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18/09/2001

BERNARDO AJZENBERG

O slogan "Bin Laden: vivo ou morto" é a manchete da maioria dos principais jornais ("Globo": "Bush lembra faroeste e quer Bin Laden 'vivo ou morto'"; Estado": "Bush quer Bin Laden 'vivo ou morto'"; "JB": "Bin Laden caçado por Bush 'vivo ou morto'"). A exceção foi a Folha ("Intervenção global não evita queda recorde da Bolsa de NY"), que o publicou em submanchete ("Bin Laden é procurado 'vivo ou morto', diz Bush"). A opção de abrir com os mercados foi também do "New York Times" e do "Washington Post". O primeiro, em linha editorial "otimista", mostrando a "resistência ao pânico". O "Post" registrou, mais friamente, a queda nas ações.

11 de setembro
1) Erra a Primeira Página ao não trazer remissão para a capa da Ilustrada, com uma bela entrevista exclusiva com os correspondentes da CNN no Afeganistão;
2) Comentário genérico: falta ao jornal um ou mais artigos que em termos de geopolítica consigam "amarrar" os impasses que o "mundo ocidental" passou a viver nos últimos dias diante da dificuldade de reação aos atentados. Como se encaixa a situação do ponto de vista do Direito Internacional? Até onde podem avançar os EUA? As exigências do Taleban para entregar Bin Laden não são justas? Não estão, afinal, dentro das regras do Direito Internacional?;
3) Sinto a ausência, também, de material de bastidores sobre a política externa brasileira no caso (o que FHC pretende fazer de fato?). Há articulações à vista?
4) E o que o governo brasileiro está fazendo, de fato e não com base apenas em "on" de ministros (como há hoje), no que diz respeito a investigações de suspeitos aqui? É estranho que o FBI cobre mais rigor da polícia brasileira (conforme reportagem do correspondente em Washington) e que, aqui, o jornal não consiga trazer aos leitores o que está por trás disso;
5) Detalhe: é preciso padronizar a grafia de Allah (conforme o "Manual"). No texto de Gore Vidal publicado hoje (pág. Especial 9), está escrito Alá;
6) Na saborosa história do advogado brasileiro detido em Nova York (pág. Especial 6), faltou a idade do sujeito. Faltou também, aliás, a idade do prefeito de Chuí (Especial 8), um dos personagens que certamente ainda vai dar o que falar nos próximos dias e semanas;
7) Faltaram alguns cuidados na retranca "Paulista é espancado e decide voltar" (Especial 6). É provável e plausível a história da surra a ele infligida por um grupo de americanos por causa de suas feições. Mas não custava o jornal ter colocado tudo no condicional, atribuindo claramente ao rapaz todos os relatos. Houve checagem no consulado ou na polícia?
8) Não vi na Folha trechos do sermão feito ontem em SãoPaulo pelo rabino Henry Sobel por ocasião do Ano Novo judaico. A julgar pela transcrição do "Globo" e por frases publicadas no "Estado", não foi um discurso banal. O rabino foi bastante enfático, em apoio aos EUA. É notícia;
9) Tudo bem que a Bolsa de NY tenha tido forte queda (e poderia ter sido diferente?), mas o jornal escondeu numa pequena tabela (pág. B4) que em termos percentuais houve quedas bem maiores ao longo deste século. Em outras palavras, a tragédia, nesse mercado, foi bem menor do que se esperava;
10) Didatismo: faltou mapa na pág. Especial 2, que mostra a situação difícil no Paquistão.

Jader
Não dá para entender o nono parágrafo da retranca "Jader deixa presidência do Senado com ataques a PFL" (Brasil, pág. A4). Jader deu um passo em falso ao pedir inquérito contra um de seus acusadores, diz o texto. A quem se refere a reportagem? De qual inquérito se trata?

Quem PSDB e PFL querem?
A reportagem "Candidatura Calheiros enfrenta resistência" (Brasil, pág. A6) mostra que PSDB e PFL não darão apoio a Renan Calheiros para a presidência do Senado. Mas nada traz sobre qual é o nome (ou os nomes) que esses partidos preferem. É Sarney, como prega Tasso Jereissati, por exemplo? José Fogaça? Faltam informações.

Desperdício
A sub-retranca "Apuração é confusa e com atraso" (Brasil, pág. A7) repete o que já estava na retranca de abre do material sobre a eleição interna no PT, acima, na mesma página.

Sem olho no leitor
Como já havia acontecido ontem, hoje de novo falta mapa na reportagem sobre a visita de FHC ao município de São José da Tapera (AL), à pág. A8. É muita indiferença para com o leitor.

     
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