|
São
Paulo, domingo, 25 de setembro de
1994
|
Juan
Esteves - 16.set.1993/Folha Imagem
|
 |
| Junia
Nogueira de Sá, que foi ombudsman da Folha de 21/9/93
a 27/9/94 |
Na última terça-feira, 20 de setembro, completei um ano de mandato
como ombudsman da Folha. No mesmo dia, o cargo completou
cinco anos de existência no jornal. Mas, ao contrário dos dois Ombudsmans
que me antecederam aqui, meu mandato não está sendo renovado. A
partir da próxima quarta-feira, a Folha tem um novo ombudsman:
o jornalista Marcelo Leite.
Como o leitor já deve saber, os Ombudsmans da Folha têm mandato
de um ano renovável, de comum acordo entre a Direção de Redação
e o próprio ombudsman, por apenas mais um ano. Desde o início, minha
intenção era permanecer no cargo por todo esse período. No final
de agosto, a um mês do encerramento de meu mandato, a Direção de
Redação manifestou sua intenção de me manter no cargo por mais um
ano, o que publicamente quero agradecer. Mas algumas questões de
ordem particular (e inadiáveis) acabaram me fazendo desistir da
idéia -e, confesso, não foi fácil.
Ser ombudsman da Folha, um jornal de quase 1,5 milhão de
exemplares aos domingos, é uma responsabilidade enorme e, ao mesmo
tempo, um trabalho fascinante. Ao longo de um ano, mais de 7.000
leitores me procuraram para falar do jornal: fazer queixas, apontar
erros, reclamar de falhas (eventualmente, um elogio também chega
ao ombudsman). Também ao longo de um ano, participei de 27 eventos
como palestras, seminários e debates com estudantes, jornalistas
e profissionais de outras áreas, no Brasil e fora dele. O que aprendi,
nesse ano, vale por dez.
O leitor tem uma visão do jornal que muitas vezes nós, jornalistas,
não conseguimos imaginar -exatamente porque, no dia-a-dia, estamos
distantes dele. A maneira como esse leitor critica e aponta defeitos
é precisa, e surpreendente. Ao longo desse ano, tentei informar
o máximo possível a Redação da Folha sobre suas opiniões,
suas queixas, suas expectativas em relação ao jornal. Afinal, quem
melhor do que um leitor para saber o que é um bom jornal?
Como ombudsman, também pude observar a Folha de uma perspectiva
nova: a de sua responsabilidade social. Impressiona perceber, nas
cartas e nas conversas com os leitores, quanto eles acreditam no
que lêem, quanto dependem dessas informações e quanto um erro pode
causar de estragos e problemas. Impressiona perceber que, no dia-a-dia
da redação, muitas vezes nos esquecemos disso -de que todo erro,
num jornal, desmonta parte dessa credibilidade construída com enorme
sacrifício.
No balanço final, só posso dizer que foi uma experiência enriquecedora
(todo jornalista deveria ser ombudsman por uma semana, para ouvir
as críticas diretamente do leitor; é pedagógico). O convívio com
a Direção e a Secretaria de Redação da Folha foi o melhor
possível, e a ambos devo a possibilidade de fazer um trabalho livre
de quaisquer interferências.
Também o convívio com a Redação foi excelente: recebi mais de 80
respostas e observações à crítica interna ao longo deste ano, o
que facilitou a discussão de temas que só melhoram a qualidade final
do jornal. Se posso fazer um reparo, entretanto, gostaria que a
Redação tivesse sido mais eficiente nas respostas às questões levantadas
pelos leitores. Em média, elas demoram até um mês para serem atendidas
pela Redação -o que, num jornal diário, é uma eternidade.
Até terça-feira, continuo sendo a ombudsman da Folha. Na
quarta, entrego o cargo a Marcelo Leite, um jornalista competente
e experiente, e no fim-de-semana saio para alguns poucos dias de
merecidas (permita-me, leitor) férias. Nelas, vou fazer a coisa
de que mais gosto: ler muito, e ler jornais. Se encontrar problemas,
telefono para o ombudsman da Folha, pode acreditar.
Voltar
subir

|