|


O que é o cargo
Fale com a
Ombudsman
Mural
Colunas
Anteriores
FiloFolha
Dúvidas mais
Frequentes
Bate-papo
|
 |
| O leitor pergunta |
 |
São
Paulo, domingo, 23 de abril de 2000
RENATA LO PRETE
Em trabalho que precedeu o lançamento, na semana passada, do site
da ombudsman na Internet, procurei reunir as perguntas mais repetidas
nas manifestações que recebo.
O resultado mostra algo que costumo dizer quando colegas perguntam
"do que o leitor tem falado". Embora muitos comentem temas do momento,
como a cobertura do escândalo municipal ou a tonelada de reportagens
alusivas aos 500 anos, boa parte traz questões que passam ao largo
do cardápio de notícias e, portanto, das preocupações dos jornalistas.
Pergunta campeã no período recente: por que a versão eletrônica da
Folha só pode ser lida por assinantes do jornal e/ou do Universo
Online?
Explico que, segundo o UOL e a empresa que edita o jornal, a restrição
atende a necessidades de ordem estratégica.
O leitor invariavelmente rebate citando extensa relação de jornais
que garantem acesso livre à edição do dia.
Outra questão que jamais desaparece da caixa postal da ombudsman:
por que os exemplares que circulam fora de São Paulo não trazem os
resultados dos jogos de futebol da noite anterior?
Esclareço que um jornal com a tiragem e a penetração nacional da Folha
não tem como esperar até quase meia-noite para iniciar sua rodagem.
Os exemplares que demoram mais para chegar a seu destino precisam
ser os primeiros a ficar prontos. Por isso não incluem o relato das
partidas e de outros eventos noturnos.
Para completar o trio de perguntas mais frequentes: por que há tantas
cartas de autoridades no "Painel do Leitor"?
Digo que, no entendimento da direção do jornal, autoridades não deixam
de ser leitores. Além disso, a Folha considera como uma das
funções da seção abrigar cartas que configuram direito de resposta.
Muitas pessoas procuram a ombudsman para reclamar da coabitação. No
momento, há um leitor que esquadrinha diariamente o "PL" e me envia
relatórios com os percentuais de espaço ocupado por VIPs e anônimos,
os primeiros não raro em vantagem.
Uma seção exclusiva para o chamado "leitor comum" é reivindicação
antiga. Por limitação de espaço, o jornal não vê condição de atendê-la.
As questões acima costumam dar em um beco sem saída. A resposta da
ombudsman não é a que o leitor espera, e ele dificilmente aceita os
argumentos do jornal. Mas pelo menos é possível discutir.
Pior é quando não há muito a responder, o que ocorre com perguntas
como: por que as fotos têm "legendas de cego"?
Porque as legendas são feitas com desleixo (foto do protesto em Washington
na edição de terça-feira: "policial norte-americano prende manifestante
com uma rosa na boca", o que o leitor podia perfeitamente ver sozinho).
A dúvida procede, mas a resposta é curta.
Ou: por que o erro que eu apontei não foi corrigido?
Na quarta-feira, um leitor telefonou para avisar que a principal matéria
de Mundo dizia que ocupantes de uma fazenda no Zimbábue haviam
matado "a tiros" um criador de gado, "espancado até a morte".
Percebi que o erro constava de exemplares enviados ao interior do
Estado. Fora suprimido em uma troca. Registrei o alerta na crítica
interna.
Outro leitor: "afinal de contas, o homem foi morto a tiros ou por
espancamento?" Até ontem, a editoria não havia esclarecido que foi
a tiros, retificando a frase atrapalhada.
Quase piada, o erro é o de menos. Coisa que acontece. O problema é
por que não foi corrigido: porque a Redação não se sente obrigada
a dar uma satisfação ao leitor. As perguntas mencionadas aqui e várias
outras estão, acompanhadas de respostas, no site da ombudsman , parte de
uma série de mudanças na Folha Online.
Arquivo de colunas, esclarecimentos sobre a função e links para sites
de discussão jornalística estão no endereço. Há muito a fazer para
aperfeiçoá-lo. Conto com críticas, sugestões e mais perguntas do leitor.
Leia mais
Bioequivalência de palavras
Colunas anteriores
16/04/2000 - Tudo igual pontocom
02/04/2000 - Escândalo-gangorra
26/03/2000 - De costas para a notícia
19/03/2000 - O Pedro de Pitta
12/03/2000 - Máscaras
subir

|
|
|