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10/03/2004

BERNARDO AJZENBERG

A principal notícia do dia, sem dúvida, é o acordo entre a Argentina e o FMI para evitar novo e monstruoso calote (só o "Globo", dentre os principais jornais de informação geral, não deu manchete para o assunto). As diferenças surgem, porém, na interpretação dada em cada veículo para o movimento de recuo ou não entre as partes (ver nota específica). Ponto para a Folha com a reportagem sobre a atuação do filho de José Dirceu.

Primeira Página

1) Um registro positivo: é raro encontrar em jornal uma foto com a qualidade de impressão evidenciada na dos bombeiros em ação após temporal ontem na zona leste de São Paulo. Destaque para os reflexos das luzes na água;

2) Não me parece coerente a ausência de chamada na Primeira Página para o material sobre secretário da Prefeitura paulistana, objeto da capa e de mais dois abres de página em Cotidiano. O que aconteceu?

Argentina x FMI

Os detalhes do acerto a que chegaram ontem as duas partes não foram divulgados, o que dá margem, no noticiário, para diferentes versões em relação a um aspecto político da maior importância: quem recuou na hora final? A Folha adotou uma postura de prudência, evitando entrar nesse mérito --embora o abre da pág. B3 afirme, no seu final, que houve uma vitória política interna de Kirchner, reversível em novas negociações previstas para setembro. É uma linha semelhante à do "NYT", que cita especialistas segundo os quais não se sabia, ontem, "quem piscou primeiro".

Até onde consegui averiguar hoje na internet, foi essa, também, a linha dos principais jornais argentinos (a confirmar). O "Estado" assume que Kirchner recuou, baseado em analistas e informações sobre pressões exercidas pelo G7, mesma vertente interpretativa adotada pelo "Valor" e, com menos ênfase, pela reportagem do "Financial Times". "Globo" e "JB" vão em direção oposta: houve recuou do FMI.

Uma definição sobre esse movimento, que interessa politicamente também ao governo brasileiro, espera-se, deve sair ao longo do dia de hoje.

Zeca Dirceu

Apenas uma observação em relação à importante e impactante reportagem sobre o filho do ministro-chefe da Casa Civil ("Filho de Dirceu negocia liberação de verbas", Brasil, pág. A5): o governo alega que Zeca Dirceu é integrante do governo do Paraná, o que o habilitaria a tomar as iniciativas que tomou.

Nesse caso, não teria sido importante para a reportagem ouvir também formalmente o governo daquele Estado? Vale a pena, creio, ir atrás.

Governo

Reportagem no "Estado" registra declarações do ministro Jacques Wagner mais duras em relação a Palocci do que as declarações do mesmo ministro noticiadas pela Folha em "Ministro afirma que Lula não está satisfeito com taxa de desemprego" (Brasil, pág. A8). A impressão, à leitura do material do concorrente, é de que o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social "pegou pesado". A conferir.

Greves

1) Texto da arte no alto à esquerda da pág. A6, sobre a greve na Polícia Federal, afirma que o salário-base dos policiais federais é R$ 210.

É isso mesmo? A verificar;

2) Faltou informar no abre da pág. A7 ("Fiscais da Receita também ameaçam cruzar os braços") a filiação ou não do sindicato dos técnicos da Receita Federal de São Paulo a uma das centrais sindicais, procedimento adotado, corretamente, neste mesmo texto, no caso dos procuradores da Fazenda.

Coordenação

Caberia uma remissão da Panorâmica "Para Majella, filme de Mel Gibson é 'cruel'" (Brasil, pág. A7) para a reportagem da Ilustrada sobre o mesmo tema ("Advogado pede proibição de longa", pág. E3).

Outro lado

Faltou o ponto de vista da rede americana de lanchonetes em "Cineasta engorda 12 kg no McDonald's em 1 mês" (Mundo, pág. A9), interessante retranca complementar ao abre da página ("Obesidade pode matar mais que o fumo").

Governador?

O texto "Atentado a loja maçônica mata um na Turquia" (Mundo, pág. A11) faz referência ao "governador de Istambul". É isso mesmo? Não seria prefeito? A verificar.

Canhedo

Não fica claro, em "Dívidas com o INSS levam presidente da Vasp à prisão" (Dinheiro, pág. B6) o motivo pelo qual o empresário foi colocado em cela comum. Ele não tem curso superior? Informação sobre isso (formação), aliás, está ausente na retranca sobre o seu perfil ("Primeiros negócios foram no ramo de transporte de carga").

Didatismo

1) O abre "Menina e pastor morrem em ação da polícia" (Cotidiano, pág. C6) afirma que um delegado decidiu "acautelar as armas dos policiais" envolvidos na ação na favela Beira-Mar, no Rio. O que isso significa? Vai submetê-las a alguma perícia? Vai simplesmente retê-las? Não deu para entender;

2) O abre "Em revanche, São Paulo comemora lucro" (Esporte, pág. D3) menciona a equipe do Cobreloa sem dizer a que país ela pertence. O mesmo ocorre com o Alianza na sub "Ousada, LDU é a grande sensação da Libertadores", na mesma página.

     
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