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São
Paulo, domingo, 16 de abril de 2000
RENATA LO PRETE
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Do final da tarde
de quarta-feira à madrugada de quinta passada, quem foi à Internet
em busca de notícias sobre o jogador Ronaldo encontrou menos conteúdo
do que a propaganda do novo meio permitia esperar.
A cena dramática no estádio em Roma, características e possíveis consequências
da contusão, retrospectiva da carreira: em qualquer um desses aspectos,
a cobertura online pouco acrescentou ao que se viu na TV e, na manhã
seguinte, nos jornais.
Pelo contrário. No saldo, ficou aquém. Também não antecipou desdobramento
relevante, qualidade presumida do tempo real. Houve as enquetes de
sempre, mas estas costumam servir mais para entreter do que para informar.
A quantidade modesta de material me impressionou menos do que a acentuada
semelhança entre os sites. Cosmética à parte, os textos eram praticamente
os mesmos em todos os endereços, alimentados por dois tipos básicos
de fontes:
a) as agências internacionais de notícias, ao lado da única do país
especializada em esporte;
b) a rapinagem pura e simples entre sites e das reportagens de rádio
e TV.
Antes que me acusem de vilipendiar a Internet em benefício da chamada
mídia tradicional, friso que a observação não diz respeito às possibilidades
quase infinitas da rede, e sim ao que vem sendo oferecido ao usuário.
Além do mais, o problema não deixa de atingir os veículos impressos.
Basta conferir as limitações do site da Folha, que tem reforma prevista
para breve.
Trocando o joelho de Ronaldo pela sucessão de Bill Clinton, relato
os resultados recém-divulgados de pesquisa feita nos EUA sobre a cobertura
online da eleição presidencial deste ano.
O estudo foi promovido pelo Committee of Concerned Journalists, organização
interessada em discutir a qualidade da imprensa americana (no ano
passado, registrei aqui as conclusões de trabalho anterior do mesmo
grupo, sobre o escândalo Monica Lewinsky).
Foram examinados 12 dos sites mais populares do país, em seis datas-chave
da temporada de primárias (processo de seleção do candidato de cada
partido). Ao todo, 72 páginas e 286 reportagens.
A escolha dos endereços se baseou em critério de audiência e também
no desejo de reunir um grupo que incluísse portais (como os de AOL,
Microsoft e Yahoo!), veículos originalmente eletrônicos (caso da revista
"Salon") e versões online de jornais como "The New York Times" e "The
Washington Post".
Os principais resultados:
- 25% das páginas analisadas não traziam material próprio, limitando-se
a reproduzir despachos de agências e conteúdo de outros meios.
- 25% não ofereciam nenhum elemento interativo. Para surpresa dos
pesquisadores, responderam por essa fatia apenas sites nascidos na
própria Internet, e não adaptados da velha mídia.
- em quase metade (45%) das quatro visitas diárias aos 12 sites havia
uma nova reportagem de abertura, bom resultado do ponto de vista da
atualização das notícias.
- não tão bom, ponderam os autores do estudo, quando se observa que,
em muitos casos, o principal fato do dia foi expulso rapidamente do
cardápio ou mesmo ignorado.
- reportagens de maior profundidade, com temas ligados à plataforma
dos candidatos, foram parcela ínfima (2%).
- o levantamento não corroborou idéia de que a Internet seria terreno
fértil para fontes anônimas e informações pouco fundamentadas. Mais
de 50% das reportagens de abertura tinham pelo menos cinco fontes
(número superior, sem dúvida, à média nos jornais impressos brasileiros).
Em cerca de 90%, a fonte principal estava identificada.
"Um exame atento", conclui o relatório final, "revela o segredo de
boa parte da Internet: despachos da Reuters, um serviço noticioso
de 149 anos de idade".
Nada contra a tradicional agência britânica, mas a constatação mostra
a distância entre o prometido oceano de diversidade informativa e
o atual estágio do jornalismo pontocom.
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