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13/08/2001

BERNARDO AJZENBERG

Em fase áurea, Guga não só ganhou duas partidas difíceis num único dia, tornando-se campeão, como o fez em quadra rápida, sendo o jogo no saibro sua especialidade. Não por acaso, é o dono das capas dos jornais hoje, num fim de semana relativamente morno em termos jornalísticos. No reino dos interesses gerais, todas as publicações repercutiram a notícia do caso Marta-Favre trazida pelo "Globo". Nas revistas, destaque apenas para reportagem da "Época" sobre corrupção no Amazonas. As manchetes: Folha: "EUA pedem que bancos dêem ajuda à Argentina"; "Estado": "R$ 8,5 milhões para 'reverter' imagem negativa da Câmara"; "Globo": "Prefeituras burlam o fisco em 1,3 mil municípios"; "JB": "Homem-bomba fere 15 em Israel".

Edição de sábado, 11 de agosto

Sem o olho no leitor
A reportagem "Devedor que gastou mais luz terá corte antes" (Dinheiro, pág. B4) não informa durante quanto tempo ocorrerão os cortes no caso de uma reincidência no estouro da meta de energia elétrica pelo consumidor. Já alertei para esse descaso em críticas anteriores, mas o jornal continua a desprezar o fato evidente de que muitos leitores já não se lembram bem das regras do racionamento e respectivas punições para quem não as cumpre.

Valia mais
O depoimento do co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, sobrevivente do acidente em Maresias, merecia edição mais trabalhada (capa de Cotidiano).
Ele, obviamente, é testemunha crucial de tudo o que ocorreu, e não é difícil supor que esteja sob forte pressão. Creio que a entrevista, concedida na hora do almoço -portanto, com tempo para ser bem trabalhada-,pedia uma arte que mostrasse resumidamente o que ele disse, em contraposição, inclusive, com o que disseram até o momento João Paulo Diniz, DAC, polícia etc. É um caso para não esquecer.

Sísifo (fim de semana)
1) Faltou a idade do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto no texto-legenda "Caso TRT", que mostra Lalau deixando instituto onde se submeteu a exames (sábado, Brasil, pág. A8);
2) Panorâmica à pág. A11 (Brasil, segunda-feira) afirma que Fidel Castro está comemorando 74 anos, idade diferente da que está no texto de Mundo (pág. A13): "Fidel Castro completa 75 anos e visita Chávez";
3) Faltou a idade do curador-geral da Bienal de SP, Alfons Hug, em pingue-pongue na Ilustrada (pág. E3, segunda-feira).

Edição de domingo, 12 de agosto

Primeira Página
A revelação de um caso de tortura praticada dentro do Exército (coluna "No Planalto", Brasil, pág. A13) não podia ter ficado sem chamada ou alguma referência na capa do jornal.

"On" versus "Off"
Eis um curioso caso de falta de sintonia. A nota do Painel "Espelho do passado" afirma: "Um líder tucano considera que Itamar se assemelhou a Jânio Quadros ao desistir de disputar a presidência do PMDB: 'O Itamar é um clone do Jânio...". A Panorâmica "Sucessão no Escuro" (Brasil, pág. A6), sob o título "Itamar é 'clone de Jânio', diz tucano", traz exatamente a mesma declaração, mas em "on", na voz do presidente do PSDB, José Aníbal. Por que a frase pôde sair em "on" num lugar e teve de sair em "off" no outro? Qual terá sido o critério?

FHC e a comunicação
Dando continuidade ao que parece ser uma ofensiva comunicacional articulada, depois da conceder entrevistas ao "Globo" e à Folha, entre outras ressurgências, FHC publica neste domingo artigo no "JB" intitulado "Gênova e nós". Qual será o próximo passo, até que Andrea Matarazzo se mude para Roma?

Edição de segunda-feira, 13 de agosto

Óbvio
É bastante óbvio o título "'Saída' de Itamar ajuda PMDB governista" (Brasil, pág. A9). O que interessa aprofundar, neste momento, creio, em termos de PMDB, é como estão concretamente as negociações entre Michel Temer e o Planalto.

Desperdício
A capa do Folhainvest de hoje chama por uma discussão importante sobre o uso das artes, em relação, inclusive, com a economia de papel que o jornal está visivelmente promovendo. A arte "Passo-a-passo para determinar o valor de venda de um imóvel" praticamente repete o que está nos textos da reportagem (págs. B1 e B3), sem nada acrescentar. Não seria o caso de a Folha aplicar de modo mais racional uma complementaridade entre arte e texto, de maneira a evitar redundâncias que tomam tempo do leitor e dão a sensação de "embromação"? Isso, por outro lado, não ajudaria a ganhar espaço para notícias? Tomo este caso de hoje como exemplo. Mas a verdade é que isso tem ocorrido de modo mais ou menos regular. É uma questão de edição.

Fundações e universidades
"Reitorias revêem relação com fundações" (Cotidiano, pág. C5) deve uma retranca do tipo "para entender o caso". Quais são os limites de atuação das fundações? Como surgiram? O que elas podem ou não podem fazer? Com quais mecanismos concretos elas ajudam a universidade a obter recursos? Essa é uma relação um tanto obscura e que, por isso mesmo, ambas as partes procuram explorar.

Inéditos de Jorge
Há que se registrar a capa da Ilustrada de hoje como sendo a única reportagem que, até segunda ordem, trouxe ao leitor algo realmente desconhecido sobre Jorge Amado.

     
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