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São Paulo, domingo, 7 de abril de 1996




A leitora Iracema Castro não deve ter entendido uma observação da coluna da semana passada sobre a reforma do atendimento de saúde pela Prefeitura de São Paulo (Plano PAS). Ou, então, era o texto que estava confuso. Ela enviou o seguinte fax para o ombudsman (trechos):
"Lamentável que o senhor extrapolasse suas atribuições, 'criticar o jornal sob a perspectiva do leitor', segundo o rodapé de sua coluna, e achasse por bem, em seu comentário de 31/03/96, desqualificar quem reclama da (falta de) qualidade das matérias da FSP sobre o PAS. Em suas palavras, quem se manifesta são '...
funcionários afetados, que poderiam estar reagindo por corporativismo'. "Ora sr. Leite, a questão é a péssima cobertura do jornal, que se limita a reproduzir informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, sobre um assunto que interessa e muito, não só aos funcionários, mas à população da cidade.''
*
O simples uso do condicional no trecho citado indica que não endosso a idéia de que críticas de funcionários sejam necessariamente corporativistas (embora se trate de um viés que seria ingênuo desconsiderar). A cobertura da Folha para o tema foi criticada na coluna de 11 de fevereiro e, no próprio texto criticado pela leitora, havia a seguinte consideração:
"Há consenso de que o jornal não está conseguindo fazer uma avaliação profunda e objetiva desse vendaval".
*
Da leitora Margarida Pereira chegou cópia da "Oração para os Homens que Dirigem o Povo", de Abraham Lincoln, que considera muito apropriada para a atualidade brasileira:
"Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança.
"Não fortalecerás os fracos se enfraqueceres os fortes.
"Não ajudarás o assalariado se arruinares aqueles que o pagam.
"Não estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio de classes.
"Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos.
"Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado.
"Não evitarás as dificuldades se gastares mais do que ganhas.
"Não fortalecerás a dignidade e o ânimo se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade.
"Não poderás ajudar os homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios."


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