Com a derrota de Guga ontem na final em Indianápolis, os destaques esportivos do fim de semana foram a conquista antecipada do tetracampeonato da F-1 por Schumacher e a reestréia de Ronaldo na Inter de Milão. É o que expressam as capas de hoje. Nas manchetes, prevalecem temas econômicos. Folha: "Indicadores do BC mostram país mais vulnerável"; "Globo": "FMI exige da Argentina dez anos de déficit zero"; "Estado": "BC enfrenta o dilema: manter ou reduzir os juros". O "JB" optou por saída regional: "Presos 34 PMs da nova lista do bicho". Nas revistas, a ênfase recaiu sobre reportagens de comportamento.
Edição de sábado, 18 de agosto
Contas e Jader A reportagem "CPI deve propor indiciamento de Jader por desapropriação irregular" (Brasil, pág. A4) afirma que o senador paraense, quando ministro da Reforma Agrária, teria autorizado em 1988 pagamento de uma indenização de Cz$ 313.120.000 para imóvel avaliado em 1986 em Cz$ 7.543.426. Segundo o texto, o valor pago foi "quase 50 vezes superior" ao avaliado. Ora, em primeiro lugar, fazendo-se as contas, vê-se que o valor foi 41 vezes superior, o que é uma diferença razoável. Além disso, faltou atualizar para 88 o valor de 86. Com isso, a diferença certamente diminuiria ainda mais, já que à época havia inflação galopante. Não parece válida, portanto, a conta feita na reportagem. Vai na linha de Jader-cachorro morto.
Sísifo (fim de semana) 1) Faltou a idade do historiador Luiz Felipe de Alencastro, em pingue-pongue à pág. A10 (domingo, Brasil); 2) Faltou a idade de Michel Temer, deputado federal, em pingue-pongue à pág. A 12 (Brasil, domingo); 3) Faltou a idade de Marcos Caramuru, do Ministério da Fazenda, em pingue-pongue à pág. A11 (Brasil, segunda-feira); 4) Faltou o "outro lado" do governo estadual em "PT quer CPI para apurar Rodoanel" (Brasil, pág. A10, segunda-feira);
Edição de domingo, 19 de agosto
Ombudsman Escrevi na coluna deste domingo que a circulação dos jornais cresceu 5% em quatro anos. Em concordância com os números que eu mesmo apresentei, deveria ter escrito que ela subiu 5% ao ano nos últimos quatro anos (de 96 a 2000). Farei a correção na próxima coluna.
E os sapatos? Na arte que acompanha reportagem sobre o comércio exterior ("'Máquina exportadora' só patina no Real", Dinheiro, pág. B4), ficamos sabendo que o setor de calçados era em 94 um dos maiores exportadores do país. Ele sumiu, no entanto, neste ano. Não vi no texto nenhuma explicação para isso. Da mesma forma, não se explica a subida das carnes, que desbancaram, justamente, os calçadistas.
Informe publicitário? É certo que o jornal registra que a reportagem viajou a Portugal a convite da Sonae Imobiliária, que planeja construir shoppings no Brasil, com promessas de geração de empregos e outras maravilhas. A reportagem "Português investe R$ 700 mi em shopping" (Dinheiro, pág. B5), porém, saiu com sabor de publicidade. Na Folha Campinas, região onde o empreendimento começaria, o espaço dedicado ao investimento é ainda maior. Não por coincidência, o "Estado" dá a mesma reportagem nesta mesma edição de domingo, registrando, também, que o material foi produzido a partir de viagem a convite. Não é um bom sinal, pelo contrário. Ainda mais sabendo-se que há informações (enviadas ao ombudsman por e-mail) de que o projeto encontra resistências de ambientalistas, não ouvidos pelo jornal.
Edição de segunda-feira, 20 de agosto
Primeira Página Um dos indicadores do BC escolhidos para compor quadro ilustrativo do texto da manchete é ininteligível para leitores comuns. Trata-se do que mostra a "razão entre reservas internacionais e gastos com juros da dívida externa". O que vem a ser isso? Qual vem a ser o significado dos números, neste caso?
Mudança de perfil Chama a atenção, em quadro publicado à página A11 dentro do material sobre as contas externas ("Dados apontam Brasil vulnerável") o quanto caiu desde 1995 a parcela do governo na dívida externa bruta do país. Ela foi de 64,5% para 44,6%. Isso indica uma mudança de perfil que, imagino, reflete mudanças estruturais na economia. Esse aspecto está ausente da reportagem.
Vantagens e desvantagens A capa do Folhainvest mostra tendência no sentido de se trocar o talão de cheques pelo chamado cheque eletrônico (cartão de débito), inclusive para compras parceladas. Comparam-se vantagens e desvantagens dos sistemas de cartão de crédito, cartão de débito e talão de cheques. Do ponto de vista do consumidor, porém, deixa-se de realçar uma diferença explicitada de passagem numa das declarações: o cartão de débito pode ser bloqueado no caso de parcelamento se seu dono tiver ultrapassado seu limite de crédito. É bom para o banco e para os lojistas, que aumentam o controle e diminuem o risco. Mas tenho dúvidas se é bom para o leitor comum, pois, no sistema de cheques pré-datados, ele faz a compra e tem a chance de recompor sua conta corrente nas datas previstas para cobrir eventual rombo e cumprir o acertado. Não é uma vantagem para ele?
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