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São
Paulo, domingo, 03 de novembro de
1996
MARCELO LEITE
Boa parte
das pessoas que lêem o jornal num determinado dia procura ali informações
úteis para sua vida. Consciente desta demanda, a maioria das publicações
vem investindo no chamado jornalismo de serviços, realimentando
assim esse vínculo de confiança de seus leitores.
Errar, aqui, é fatal
Apesar de tudo, os erros acontecem. Qualquer leitor já viveu a experiência
desagradável de perder o filme porque o horário no jornal estava
errado. Há muitas razões para que essas falhas ocorram, da má qualidade
das informações fornecidas à negligência ou falta de pessoal na
Redação para fazer verificações e mais verificações. Não existe,
porém, outra saída: é preciso errar menos.
A Folha vem dedicando grande atenção a isso no seu programa
de combate a erros de informação, pois considera alta a quantidade
de erros que publica. Com efeito, o ombudsman recebe muitas queixas
a esse respeito. Por exemplo, vários números de telefone são publicados
com erros de digitação, como se pode acompanhar na seção Erramos.
Os roteiros de atividades culturais, na seção Acontece, também são
alvos frequentes de reclamações. Além de equívocos sobre locais
e horários, leitores apontam incorreções em dados sobre as obras
(nomes de artistas, ano de produção, título etc.). Isso sem mencionar
o fato de que o Acontece não é exaustivo, deixando de fora eventos
que os leitores encontram nos roteiros do concorrente "O Estado
de S.Paulo".
Vestibular perdido
É bem oportuno que o jornal se preocupe com o problema e tome medidas
para aperfeiçoar esse gênero de informação. Ele nada tem de "menor",
como pensam alguns jornalistas. Colocar-se na pele de um leitor
prejudicado pode ser uma boa forma de conscientizar-se dessa responsabilidade.
Com esse objetivo, peço licença de Marisa Mara Silva Lima para tornar
público caso que ela trouxe ao ombudsman. A leitora queria fazer
o vestibular da Unesp. Leu na Folha que as inscrições iriam
até 19 de outubro. Nesse dia, ao tentar inscrever-se, descobriu
que elas tinham sido encerradas no dia anterior (18). Na realidade,
nem se trata de um caso de erro jornalístico. Segundo informou a
Secretaria de Redação, a falha foi da assessoria de imprensa da
universidade. Detectado o erro, saiu nova reportagem com a data
correta. Seis dias antes do término das inscrições, o jornal publicou
um erramos.
Marisa Lima não viu o erramos, nem a reportagem. Por causa disso,
vai ter de esperar um ano inteiro. É o que precisa ficar na cabeça
dos jornalistas: ela não viu o erramos. Nesta hipótese, como no
caso real, publicar uma retificação não resolve todos os problemas.
É o mínimo, e não o máximo, que o jornal pode fazer.
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