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São
Paulo, domingo, 14 de junho de 1998
RENATA LO PRETE
Aproveito
que a semana foi escassa em manifestações dos leitores _com raras
exceções, a estréia do Brasil na Copa e o feriado fizeram com que
eles desaparecessem desde quarta-feira_ para apresentar o balanço
do atendimento em meus três primeiros meses como ombudsman da Folha.
Não posso reclamar de falta de interlocutores. Do início de março
até o final de maio, foram 1.961 contatos.
Como mostra o quadro à direita, a evolução culminou na média de 34,7
atendimentos por dia útil no mês passado.
Também nesta página é possível constatar que o e-mail já responde
pela maioria absoluta das manifestações, seguido de telefone, fax
e carta. É cada vez mais raro que um leitor venha pessoalmente ao
jornal.
Para que se tenha uma idéia da velocidade com que a correspondência
eletrônica vem substituindo os outros meios utilizados pelo leitor,
noto que os atuais 52% eram 39,4% quando assumi a função.
O ranking abaixo relaciona as áreas responsáveis pelo maior número
de processos nesse período. Como já acontecia antes, no topo da lista
aparece o departamento de Circulação e Marketing.
São leitores que buscam resolver problemas de assinatura e de produtos
lançados pelo jornal (vídeos, fascículos, etc.)
É difícil explicar a essas pessoas, muitas vezes frustradas por tentativas
anteriores de ver seus direitos respeitados, que a ombudsman pode
ouvi-las com atenção e encaminhar os relatos ao setor competente,
mas não tem como solucionar pessoalmente esses casos. Sua área de
atuação é o produto feito pelos jornalistas da Folha.
Na sequência desse "desvio de função'', como descreveu um de meus
antecessores, surgem no ranking as grandes editorias, a própria ombudsman
(comentários sobre a coluna dominical) e setores nevrálgicos do jornal,
como a Primeira Página, o Painel do Leitor e os editoriais.
A partir do balanço do atendimento, tenho para o leitor uma notícia
boa e outra ruim.
Começando por esta última, ainda há muitos processos antigos pendentes.
A contagem mais recente apontou, entre 96 casos em tramitação, 21
com registro anterior a março.
Ou seja, são leitores que esperam por uma satisfação da Folha
há mais de três meses _seis deles aguardam desde o ano passado. Isso
apesar de um arrastão para liquidar o "passivo'', promovido com a
ajuda do comando do jornal.
Caso você esteja entre os 21, peço, se é que tenho o direito, um pouco
mais de paciência. Tenho certeza de que a lista, que já foi bem maior,
será zerada em breve.
A boa notícia é que os casos novos estão sendo solucionados com mais
rapidez. Em fevereiro, o tempo médio entre o registro da reclamação
e o envio de uma resposta do ombudsman para o leitor era de 15 dias.
Hoje é de 3,76.
A melhora, a meu ver, tem explicação de mão dupla. Do lado da Redação,
percebo maior boa vontade, embora a atitude não seja generalizada.
De minha parte, tenho procurado, sempre que o caso permite, apresentar
as explicações pedidas pelo leitor sem esperar pelos esclarecimentos
dos jornalistas.
Por fim, o levantamento revela que, expurgados os problemas de assinaturas,
as críticas de conteúdo dominam as manifestações, muito à frente dos
casos em que são apontados erros no jornal (confira no quadro no alto
da página).
Sugestões são pouco frequentes. Elogios, tão raros que me lembro do
número _11. Afinal, o leitor sabe, ombudsman existe para protestar.
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