer a candidatura presidencial de José Serra...". Ou FHC mantém um jogo duplo (e, nesse caso, o jornal deveria explorar melhor essa movimentação) ou a Folha está mal-informada quanto às preferências do presidente hoje no terreno sucessório.
Crise no país vizinho Algumas observações sobre a cobertura da crise argentina: 1) Afirma o texto de abre do caderno Dinheiro que o temor de um calote argentino atingiu recorde histórico, superando o que havia em relação à Rússia em 98 e ao Brasil antes deste desvalorizar o real. Mas não se mostram dados concretos que demonstrem a afirmação (por exemplo, o risco-país desses países nessas ocasiões); 2) Há divergência de números quanto ao risco-país argentino ontem. Pela arte da capa do caderno, ele foi 1.519. No texto do abre, já mencionado, foi 1.522. Em texto interno (pág. B5), o número é 1.512. Já o jornal "Valor" fala que foi 1.558; 3) A própria definição desse conceito (risco- país) parece confusa no jornal. A análise "Argentina vive moratória não declarada" (pág. B5) informa que o risco-país é, na verdade o índice Embi+, do JP Morgan, e explica seu cálculo. No entanto, numa parte do mesmo texto, trata o conceito como porcentagem ("as chances de que a Argentina suspenda o pagamento de suas dívidas estavam em 30% na quarta-feira..."). Mais adiante, o mesmo texto trata o índice como um "prêmio de risco", e fala em 15,19 (que seria equivalente aos 1.519 da arte mencionado antes). Em outras definições, nas artes, nada se menciona sobre Embi+. Há, realmente, confusão. Falta deixar as coisas mais claras para o leitor.
Sísifo Faltou a idade do secretário de Vias Públicas, Walter Rasmussen Júnior, em "Secretário contrata firma em que trabalhou" (capa de Cotidiano na edição SP). Sobre essa reportagem, vejo problemas na arte "O preço da varrição", publicada na edição nacional. Comparam-se números de 1992 a 2001, em evolução, sem deixar claro a diferença do total de quilômetros varridos nos diferentes anos e também a questão das atualizações de valores. Quantos seriam hoje, por exemplo, os R$ 58, 6 milhões de 1992 (quando o real nem existia)? Ou será que são dólares? Ou foi feita uma equalização, no caso não explicada ao leitor. A verificar.
Caos em Salvador O jornal deve a seus leitores, nessa cobertura, uma informação mais apurada quanto à origem da força dos grevistas. De onde vem o seu grau de organização? Quem, de fato, organiza o movimento, a ponto de este obter tanta energia? A retranca "Oposição incita greve, diz ACM" (pág. C5) traz a visão (previsível) do ex-senador baiano. Mas creio ser um desafio, para a Folha, mostrar o que de fato constituiu a base orgânica e política para o motim.
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