Vagas, Lula, voto, liberalismo,
da Folha Online
Vagas
"O projeto de lei que reserva 10% das vagas em universidades públicas para pessoas com deficiência, de fato, parece não ter sido discutido amplamente com o movimento social, órgãos e outras instâncias de participação e representação desse segmento populacional, embora ainda haja tempo para esse debate no Senado. O editorial da Folha, porém, se equivoca ao defender que o critério para definição das cotas deva ser a 'incapacidade atestada' da pessoa com deficiência.
As ações afirmativas se relacionam ao conceito de equiparação de oportunidades, identificando grupos que foram historicamente excluídos do acesso à educação ou trabalho e ainda hoje enfrentam barreiras objetivas na sua trajetória escolar ou profissional. O critério para as cotas, portanto, não deve enfatizar a incapacidade individual, mas os problemas que a sociedade apresenta para a verdadeira inclusão social das pessoas com limitações físicas, sensoriais e cognitivas. Ademais, é importante destacar que a política de cotas deve ser entendida como algo temporário, sendo gradativamente abandonada na medida em que o acesso das pessoas com deficiência à educação e ao trabalho se dê naturalmente, em condições de igualdade com as demais pessoas."
VINICIUS GASPAR GARCIA (Campinas, SP)
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Lula
"A sorte de Lula é que ele é um inimputável. Pode dizer o que quiser que ninguém se incomoda.
Pode dizer que Pelotas é exportadora de homossexuais, que loiros de olhos azuis causaram a crise, que para o Brasil a crise é como gripe em cabra macho, que o Brasil não será afetado pela gripe suína, que a festança das passagens não passa de um espirro e que no Brasil ninguém comete crime, só deslizes perfeitamente perdoáveis (desde que não tenha sido praticado por alguém da oposição). Enfim, o moto-perpétuo do homem é minimizar."
NEREU AUGUSTO TADEU DE GANTER PEPLOW (Curitiba, PR)
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"Alguém tinha dúvidas de que Lula aprovaria essa farra imoral e criminosa? Depois do mensalão, dos sanguessugas etc., tudo com a conivência do presidente, o que mais podemos esperar? Pobre Brasil, e piedade para os brasileiros."
EVALDO MAURICIO DE SOUSA (Brasília, DF)
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Voto
"Com todo o respeito, discordo do pensamento expresso na carta da doutora Dagmar Zibas ('Painel', 1º/5), da USP, pois a manutenção do voto obrigatório é o que mais interessa à elite conservadora: ela sabe que que a grande maioria da nação não tem condições socioeconômicas de se manter informada do panorama político, pois carece de visão crítica, e essa carência, a meu ver, é fruto do desinteresse histórico dos governos pela educação de qualidade. Interessa, assim, à elite conservadora a mantença dos currais eleitorais, para a perpetuação de seus interesses financeiros.
No meu entender, o desinteresse pela política do povo brasileiro é uma questão de falta de formação cultural, que é ontológica e que o afasta de ter um bom emprego e um bom salário --a maioria do povo não tem condições de comprar e ler livros e jornais.
Uma boa formação cultural faria o cidadão separar o joio do trigo. Mas o joio continua comprando o seu voto com cestas básicas, dentaduras, bolsa de estudos etc. No Brasil, o cidadão é um involuntário analfabeto político: ele não tem opção."
WANDER CORTEZZI (São José do Rio Preto, SP)
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Liberalismo
"O neoliberalismo mostrou-se produtor de desigualdades, além de ter causado uma crise econômica mundial. Porém, o editorial da Folha de 30 de abril mostra surpreendente sugestão para melhorar a educação pública: privatizá-la parcialmente. Ou seja, devemos deixar a cargo de entidades privadas, movidas provavelmente a isenções fiscais, a oferta da excelência do ensino para 'jovens promissores, sem distinção de classe ou origem'. A escola usada pela Folha como exemplo de sucesso oferece dez horas de ensino diárias, preparação para universidades, palestras, workshops etc., mas acolhe menos de 5% dos candidatos que passam por sua seleção. Não seria mais democrático e justo dotar as escolas públicas de recursos para que todas elas se tornassem excelências em qualidade (o que implicaria período integral, professores bem remunerados, estrutura física adequada etc.) e ofertá-las para todos os jovens do Brasil, para que eles próprios pudessem descobrir-se promissores, sem que para isso tenham que passar o tempo todo por gargalos e seleções?"
MARIA ALICE OLIVA DE OLIVEIRA, professora (São Paulo, SP)
