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São
Paulo, domingo, 15 de março de 1998
RENATA LO PRETE
A violência
verbal e física que marcou a convenção do PMDB foi um mau começo para
a campanha eleitoral deste ano.
No domingo passado, reunido no plenário da Câmara dos Deputados, o
partido decidiu que não terá candidato próprio à Presidência da República,
aumentando as chances de Fernando Henrique Cardoso se reeleger já
no primeiro turno.
O placar _389 votos pró-FHC; 303 contra_ foi definido em meio a socos
e pontapés trocados pelos militantes e impropérios de todo tipo ouvidos
e declarados pelas lideranças peemedebistas.
Em suas edições de segunda-feira, os jornais reproduziram a pancadaria
e os insultos. Porta de vidro quebrada.
Manifestante com o rosto sangrando. Empurra-empurra no plenário.
O senador oposicionista Roberto Requião xingou de ''percevejo'' o
líder do governo na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima, que respondeu
chamando o adversário de ''Maria Louca'' _era assim que, no passado,
o ex-governador Orestes Quércia se referia a Requião, de quem hoje
é aliado.
Mas o pior sobrou mesmo para Itamar Franco, que postulava para si
a candidatura do PMDB. O senador governista Jader Barbalho cobrou
o ex-presidente por ter sido vice de Fernando Collor e, no dia seguinte,
fez insinuações sobre suas preferências sexuais.
A brutalidade exibida na convenção do PMDB é um sinal de que esta
campanha eleitoral será menos tranquila do que o favoritismo de FHC
faria supor.
O vale-tudo empregado pelos governistas contra Itamar indica que,
mais uma vez, as esferas pública e privada da vida dos candidatos
não terão delimitação clara. No próprio encontro do PMDB, a oposição
mostrou que está disposta a dispensar o mesmo tratamento a FHC.
As questões se arrastam de uma eleição para outra sem respostas claras.
Até que ponto interessa ao (e)leitor a vida pessoal do candidato?
O ocupante de um cargo público não está obrigado a dar satisfações
de seus atos, ainda que privados?
Os adversários da investigação sobre esse tipo de assunto argumentam
que se trata de invasão de privacidade.
Apontam exageros na cobertura do escândalo envolvendo o presidente
Bill Clinton e a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.
Os defensores consideram que o público tem o direito de saber para
tomar suas próprias decisões sobre o que deve ou não ser levado em
conta no momento de escolher seus representantes.
E você, leitor, o que pensa? O que faria se editasse o jornal e tivesse
nas mãos uma revelação de caráter pessoal sobre um candidato a presidente
? E-mails para a ombudsman.
Leia mais
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leitor
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