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São
Paulo, domingo, 21 de junho de 1998
Na semana que passou, a revista ''The New Republic'' tomou remédio
amargo em público.
Publicação de prestígio nos EUA, apresentou, em nota a seus leitores,
o resultado de investigação interna sobre o jornalista Stephen Glass,
25. Ele foi demitido em maio por fabricar fontes e declarações em
artigo sobre ''hackers'' de computadores.
O saldo: de 41 matérias escritas em três anos, 27 foram total ou
parcialmente inventadas por Glass. Por meio de seu advogado, o jornalista
reconheceu as fraudes.
A ''TNR'' concluiu que Glass deliberadamente confundiu os profissionais
que faziam a checagem das informações de seus artigos, aos quais
entregava anotações forjadas e outras pseudo-evidências.
A revista reconheceu, no entanto, que deu excessiva liberdade a
Glass para utilizar fontes anônimas. Alegou que confiava no jornalista,
ironicamente um ex-checador.
Em entrevista
sobre o caso, Michael Kelly, um dos editores da "The TNR'', disse
que as declarações das matérias de Glass eram "extraordinariamente
boas'', mas que isso não foi suficiente para despertar sua desconfiança.
Glass conseguiu emplacar peças de ficção disfarçadas também na ''Rolling
Stone'' e na ''George''.
A revista dominical do ''The New York Times'' escapou por pouco.
Preparava-se para publicar artigo dele quando o escândalo veio à
tona.
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