|


O que é o cargo
Fale com a
Ombudsman
Mural
Colunas
Anteriores
FiloFolha
Dúvidas mais
Frequentes
Bate-papo
|
 |
São
Paulo, domingo, 08 de outubro de 2000
RENATA
LO PRETE
Escrevi
uma vez que a Folha gosta de citar o erramos como
exemplo de sua transparência. De fato, os concorrentes dão
menos destaque a retratações, e alguns nem mesmo as
publicam de maneira sistemática.
Mas há duas situações que provocam efeito contrário
ao pretendido pelo jornal. A primeira se dá quando falhas graúdas
conseguem escapar da seção na página 3, deixando
a impressão de que ali é lugar de café pequeno.
A segunda é o que se pode chamar de erramos envergonhado,
cuja redação omite as verdadeiras dimensões do
engano cometido. É o caso desta nota da edição
de terça-feira:
Diferentemente do que informou a coluna Brasília
de ontem, Paulo Maluf não teve 10,49% e 12,41% dos votos válidos
na capital paulista na eleição de 98. Os percentuais
corretos são 33,06% (primeiro turno) e 40,05% (segundo turno).
A nota, assim como o texto a que ela se refere, saiu apenas nos exemplares
que circulam na Grande São Paulo.
Meticuloso no pontual, o erramos não disse o principal.
Observei na crítica interna que, corrigidos os números,
caía por terra a afirmação, feita no dia anterior,
de que o desempenho de Maluf no domingo foi melhor que o de dois anos
atrás.
Autor do artigo, o jornalista Fernando Rodrigues voltou ao assunto
no dia seguinte ao da retificação (sua coluna na página
2 sai às segundas, quartas e sábados).
Errei de forma indesculpável os percentuais, escreveu,
em seguida remetendo o leitor para uma reportagem, também de
sua autoria, publicada na mesma edição.
Conclusão do novo texto, que analisou dados a partir de 1988:
Malufismo atinge sua pior votação.
Não vejo nada de indesculpável no erro dos percentuais.
É chato, mas pode acontecer a qualquer um. Registrados nos
arquivos do TSE, os 10,49% e 12,41% na verdade representam a fatia
malufista, obtida na capital, sobre o total de votos válidos
no Estado de São Paulo.
Vejo problema, isso sim, na insistência em não tratar
do essencial. Sobre Maluf ter sobrevivido politicamente ao ir
para o segundo turno, nada a reparar, arrematou o jornalista
no parágrafo final da coluna de quarta-feira. Trata-se
de um fato.
Certo, mas o primeiro artigo foi além desse diagnóstico.
Seu título: E Maluf sobreviveu. E cresceu.
Em conversa com a ombudsman na sexta-feira, Rodrigues disse partilhar
da preocupação com a transparência no reconhecimento
das falhas.
Procuro corrigir meus erros de forma ampla. No caso em questão,
por minha iniciativa, a Folha publicou correções
em três lugares diferentes do jornal. Ele se refere ao
erramos, ao registro na coluna e à reportagem,
esta com título explícito sobre o que aconteceu
de fato com o voto malufista na cidade.
Fiz questão de assinar o texto da reportagem, continua.
Tudo foi realizado no menor tempo possível. Poderia ter
feito mais? Talvez. Mas avalio que o principal foi atendido: esclareceu-se
para o leitor qual foi o erro e de quem foi a responsabilidade.
Não era preciso fazer mais. Menos seria suficiente, desde que
fosse assumido, de saída, o mais importante. Algo assim:
A coluna Brasília errou ao afirmar, em título
e texto, que a votação de Paulo Maluf cresceu em relação
à obtida em 98. Ocorreu o contrário. O candidato teve
este ano seu pior desempenho na capital.
Curto e claro. À diferença do que foi feito, não
pede que se esqueça o que o jornal escreveu. Dói na
hora, mas o retorno vem na forma de respeito do leitor.

Talvez influenciada pela cobertura da Olimpíada, a Folha
resolveu tratar a apuração de domingo passado como se
fosse prova de atletismo.
Manchete do caderno Eleições de segunda-feira:
Maluf passa Alckmin no final e enfrentará Marta.
Como passa no final?
A estreita diferença entre os dois candidatos (7.691 votos)
sem dúvida merecia destaque, mas a idéia de ultrapassagem
só se justifica no jornalismo em tempo real. Impressa no dia
seguinte, como registro histórico, não faz o menor sentido.
Maluf já estava à frente de Alckmin às 17h, quando
foi encerrada a votação. Fosse outra a ordem das urnas,
teria passado no começo. A julgar pelos dados discriminados
que a Folha publicou na quarta-feira, nem teria experimentado
a terceira posição caso fossem computados primeiro os
votos da zona leste.
É uma história pequena, mas serve para ilustrar uma
certa indefinição de estilos e atribuições
entre o papel e a Internet.

Para registro. Comparando a seleção de candidatos a
vereador apresentada pela Folha às vésperas da
votação e o quadro de eleitos publicado na terça-feira,
verifica-se que 11 dos 25 recomendados pelo jornal (de um universo
de 1.087 candidatos) conseguiram cadeira na próxima legislatura.
Leia mais:
Os números do atendimento
Colunas
anteriores
1º/10/2000 - Notas de urna
24/09/2000 - A nossa manchete errada
10/09/2000
- Tudo por dinheiro
03/09/2000 - A Nicéia de Luxemburgo
27/08/2000 - Nós e os outros
20/08/2000 - Reboque eleitoral
subir

|
|
|