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guia de mais de mil verbetes e a notícia de US$ 222,7 milhões |
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São
Paulo, domingo, 23 de março de 1997
MARIO VITOR SANTOS
A maior
novidade do ano para os leitores da Folha _para cerca de
metade deles, é verdade_ foi o lançamento do Guia da Folha-SP.
É uma revistinha simpática, pouco mais estreita e comprida que as
de histórias em quadrinhos, com capa em cores em papel brilhante
e miolo preto-e-branco em papel de jornal.
No formato, lembra revistas locais de programação que se compram
em bancas de cidades estrangeiras. O Guia substitui o encarte
Acontece, antes publicado pela Ilustrada às sextas-feiras.
Representa uma sensível evolução na apresentação de um serviço de
programas gastronômicos e culturais na Grande São Paulo e adjacências,
sua área de circulação.
É um investimento da Folha no sentido de acrescentar mais
um serviço. Busca vitaminar sua posição nessa região, em que o concorrente
''O Estado de S. Paulo'' anuncia ter conquistado a liderança de
circulação dominical.
O guia traz, com abrangência desigual, a programação de cinema,
teatro, exposições, passeios, esportes e shows. Inclui rico roteiro
de restaurantes (350!), bares e casas noturnas. Reapresenta ao leitor
da Folha as palavras cruzadas. Pode ser levado no bolso do
paletó, numa bolsa pequena ou dobrado no bolso da calça jeans.
Na primeira edição surgiram problemas: o espaço, apesar das cem
páginas, é ainda pequeno e nem sempre bem aproveitado. E, não é
novidade, São Paulo tem programas demais.
O Guia não tem ainda muita ''edição'', como se diz em jornalismo.
Faltam pontos de atração de leitura, que ajudem a quebrar a inevitável
sensação de monotonia provocada pela sucessão de páginas cheias
de verbetes.
A apresentação gráfica tem muito a melhorar.
A diretora de Revistas da Folha, Ana Lucia Busch, 31, entusiasmada
com o resultado, ressalta o lado inédito da iniciativa, enfatiza
o investimento no humor e diz que muito ainda pode ser feito, inclusive
tentar fazer com que o guia cresça mais.
A era das revistas que são guias já existe há vários anos no ''Jornal
do Brasil'', com a sua bem-sucedida ''Programa'', de circulação
local e nacional às sextas-feiras.
Por que então o Guia circula apenas na Grande São Paulo?
Corretamente, leitores de cidades do interior já questionam o fato
de não terem direito a receber a publicação.
Quem fala é o diretor de Circulação e Marketing da Folha,
Flávio Pestana, 34. Ele argumenta que distribuir essa publicação
cara para fora da área da Grande São Paulo representaria custo altíssimo
para uso relativamente restrito, se se considera a grande massa
de leitores da Folha.
Declara que, para os que vêm muito a São Paulo, os eventos importantes
da capital aparecem também em destaque na Ilustrada. Informa
ainda que, em regiões onde houver uma concentração de programas
e de leitores, o jornal poderá no futuro vir a criar guias semelhantes,
regionalizados.
Anteontem, quando o Guia SP circulou, eu recebi muitas manifestações.
Nenhuma relativa a ele. Ninguém vaiou, ninguém aplaudiu. Se você
tem, dê logo sua opinião. A semana é curta.
Waal
A companhia norte-americana Dow Jones, proprietária do ''The Wall
Street Journal'', está recorrendo da maior pena de indenização por
difamação da história, decretada esta semana contra o jornal: US$
222,7 milhões.
O ''Wall Street'' foi condenado por um júri de Dallas, cidade da
corretora de valores MMAR, que foi à bancarrota depois de um artigo
publicado no jornal em 21 de outubro de 1993. O texto brincava com
o nome da empresa _MMAR Inc._ que era denominada sarcasticamente
como ''Make Money And Run'', algo como ''Faça Dinheiro e Dê no Pé''.
Dava a entender que a empresa teria manipulado valores (parece familiar?)
para disfarçar perdas e que estaria sob investigação de fiscais
do governo.
A sentença pode dar margem a uma radical mudança no comportamento
de empresas de comunicação e jornalistas no trato com a informação.
A liberdade de informar sobre a situação da empresa e sobre as práticas
empresariais será afetada.
Se mantida, ameaça a estabilidade da própria companhia Dow Jones,
um gigante do setor. A autora da reportagem, Laura Jereski, terá
que pagar US$ 20 mil.
Segundo o ''The New York Times'', a sentença pode ter sido influenciada
por dois fatores:
1) o fechamento da empresa levou à demissão dos 94 funcionários;
2) a imagem negativa que têm os jornalistas junto ao público.
Vale lembrar que, no Brasil, projeto de lei de imprensa continua
tramitando na Câmara. Na forma atual, prevê multas e indenizações
a serem arbitradas pelo tribunal. Aprovada, vai mudar o modo de
se fazer jornalismo no Brasil. Mas isso é tema de uma próxima coluna.
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