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São
Paulo, domingo, 24 de maio de
1998
RENATA LO PRETE
Primeiro
foi a integração sem precedentes entre Redação e Departamento Comercial,
vista pelos críticos como séria ameaça à independência do noticiário.
Agora o "Los Angeles Times'' anuncia um plano para aumentar na marra
a representação de mulheres e minorias nas páginas do jornal.
O diagnóstico do publisher Mark Willes não é original. Parte do
declínio do ''macho adulto branco'' no conjunto da população, especialmente
em cidades como Los Angeles, para chegar à necessidade de agregar
outros segmentos ao leitorado.
Em
se tratando de Willes, a estratégia para atingir esse objetivo não
poderia ser convencional.
Pelo sistema que pretende implantar, jornalistas terão seus prêmios
de produtividade parcialmente calculados com base no número de mulheres
e representantes de minorias citados nas reportagens.
Em entrevista ao "The Wall Street Journal'', Willes disse que os
repórteres terão de localizar nesses grupos fontes "de qualidade''
para falar sobre "aço, bonecas Barbie, comércio internacional ou
direitos humanos na China''.
Iniciativas similares, embora menos radicais, fracassaram em outros
jornais dos EUA.
O "WSJ'' cita o editor do "USA Today'', um dos diários que tentaram
dar maior visibilidade a declarações de minorias. Segundo ele, a
política "pode ser perigosa, pois subverte o valor da notícia''.
Mas Willes, que vem chocando jornalistas e estudiosos de mídia com
seus métodos heterodoxos, não parece impressionado. É o sistema
de cotas aplicado ao jornalismo. O leitor não ganha nada com isso.
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