A notícia circulou de forma ampla, mas só a Folha e o "JB" decidiram dar em manchete a revelação da trajetória das contas bancárias de Paulo Maluf no exterior (Folha: "Suíça revela trajeto de conta de Maluf"; "JB": "Suíça abre conta secreta de Maluf"). O segundo destaque do dia, socorro do FMI à Argentina, submanchete na Folha, foi a manchete no "Estado": "FMI anuncia que a Argentina terá ajuda de US$ 8 bi". O "Globo" saiu com o pacote salarial do funcionalismo: "Servidores federais terão aumento de 3,5% a 35%".
Funcionalismo Por mais que tenha procurado detalhar o pacote de reajuste salarial aos servidores, ficam pelo menos três dúvidas importantes: 1) dada a diversidade de categorias e de reajustes diferenciados, como fica, afinal, a recuperação, ou não, de conjunto, do poder aquisitivo do funcionalismo federal? Segundo o "JB", dados do Dieese mostram que a perda salarial chegou a 56,07% desde 1996. Falta uma "amarração" do conjunto; 2) a partir dos reajustes, como fica a situação de cada categoria? 3) Em função do item anterior, quais são as categorias mais atingidas e que, portanto, tendem a aderir mais fortemente à greve?
Maluf O documento do órgão de inteligência financeira da Suíça reproduzido à pág. A6 na reportagem "Governo suíço afirma que Maluf tem conta em Jersey" trata o político como "...governador do Estado de São Paulo e prefeito da cidade de São Paulo". Não como "ex" nos dois casos, conforme diz o texto da reportagem. É um detalhe. Mas, em nome da precisão, vale corrigi-lo.
Onde está Gabeira? O quadro "Bancadas de deputados federais" (Brasil, pág. A8) mostra as mudanças no número de deputados de cada partido entre a eleição de 98 e o atual momento. No caso do PV, afirma-se que não houve alteração. Mas Fernando Gabeira não passou recentemente para o PT, com festas e tudo? A não ser que a transferência ainda não se tenha oficializado, seria o caso de ERRAMOS. A verificar.
Desenvolvimento... Aparentemente trata-se de um problema de tradução. O fato é que ficou esquisito o parágrafo da retranca "Arafat e Peres podem se reunir em breve em Berlim" (Mundo, pág. A10) segundo o qual "tanto israelenses quanto palestinos consideram o encontro um importante desenvolvimento (?), pois atualmente há poucas negociações...".
Lacuna argentina O jornal procura confrontar em quadro ("O socorro do FMI à Argentina"), na capa de Dinheiro, as metas e as realizações do país vizinho. No caso do crescimento econômico, porém, afirma-se que o objetivo assumido era de 2,5%, sem se mostrar qual foi o resultado efetivo.
Contas Há uma dificuldade para fechar as contas em "Bradesco paga R$ 201 mi para explorar atendimento em agências dos Correios" (Dinheiro, pág. B10). O texto diz que o banco tem hoje 2.600 pontos de atendimento, número que saltará para 9.300 com o contrato. No entanto, segundo o próprio texto, são 5.532 as agências dos Correios envolvidas. Ora, 2.600 mais 5.532 somam 8.132. Como se chegou a 9.300?
O joio e o trigo Não há dúvida quanto ao valor noticioso do assunto "maquiagem de produtos". Mas é preciso ir devagar para não misturar as coisas. O quadro "Os produtos pegos em flagrante" (Dinheiro, pág. B10) traz relação de alguns produtos cuja diferença entre o peso real e o registrado na embalagem é ridícula, principalmente no caso de alguns pacotes de arroz. Num caso de pacote de 5 quilos, por exemplo, a diferença registrada foi de 11 gramas!; em outro, 7 gramas, em outro 13 gramas. É desprezível. É bem diferente de alguns casos de biscoitos, por exemplo, nos quais o desvio chega a 10%.
Sísifo 1) Faltou a idade do jornalista Mário Coelho de Almeida Filho, de "A Verdade", em "SIP investiga morte de jornalista em Magé" (Brasil, pág. A6); 2) Faltou a idade de Irina Karavaeva em "Campeã alega injustiça e devolve o ouro" (Esporte, pág. D4); 3) Estão ausentes a visão e os números do MEC na reportagem "40 mil devem aderir à greve dos professores" (Cotidiano, pág. C9).
Caso Mauá O texto "Para técnicos, risco de contaminação é alto" (capa de Cotidiano) traz, aparentemente, uma contradição. No quinto parágrafo, afirma-se que o laudo da Geoklock nega o risco de explosão e de risco aos moradores. No parágrafo seguinte, afirma-se: "As informações do monitoramento diário, feito pela Geoklock depois do acidente que matou um funcionário em abril de 2000, revelados ao grupo (de técnicos e promotores) ontem mostraram que o risco de contaminação e de explosão permanecem". Não deu para entender. Além disso, o texto mostra claramente que os funcionários que trabalharam na construção dos edifícios não podem ter deixado de perceber que havia algo errado (que não fosse pelo cheiro do terreno e seu subsolo). Não seria o caso, então, de ir atrás de um desses profissionais?
Desconexão Sensível a ausência de remissão recíproca entre "Padre é acusado de sustentar mulheres em troca de sexo" (Cotidiano, pág. C5) e "Igreja paga US$ 5,2 mi por abuso sexual" (Mundo, pág. A10). Um aqui, outro na Califórnia, são casos semelhantes de abuso sexual de menores por parte de sacerdotes da Igreja Católica.
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